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Campeã, Barty dá exemplo dentro e fora das quadras
22/08/2021 às 21h42

Barty tem ascendência aborígene e tenta dar mais oportunidades aos jovens indígenas na Austrália

Foto: Divulgação/Tennis Australia
Mário Sérgio Cruz

Cincinnati (EUA) - Líder do ranking mundial e campeã do WTA 1000 de Cincinnati neste domingo, Ashleigh Barty dá exemplo e fora das quadras. A australiana é bastante atuante em um projeto que visa levar o tênis aos povos indígenas do país.

Barty, que tem ascendência aborígene do povo Ngarigo, aproveitou o período em que o circuito estava paralisado por conta da pandemia no ano passado para visitar escolas, incentivar a prática esportiva e orientou seis jovens jogadores. A ideia é despertar o interesse pelo tênis, da mesma forma que a ex-número 1 do mundo Evonne Goolagong, também descendente de aborígenes, serviu de inspiração para ela.

"Levar o tênis para a juventude indígena da Austrália é algo que está muito perto do meu coração. Penso na minha amiga e ídolo, Evonne Goolagong. Ela me inspirou a pegar uma raquete de tênis e inspirou a muitos jovens atletas indígenas em todo o nosso país a jogar tênis e se tornarem educados", disse Barty a TenisBrasil, na entrevista coletiva logo após sua conquista em Cincinnati.

"Para mim, ter uma pequena participação na formação da próxima geração de jovens indígenas é realmente incrível. Não se trata apenas de pegar uma raquete de tênis e aprender o esporte. É sobre se tornar educado, sobre a vida, educado com sua escola e ser capaz de oferecer oportunidades em todo o país. Não apenas em grandes cidades, mas também em pequenas comunidades e em áreas rurais, para dar às crianças indígenas de nossa próxima geração a oportunidade de aprender e descobrir que seus sonhos são possíveis", explica a jogadora de 25 anos, que conquistou o 13º título da carreira e o quinto da temporada.

"É importante sonhar grande, é importante colocar suas esperanças e sonhos no universo, e você nunca sabe o que pode acontecer. É muito importante estabelecer uma base e um caminho para eles seguirem", complementou a líder do ranking, que já acumula 89 semanas como número 1 do mundo, sendo 82 delas consecutivas. A conquista em Cincinnati faz com que ela aumente a vantagem no topo do ranking.

Vitórias sobre três campeãs de Slam e saque fazendo a diferença

Sem perder sets ao longo da semana, Barty passou por três campeãs de Grand Slam ao longo do torneio. A australiana eliminou Victoria Azarenka, Barbora Krejcikova e Angelique Kerber. Em todos esses jogos, assim como na final deste domingo contra a suíça Jil Teichmann, Barty sacou muito bem. Tanto que em quatro desses oito sets, sequer enfrentou break-points. Até por isso, a tenista muito conhecida por suas variações de altura e peso de bola, com slices e drop-shots, também é capaz de mostrar um jogo eficiente com saque e definição com o forehand.

"Eu coloco muita ênfase no meu treino de saque. Desde quando eu era bem jovem, sempre quis ter um bom saque, para que pudesse confiar tanto meu primeiro quanto meu segundo serviço. É muita prática. Mesmo que eu não seja a jogadora mais alta lá fora, sinto que posso usar meu saque como uma arma e, em seguida, definir a estrutura dos pontos e como quero jogar meu tênis. Nem sempre vou ganhar pontos direto com o saque, mas posso definir a estrutura do ponto e colocá-lo de volta nos meus termos e procurar forehands. Acho que é uma grande parte do meu jogo".

Australiana vai confiante para o US Open em Nova York
"Foi uma semana incrível. Senti que a cada partida estava ficando cada vez melhor na maioria das partes do meu jogo. Hoje contra a Jil sinto que pude realmente confiar em mim mesma e jogar com confiança, pegar a bola, ser agressiva e correr um pouco, o que seria importante em uma final", comenta sobre a tranquila vitória por 6/3 e 6/1 na decisão em Cincinnati. "Eu e minha equipe estamos muito animados por vencido alguns jogos nas difíceis condições aqui de Cincy e isso nos colocou em uma posição muito boa para ir a Nova York".

Dona de dois títulos de Grand Slam, Roland Garros em 2019 e Wimbledon este ano, Barty agora vai em busca de um título inédito no US Open. "Obviamente são condições diferentes, mas amo jogar em Nova York. Amo a cidade e o clima de lá. Mal posso esperar para chegar lá. Já se passaram alguns anos desde que joguei o US Open pela última vez. Estou animada para chegar lá e fazer algumas das minhas coisas favoritas fora da quadra de tênis. E certamente, ter vencido algumas partidas nesta semana faz com que me sinta pronta para jogar em Nova York".

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