Notícias | Dia a dia
Stefani quer incentivar meninas e evoluir em simples
12/08/2021 às 17h18

Stefani espera impulsionar a popularidade do tênis feminino e ainda mira uma carreira vitoriosa em simples

Foto: Mubadala SiliconValley Classic
Mário Sérgio Cruz

Montréal (Canadá) - Medalhista de bronze nos Jogos Olímpicos de Tóquio, Luísa Stefani não teve descanso depois de ter conseguido um resultado histórico para o tênis brasileiro, ao lado de Laura Pigossi no Japão. Stefani já retomou a rotina no circuito, desta vez junto da canadense Gabriela Dabrowski. A parceria já foi finalista no WTA 500 de San Jose na semana passada e também está nas quartas de final do WTA 1000 de Montréal.

Stefani e Dabrowski disputam apenas o terceiro torneio juntas, sendo que elas já haviam sido finalistas nas quadras duras e cobertas de Ostrava, na República Tcheca, no fim do ano passado. Elas se uniram depois que a norte-americana Hayley Carter, parceira habitual da brasileira, sofreu uma lesão no pé e precisa ficar algumas semanas longe do circuito. Até por isso, o rápido entrosamento da parceria foi comemorado.

"Nossos estilos de jogo combinam bastante. Nós duas somos agressivas, ela tem um bom saque, é bastante experiente e também tem uma mentalidade para a dupla. Sabe como jogar e analisar bem o jogo. Também somos muito amigas fora da quadra, acho que isso ajuda bastante", disse Stefani a TenisBrasil, durante o torneio canadense.

+ Medalha pode mudar formação de nossas tenistas
+ Diário de Tóquio: A jornada das heroínas Luísa e Laura
+ Podcast: mãe Alessandra conta saga de Luísa Stefani

Com 24 anos recém-completados na última segunda-feira, Stefani é bastante consciente do quanto seus recentes resultados podem impulsionar a popularidade do tênis feminino no Brasil e está comprometida a trazer mais meninas para o esporte. "Essa é uma das minhas maiores metas e uma das coisas que me fazem mais feliz: Ver que a gente consegue fazer a diferença no tênis brasileiro, principalmente no feminino. E a medalha deu uma visibilidade boa, muita gente começou a me mandar mensagem. Pais dizendo: 'Minha filha vai jogar igual a Luísa'. Eu tenho uma parceira com a Liga Tênis 10 [projeto para crianças de até dez anos], que é super legal. A professora sempre manda mensagem falando das meninas, que elas assistiram e falavam: 'Hoje o treino de voleio vai ser igual ao da Lu'".

 
 
 
 
 
Ver essa foto no Instagram
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Uma publicação compartilhada por Luisa Stefani (@luisastefani)

Brasileira mais bem colocada no ranking de especialistas em duplas, Stefani atingiu nesta semana a melhor marca da carreira, ao ser a número 22 do mundo na modalidade. Mas ela também como objetivo se firmar na elite do circuito de simples. Atualmente, aparece apenas na 803º lugar do ranking e tem como melhor marca a 431ª colocação. Uma fonte de inspiração para ela é a tcheca Barbora Krejcikova, que foi número 1 de duplas há três anos e começou a escalar muito rápido o ranking de simples desde o ano passado. Krejcikova conquistou três títulos de WTA este ano, incluindo seu primeiro Grand Slam em Roland Garros, e já entrou no top 10 do ranking individual. "Só de assistir eu já aprendi bastante com ela. Já joguei contra ela também, espero que e a gente jogue mais vezes. Talvez até a favor, se for possível também no futuro. Mas ela me dá muita motivação e me inspira bastante ver o que ela conseguiu fazer".

Confira a entrevista com Luísa Stefani em Montréal.

Em primeiro lugar, parabéns pela medalha e por esse momento que você está tendo agora, com seu melhor ranking e chegando recente à final em San Jose. Gostaria que você comentasse um pouco sobre esse começo de parceria com a Gaby, foram dois torneios e duas finais. O que fez a parceria dar tão certo e tão rápido?

Primeiro, eu acho que nossos estilos de jogo combinam bastante. Nós duas somos agressivas, ela tem um bom saque, e a gente gosta de jogar na rede. Ela também tem uma mentalidade para a dupla, é bastante experiente, sabe como jogar duplas e analisar bem o jogo.

