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Irritado, Murray diz que não respeita mais Tsitsipas
30/08/2021 às 22h38

Nova York (EUA) - O escocês Andy Murray mostrou todo seu descontentamento com as questões extra-quadra de sua partida desta segunda-feira desde que cumprimentou secamente o grego Stefano Tsitsipas após sua eliminação inédita na primeira rodada do US Open. Ao chegar à entrevista oficial, não poupou críticas ao adversário e afirmou que perdeu o respeito por ele.

"A questão não é sair da quadra, mas o tempo que se demora. Eu tinha conversado com meu time sobre isso antes do jogo e de certa forma estava preparado", começou Murray, sobre as duas longas idas de Tsitsipas ao vestiário durante a partida, repetindo um fato que se tornou corriqueiro. "Mas o fato é que você não pode ficar parado tanto tempo, isso prejudica fisicamente. Num jogo tão brutal, ficar parado sete ou oito minutos te esfria muito. Você pode se preparar para isso mentalmente, mas irá te afetar na parte física".

Sem parar, o ex-número 1 prosseguiu. "E houve outras pausas no jogo, geralmente na hora que eu iria sacar. O pedido médico veio logo que ganhei o terceiro set, depois uma troca de raquete no 0-30. Não pode ser coincidência que sempre aconteça nessas horas. E não acho que ele estivesse com algum problema, já que foram mais duas horas de jogo depois, e ele estava ótimo, se mexendo muito bem".

E por fim sentenciou: "Fiquei desapontado porque isso influenciou o jogo. Não estou dizendo que eu iria necessariamente ganhar, mas causou influência aquelas paradas todas. Eu o qualifico muito bem como tenista, é um jogador brilhante e é muito bom para o tênis, mas não tenho paciência para essas coisas. Perdi o respeito por ele".

Questionado sobre a falta de ação dos árbitros, Murray foi taxativo: "Ele não podem fazer nada porque as regras estão lá. Mas eu estou no Conselho e falamos muito disso, sobre mudar essas regras, achar uma forma de que as regras não sejam exploradas desse jeito. Uma das sugestões foi que, se houver um pedido médico ou uma parada antes do saque do adversário, se perde o game. Não dá para ter duas paradas de cinco minutos num jogo. Isso não é normal, não é correto".

O britânico diz não acreditar nos boatos de que Tsitsipas iria ao vestiário para receber instruções por mensagem de texto. "Não vou acusá-lo disso, mas todo mundo sabe que ele vai fazer as paradas. Já tinha previsto isso com meu time. Talvez não devesse ter me afetado, mas no meio do jogo é difícil, porque afeta mais o físico, derruba sua adrenalina".

Murray também foi questionado sobre o curioso fato de ter levado um único par de calçado para a partida e ter encontrado problemas com isso num momento importante do segundo set. "Erro meu, mas isso nunca havia acontecido. O calçado aliás era novo. Mas ficou tão úmido que eu estava escorregando e perdendo o equilíbrio. Enfim, foi algo para eu aprender no futuro".

Sobre sua atuação, o escocês se mostrou muito satisfeito. "Eu disse semanas atrás que ainda era capaz de jogar um tênis desse nível. Precisava de horas na quadra e da chance de enfrentar os tops. Acho que provei algumas coisas esta noite. No lado físico, fui muito bem. Mas ainda assim estou muito, muito desapontado, frustrado".

E voltou a enfatizar a questão física: "Terminei muito bem o jogo, estava firme nas trocas até o fim. Não sei como irei me sentir amanhã cedo, mas acredito que estaria pronto para outra rodada. Claro que não tive uma temporada muito longa e para outros jogadores, que têm jogado mais, talvez seja mais difícil se recuperar".

Um dos pontos altos foi a evolução do saque. "Fiz algumas mudanças técnicas depois de Wimbledon porque senti que perdi lá e alguns outros jogos este ano porque estava sem ritmo no saque e não estava ganhando pontos rápidos. As mudanças funcionaram. Mas as quadras aqui estão bem rápidas e o clima quente também ajuda. É verdade que o saque caiu no quarto e quinto sets, talvez por alguma fadiga".

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