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'Muitas jogadoras sofrem em silêncio', diz Stephens
04/08/2021 às 15h38

Além de ter bastante experiência no circuito, Stephens também atua no Conselho das Jogadoras

Foto: Mubadala Silicon Valley Classic
Mário Sérgio Cruz

No momento em que se discute bastante o tema da saúde mental no alto nível do esporte profissional, uma tenista que pode falar sobre o assunto com bastante propriedade é Sloane Stephens. Campeã do US Open em 2017 e bastante experiente no circuito, a norte-americana de 28 anos é uma das líderes do Conselho das Jogadoras da WTA e alerta: Muitas tenistas sofrem em silêncio.

A ex-número 3 do mundo e atual 67ª do ranking mantém essa postura até mesmo fora do circuito. No ano passado, durante a fase mais restritiva da pandemia, manteve contato direto com os fãs que estivessem emocionalmente abalados pelas consequências da Covid-19 em suas vidas. A própria Stephens não ficou imune e passou por um momento muito delicado de sua vida pessoal, com duas perdas na família, uma avó e uma tia, por causa da doença.

"Acho que a saúde mental é muito importante. Saúde mental, física, emocional, acho que é tudo muito importante para todos. Acabamos de passar por uma pandemia e a vida tem sido muito diferente e muito difícil. Cada um de nós enfrentou suas próprias lutas e cada um lidou com isso de maneira diferente", disse Stephens a TenisBrasil, durante entrevista coletiva realizada no último torneio de Roland Garros.

"É muito importante poder falar com as pessoas, falar com alguém, mesmo que seja apenas sobre o que você está sentindo ou o que você está passando, porque não é fácil apenas fingir que está tudo ótimo, quando não está. Sabemos que todo mundo sofreu durante o último um ano e meio, por mais que tenha durado a pandemia", explica a vencedora de seis títulos no circuito profissional.

"Então, é sempre importante falar sobre como você está se sentindo e sobre quais mudanças você pode fazer para se sentir melhor e cuidar de si mesmo. É uma prioridade para todos, não apenas para os jogadores de tênis, mas também para vocês que estão lidando apenas com a vida em geral", complementou a jogadora norte-americana.

'Jogadoras precisam apoiar umas às outras', afirma

Stephens também falou aos jornalistas que cobriam o Grand Slam sobre sua participação no Conselho das Jogadoras e da importância de mostrar apoio às colegas do circuito. "Sinto que muitas jogadoras em nosso circuito sofrem em silêncio, e acho que isso não é legal e não é justo, e que devemos abordar o assunto de forma diferente. Obviamente, como eu disse, cada uma lida com as coisas à sua maneira. Mas quanto mais suporte, melhor".

"Acho que não apenas para nós, meninas, devemos apoiarmos umas às outras, mas o circuito pode nos apoiar de diferentes maneiras. Vivemos em um mundo onde existe a internet e as pessoas dizem coisas negativas e que ocupam a nossa mente. Mas nós como colegas precisamos apoiar umas às outras porque, porque obviamente o tênis é super emocional", comenta a tenista, que também já disputou finais em Roland Garros e no WTA Finals em 2018.

"Podemos não concordar com todas decisões que as pessoas tomam em nosso circuito, mas não há razão para que não possamos apoiar nossas jogadoras. E, de novo, posso não ser a melhor amiga de alguém, mas não vou deixar outras pessoas falarem m... sobre elas. Não vou deixar que outras pessoas sejam más ou rudes com as tenistas. Porque é claro que todo mundo está sempre passando por algo que talvez não tenhamos ideia".

Volta ao circuito após lesão no joelho

Nas últimas semanas, Stephens precisou tratar uma lesão no joelho direito. Ela não jogava nenhum torneio desde Wimbledon, mas retornou ao circuito na última terça-feira, estreando com vitória no WTA 500 de San Jose. A norte-americana venceu a compatriota de 19 anos Catherine Mcnally por 6/4 e 6/2, e agora enfrenta nas oitavas compatriota Danielle Collins.

"Eu estava um pouco nervosa. Não tinha certeza de como seria o jogo, estava meio trêmula, então, quando vim para cá, sabia que seria difícil, mas precisava me acalmar e jogar", disse Stephens, que começou perdendo o jogo por 4/0, mas chegou a vencer oito games seguidos na noite de terça-feira. "Acho que quando eu estava perdendo por 4/0, eu percebi: 'Ok, agora é hora de jogar'. Foi um começo difícil, mas fiquei feliz por vencer alguns games seguidos, e virar aquele set e, finalmente fechar a partida. Não jogo aqui há nove anos. Tenho família aqui e muitos fãs aqui. Por isso, fiquei tão feliz com a vitória".

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