A gente também é muito amiga fora da quadra, e acho que isso ajuda bastante na química e também na comunicação, de poder falar abertamente o que a gente precisa fazer. E acho que o resto é na quadra, acho que a gente ainda tem muito a melhorar. Eu não acho que a gente chegou perto do nosso potencial ainda. Foi um bom começo, mas acho que a gente ainda tem muito a trabalhar e estou bem animada para ver onde a gente pode chegar.

Quando você conquistou a medalha, você comentou muito sobre o quanto esse resultado pode mudar o tênis feminino no Brasil, no sentido de trazer mais meninas para o tênis. Você é muito comprometida nessa causa, a sua mãe fala muito sobre isso também. E eu quero saber o quanto você acha que pode ser feito depois dessa conquista sua e da Laura e também se ela pode fazer a gente mudar um pouquinho o estilo de jogo das meninas aqui. A gente ainda forma muitas meninas pensando mais no saibro, que fica bem atrás da linha e usa bola mais alta. Se talvez o resultado como o que você e a Laura tiveram pode mudar a formação das meninas aqui?

Com certeza, essa é uma das minhas maiores metas, é uma das coisas que me fazem mais feliz. Ver que a gente consegue fazer a diferença no tênis brasileiro, principalmente no feminino. E a medalha, acho que quem acompanhou pela televisão ou estava perto acompanhou a jornada para chegar até lá. Acho que toda a entrega do time, comigo e a Lau, fez um movimento muito legal com o tênis no Brasil. Deu uma visibilidade boa, muita gente começou a me mandar mensagem. Pais dizendo: 'Minha filha vai jogar igual a Luísa'. Eu tenho uma parceira com a Liga Tênis 10, que é super legal. E a professora sempre manda mensagem falando das meninas, que elas assistiram e falavam: 'Hoje o treino de voleio vai ser igual ao da Lu' e coisa assim. Então acho que esse tipo de coisa, mesmo que seja pequeno, mas em vários lugares do Brasil, ao longo do tempo vai fazer uma diferença.

Hoje depois do jogo eu escutei que a ESPN passou algumas partes. E mesmo que sejam alguns pontos, isso raramente acontece. Raramente a gente vê tênis feminino na TV no Brasil, ou até duplas femininas no Brasil. Eu entendo um pouco a responsabilidade e fico feliz de transmitir um pouco dessa visibilidade. Acho que isso é o começo de onde a gente pode chegar. E principalmente, passar mais torneios de alto nível, que seja Grand Slam ou as Olimpíadas, por causa do nível que a gente jogou lá, para as meninas aprenderem. Eu assisto muito tênis ainda e dá para aprender muito.

 
 
 
 
 
Ver essa foto no Instagram
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Uma publicação compartilhada por Luisa Stefani (@luisastefani)

E acho que a mensagem que eu quero passar é que a gente é igual a todo mundo. Começamos a jogar tênis porque a gente gostava e curtia e agora estamos aqui no mesmo caminho, ainda buscando outros sonhos e objetivos. É possível se você quiser. Acho que essa é a mensagem que eu consegui passar para o Brasil e vou continuar dando o meu melhor para passar essa mensagem para as meninas.

Nessas últimas semanas, você está sendo a Rainha das Viradas no match-tiebreak. Você está conseguindo virar muitos jogos improváveis. Foram quatro match-points contra as tchecas, depois mais quatro contra as russas em Tóquio. Aí em San Jose teve um match-point contra na estreia e 8-5 contra na semi. O quanto isso tá vindo de confiança para você e o quanto isso tá dando força para continuar esse histórico bem positivo nesses jogos apertados?

Muita confiança, com certeza. O tiebreak é um momento que pode ir para qualquer lado, mas eu até falei para a Gabby que eu tô amando os tiebreaks. E lá em Tóquio foi onde isso começou, acho que aqui eu só usei o embalo. É uma das coisas que eu estou tentando fazer nesses outros torneios. As Olimpíadas vão ficando para trás, mas alguns sentimentos que eu peguei na quadra de lá, eu estou trazendo para os outros jogos. Tento usar essas lições, principalmente de como lidar no tiebreak e passar por esses momentos delicados do jogo. E tem dado certo.

