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Laver relembra história de seu Grand Slam há 52 anos
12/09/2021 às 14h59

Nova York (EUA) - Último homem a conquistar os quatro torneios do Grand Slam no mesmo ano, o australiano Rod Laver relembrou algumas histórias de sua incrível campanha em 1969. Aquela foi a segunda vez que ele conseguiu essa façanha, repetindo seu feito de 1962. Neste domingo, o número 1 do mundo Novak Djokovic tem a chance de também fechar o Grand Slam. Atual campeão do Australian Open, de Roland Garros e de Wimbledon, o sérvio enfrenta o russo Daniil Medvedev às 17h (de Brasília) pela final do US Open.

"Depois que eu conquistei o título de Wimbledon em 1968, disse à minha esposa, Mary, no final da temporada que queria jogar os quatro grandes torneios do ano seguinte. Ela concordou: 'Vá em frente, é a sua vida com o tênis'. Fechar outro Grand Slam, depois de seis anos já estava na minha mente quando cheguei em Brisbane", disse Laver, em entrevista ao site da ATP em 1969.

"Antes de cada partida, eu precisava enrolar meu cotovelo em uma almofada de lona por 20 minutos. E depois de cada jogo, eu precisava colocá-lo no gelo. Desde o início, o calor de janeiro em Brisbane foi excessivo e a umidade opressiva", comentou o australiano, que estava com 30 anos quando conseguiu o feito pela segunda vez na carreira. "Um ano de Grand Slam começa em janeiro, na Austrália, e termina em setembro nos Estados Unidos. Você tem que vencer 28 partidas, mas não precisa vencer os 128 jogadores de cada chave.

Revanche em Paris, melhora em Wimbledon
A final de Roland Garros foi contra outro australiano, Ken Rosewall, e Laver venceu por 6/4, 6/3 e 6/4. "Joguei contra ele na final do ano anterior, quando ele me derrotou em quatro sets. Então eu sabia que tinha que mudar um pouco o meu jogo. Decidi que usaria golpes pesados do fundo de quadra ​​para pressioná-lo quando pudesse. Então, eu tentava a atacar já nos primeiros pontos de cada game e nos primeiros dois games de cada set. No fim funcionou. Depois disso, sabia que Wimbledon e US Open seriam difíceis, mas que o sonho estava vivo".

Laver acredita ter jogado seu melhor tênis durante a campanha para o título de Wimbledon. Ele venceu na final o também australiano John Newcombe por 6/4, 5/7, 6/4 e 6/4. "Eu gostei de jogar em Wimbledon, senti que joguei meu melhor tênis lá. Não que eu goste da pressão, mas meus níveis de concentração pareciam ter aumentado. Sempre me senti bem em Wimbledon e me dei todas as chances. Eu me preparei bem nas quadras de treino antes do torneio e estava pronto para competir contra qualquer um".

Lesões e gravidez da esposa durante o US Open
O US Open foi bastante desafiador para Laver que já convivia com lesões, além do fato de sua esposa estar em fase final de gravidez. O australiano venceu na final o compatriota Tony Roche por 7/9, 6/1, 6/2 e 6/2. Aquele foi o 11º e último título de Grand Slam da carreira. "Com quase 31 anos, eu tinha algumas lesões e meu cotovelo às vezes ficava dolorido. Eu pude jogar uma partida, mas depois sofria um pouco para me recuperar. Tomava aspirina ou medicamento para aliviar a dor. Achei que era hora de ficar com Mary e meu filho. A data prevista para o nascimento do bebê era 9 de setembro, mesmo dia da final do US Open. Mas o nosso filho, Ricky, só nasceu três semanas depois, em 27 de setembro".

'Alguns não gostavam de ir à Austrália', diz Laver
Falando sobre a dificuldade de seu feito, Laver destacou os grandes nomes do tênis que tentaram repetir a façanha e sobre o quanto o esporte cresceu nas últimas décadas. "É incrível quando olho para os jogadores que competiram nos últimos 50 anos, sejam Connors, John McEnroe, Boris Becker, Pete Sampras ou Federer, Nadal e Djokovic na era de hoje. Anos atrás, muitas pessoas não viam os quatro grandes torneios como um Grand Slam. Alguns não gostavam de ir jogar na Austrália em dezembro ou janeiro. Mas o jogo está maior agora, as pessoas olharam mais de perto os recordes históricos nos últimos 20 anos e é ótimo que o tênis celebre seu passado. Eu apreciei minhas celebrações dos 50 anos do título".

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