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Bruno Soares: 'Pensei que não jogaria mais este ano'
09/09/2021 às 19h21

Em Nova York, Soares tem a companhia do filho Noah

Foto: Rhea Nall/USTA

Nova York (EUA) - A classificação para mais uma final de duplas do US Open surpreende Bruno Soares. O Grand Slam nova-iorquino é o primeiro torneio que ele disputa desde que foi diagnosticado com apendicite às vésperas dos Jogos Olímpicos de Tóquio e ter que passar por cirurgia. Soares estava fora sem competir desde Wimbledon, há dois meses, e chegou a ficar parado por um mês em casa após a cirurgia. Ele e o britânico Jamie Murray entram em quadra nesta sexta-feira, às 13h (de Brasília), para enfrentar o norte-americano Rajeev Ram e o britânico Joe Salisbury.

"Por algumas vezes, ao longo desse mês parado, eu pensei em mudar a minha estratégia e até de não jogar mais neste ano, me preparando para o ano que vem", disse Soares, após a vitória na semi, ao lado de Murray contra o australiano John Peers e o eslovaco Filip Polasek por 6/3, 3/6 e 6/4 nesta quinta-feira em Nova York.

"Em um mês parado você perde todo o seu físico, massa muscular, explosão... Mas aí pensei: quer saber? É o último Grand Slam do ano e não sou mais tão jovem assim. Então eu vou lá para curtir o momento e fazer o meu melhor. Sabia que teria que lutar do início ao fim, mas aceitando as adversidades. E foi isso que aconteceu".

"Sabíamos que não ia ser nada fácil. Eu não vinha jogando bem, estava sem ritmo nenhum e sabia que ia ser questão de sobrevivência nas primeiras rodadas. Na minha preparação para cá pude treinar apenas uma semana com intensidade", disse o mineiro, que é bicampeão do US Open nas duplas masculinas e dono de outros dois títulos nas duplas mistas. No geral, ele já acumula seis títulos de Grand Slam, três em cada modalidade.

"O meu físico não estava nas melhores condições, estava muito abaixo e, quando comecei a treinar mais forte, o meu corpo ficou muito dolorido. Eu sabia que ia ser na superação e que essas duas primeiras rodadas iam ser para sobreviver no torneio e pegar ritmo, confiança e subir o nível".

O experiente jogador de 39 anos também destacou a força mental da parceria com Murray. "Desde a terceira rodada a gente está jogando num nível super bom e com o mental muito firme, não deixando se abalar com pequenas coisas ou situações que sabíamos que iam acontecer. Agora é curtir o momento e não abaixar a guarda. Ainda falta um jogo para conquistar o caneco".

Presença do filho Noah em Nova York

Em Nova York, Bruno Soares tem a companhia do filho Noah, de seis anos, que tem dado sorte durante o torneio. "Desde o começo da pandemia, é o primeiro torneio com ele, sim. Já viajamos muito antes, mas depois realmente não tivemos essa chance. Então é a primeira viagem com ele e faz uma enorme diferença. Eu não sou um cara da bolha. Tenho sofrido muito desde o ano passado com essa situação de bolha e de ficar trancado em quarentenas e coisas assim. Eu conheço a situação do mundo, é claro, e as coisas que temos que fazer, mas não é fácil para mim jogar assim e não poder sair com minha família e fazer coisas que você deseja. Não poderia nem trazer família comigo. Isso faz uma grande diferença".

"Acho que a forma como estamos jogando aqui com os fãs, as pessoas vacinadas e tendo meu filho aqui comigo, e alguns amigos, fez uma diferença enorme para mim. Eu não posso pedir mais. Acho que é a primeira viagem que ele realmente vai se lembrar, porque estive conversando com ele antes da pandemia, e ele realmente não se lembra de muita coisa. Acho que tem sido muito especial para ele. Mesmo se eu perder. Apenas, para mim, a atmosfera e a energia são muito importantes".

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