E você nunca escondeu que ainda tem objetivos de uma carreira de simples. Tanto você quanto a sua mãe falam bastante disso, ano passado eu entrevistei o Sanjay [Singh, treinador da tenista] e ele também falou disso. O quanto ver uma jogadora igual a Krejcikova, que foi número 1 de duplas lá atrás, e agora está se firmando em simples, ganhou WTA, depois ganhou Roland Garros e agora virou top 10 de simples essa semana... O quanto ver uma jogadora como ela te inspira? Você teve algum contato com ela, principalmente ali depois do pódio, para ter umas dicas?

Não pedi muita dica, mas só de assistir eu já aprendi bastante com ela. Já joguei contra também, espero que e a gente jogue contra mais vezes. Talvez a favor, se possível também no futuro. Mas me dá muita motivação e me inspira bastante ver o que ela conseguiu fazer. Com certeza a dupla está ajudando muito o jogo de simples dela. Tanto na confiança quanto no estilo de jogo. Enfim, ela pegou as oportunidades em simples, ganhou confiança, e uma coisa ajuda a outra. Isso faz ela ser uma jogadora mais completa, porque faz tudo muito bem. E me motiva bastante de voltar a minha carreira de simples e ir subindo aos poucos.

É difícil por causa do calendário, mas acho que é mais uma questão de decisão de quando eu decidir focar em simples ou pelo menos fazer um calendário que seja viável em simples e duplas para mim. Eu pretendo depois de Indian Wells, que vai ser meu último evento grande de duplas no ano, jogar alguns torneios de simples. Talvez tenham alguns torneios no Brasil que eu possa jogar também e começar a levantar um pouco o ranking para ter a oportunidade de jogar os dois. Acho que quando eu tiver a oportunidade de jogar os dois, vai ser uma questão de agarrar a chance e tentar subir também.

 
 
 
 
 
Ver essa foto no Instagram
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Uma publicação compartilhada por Mubadala SiliconValley Classic (@mubadalasvc)

A Carter vai tentar voltar a jogar agora em Cincinnati, depois da lesão. Você sabe de alguma coisa sobre como ficou a situação dela, se ela não precisou operar, então? Vocês cogitam retomar a parceria num futuro próximo?

Ela teve uma lesão em Wimbledon e pretendia ficar fora o resto do ano. Eu acho que ela ainda queria muito jogar o US Open, se pudesse e se o corpo permitisse. Então agora ela parece estar estável e decidiu jogar esses dois torneios. E então acho que depois disso, vai parar para se cuidar. Mas vou deixar que ela fale mais abertamente quando ela voltar. Mas semana que vem vou me encontrar com ela, mesmo que a gente não vá jogar junto. Estou bem animada para ver ela de perto e conversar como vai ficar a situação.

E só para fechar, você pode falar um pouquinho do jogo de hoje e também do próximo, que pode ser contra a [Elise] Mertens e a [Aryna] Sabalenka, que foram campeãs na Austrália, ou contra as canadenses [Rebecca Marino e Leylah Fernandez]?

Acho que fizemos um jogo muito bom. O segundo set foi acho que o melhor que fizemos até agora. A gente estava bem agressiva, com mais energia e se entendendo um pouco mais. Jogamos mais da maneira como a gente gostaria. E quanto mais jogos a gente fizer, mais a gente vai se entrosar e melhorar. No primeiro set, a gente deu uma caída. Mas ao mesmo tempo, estamos tentando coisas novas e tentando achar uma maneira de jogar para se entrosar. O foco principal é com certeza o US Open e melhorar a cada jogo.

Por um lado é bom que a gente passe por alguns momentos difíceis em todo jogo até agora, mas isso também dá bastante confiança para o próximo jogo que vai ser duro. Se for contra as favoritas, melhor ainda. Já jogamos contra a Mertens e a Sabalenka, perdemos a final de Ostrava ano passado. Não foi um jogo bom da nossa parte naquele dia, mas as condições eram totalmente diferentes. Vamos focar no que temos que fazer, seja contra elas ou contra as canadenses também. A gente tem trabalhado em vários aspectos da nossa dupla e se entrosado cada vez mais. Não importa contra quem seja, vamos tentar fazer o nosso jogo e sermos as mais agressivas na quadra.

Comentários
Loja - camisetas
Suzana Silva