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Diário de Tóquio: A jornada das heroínas Luísa e Laura
31/07/2021 às 16h00
Felipe Priante
De Tóquio, especial para TenisBrasil

Uma das primeiras coisas que escutei dos poucos brasileiros privilegiados que estavam neste sábado na quadra 1 do Ariake Tennis Park para acompanhar a história do tênis brasileiro sendo escrita pelas paulistas Luísa Stefani e Laura Pigossi é que tudo parecia ser tirado de um filme. E não tem como discordar, a dupla brasileira foi nossa heroína nessa jornada rumo a uma medalha inédita.

O roteiro deste feito tem quase todos os conceitos do que o antropólogo Joseph Campbell classificou como "A jornada do herói", um conceito narrativo comumente usado em grandes obras cinematográficas.

Começamos pela chamada da aventura, que veio quase que às vésperas da competição, com Luísa e Laura entrando de última hora na lista olímpica e que tira nossas protagonistas do mundo conhecido para o mundo desconhecido que foram os Jogos de Tóquio e o início da transformação das heroínas desta narrativa.

 
 
 
 
 
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A figura do mentor pode ser dividida em três, começando com Eduardo Frick, um dos responsáveis pela inscrição da dupla mesmo quando as chances de classificação pareciam remotíssimas. Os outros dois são Jaime Oncins e Daniel Melo, que comandaram a equipe nacional em terras nipônicas e com certeza foram peças importantes nesta conquista.

Seguimos então para as provações, que começaram desde o sorteio da chave, com uma estreia duríssima contra as canadenses, sétimas favoritas, depois uma virada salvando quatro match-points contra rivais tchecas também duríssimas e então uma vitória sobre as cabeças de chave 4 nas quartas de final.

O próximo passo é aquele momento da provação difícil ou traumática, na qual surge a maior crise da aventura. A derrota na semifinal para as suíças, depois de começarem com tudo, chegando a abrir 4/0 no primeiro set, se encaixa como uma luva neste estágio.

No momento mais adverso da jornada surge o elixir que traz a transformação e inicia a volta por cima. O abraço de Luísa em Laura, o apoio mútuo e a conversa entre elas depois daquela dura derrota se encaixam perfeitamente e colocam nossas heroínas no caminho certo novamente. E então começa o caminho de volta.

A disputa do bronze é a ressureição das nossas heroínas, o último teste no qual elas utilizam todos o conhecimento coletado no decorrer da jornada. E foi exatamente o que fizeram: amadureceram após o revés na semi e voltaram a salvar quatro match-points como nas quartas.

Fica faltando apenas o retorno para casa, mas isso aí são cenas dos próximos capítulos.

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