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Livre da depressão, Marino tem maior vitória em 10 anos
10/08/2021 às 09h18

Rebecca Marino fez uma pausa de cinco anos na carreira para tratar da depressão e ansiedade

Foto: Omnium Banque Nationale
Mário Sérgio Cruz

Montréal (Canadá) - A saúde mental no alto nível do esporte nunca esteve tão em evidência como em 2021, após Naomi Osaka e a ginasta Simone Biles falarem abertamente o assunto e deixarem de lado competições importantes para preservar a estabilidade emocional. A jogadora canadense Rebecca Marino é outra atleta que passou por esse tipo de situação e precisou ficar cinco anos longe do tênis, entre 2013 e 2018, por conta de fatores como a depressão e a ansiedade, que foram potencializados por mensagens de ódio que recebia nas redes sociais.

Aos 30 anos e atualmente no 220º lugar do ranking, Marino vai redescobrindo seu amor pelo tênis e conseguiu uma grande vitória na última segunda-feira. Convidada para o WTA 1000 de Montréal, ela derrotou a norte-americana Madison Keys, 26ª do mundo, por duplo 6/3 e obteve a primeira vitória contra top 50 desde 2011. A canadense tem como melhor ranking da carreira o 38º lugar, alcançado dez anos atrás.

"Acho que a decisão de me afastar do circuito naquela época era a coisa certa a se fazer. Sei que algumas pessoas não entenderam, mas estou muito orgulhosa das decisões que tomei, porque isso me fez redescobrir o meu amor e minha paixão pelo esporte. Acho que eu mostro isso quando jogo, ou pelo menos tento mostrar", disse Rebecca Marino a TenisBrasil, durante a entrevista coletiva após a partida.

"Acho que isso também mostra que estou em um espaço mental completamente diferente agora, porque precisei de um tempo para ter certeza de que estava cuidando de mim mesma, me mantendo saudável mentalmente, fisicamente, e depois voltei a jogar quando estava pronta. Sim, estou muito orgulhosa dessa decisão que tomei, assim como estou orgulhosa de quão longe cheguei nessa nova fase da carreira", comenta a canadense, que no início da temporada furou o quali do Australian Open e voltou a disputar uma chave principal de Grand Slam depois de oito anos.

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Mesmo depois de ter voltado ao circuito, há cerca de três temporadas, Marino encarou ainda mais dificuldades. Uma grave lesão no pé a deixou fora das competições por mais um ano e meio, entre julho de 2019 e janeiro deste ano. Além disso, a canadense sofreu com a morte do pai, Joe, vítima de um câncer em abril do ano passado. O pai foi um dos principais incentivadores para que ela voltasse a jogar. Por tudo isso, ela destaca o quanto a vitória sobre uma jogadora do nível de Keys traz a confiança de que está no caminho certo.

"Essa vitória significa muito. Foi uma longa jornada, não apenas da aposentadoria, mas também de uma grave lesão que tive em 2019. Eu sabia que essa teria uma ótima chance de encontrar algumas grandes jogadoras nesse torneio e conseguir algumas vitórias. Keys é uma adversária muito forte com um grande saque e um ótimo forehand. Eu sabia que seria uma partida muito difícil. Mas eu sei que também tenho bons saques e forehands, então eu só tinha que dar o meu melhor. Consegui algumas quebras de serviço e foi isso. Estou muito feliz por ter aproveitado as oportunidades que tive de vencer a partida e animada para a próxima".

Energia da torcida fez a diferença
A canadense também fez questão de agradecer o apoio que recebeu das arquibancadas em Montréal. Ela não disputava a chave principal do torneio há dez anos, embora tenha jogado o quali em 2018. "Acho que vou me lembrar mais da torcida que tive nesta noite. Foi uma experiência elétrica. Eu pude sentir a energia do público desde o momento em que pisei na quadra. Ver alguns rostos familiares no meu box também, foi muito bom, porque seu sei que todas essas pessoas sempre me apoiaram. Eu acho que é isso que vou levar desse jogo, a energia da torcida".

Duelo com Badosa na próxima rodada
O próximo jogo de Marino em Montréal será contra a espanhola Paula Badosa, 31ª do ranking, e que recentemente chegou às quartas de final de Roland Garros. Badosa estreou no Canadá vencendo a suíça Viktorija Golubic por 6/2 e 6/3.

"Tenho que entrar com a mesma mentalidade e me concentrar apenas no meu jogo, já que eu tenho um estilo que eu consigo jogar melhor quando dito os pontos com o saque e o forehand. Também tenho em mente que eu pertenço a esse nível. Então, em termos de estilo de jogo dela, tenho que pesquisar um pouco mais sobre isso, mas sei que ela teve um bom ano e está vindo com muita confiança. Eu só tenho que fazer o meu melhor para tentar vencer".

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