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Da surpresa ao abraço: como veio nossa 1ª medalha
31/07/2021 às 08h39
Felipe Priante
De Tóquio, especial para TenisBrasil

Tóquio (Japão) - Embora Luísa Stefani e Laura Pigossi tenham mostrado grande confiança desde a vitória de primeira rodada nos Jogos Olímpicos, quando surpreenderam as cabeças de chave 7 Gabriela Dabrowski e Sharon Fichman, poucos acreditavam na chance de uma medalha nas duplas femininas em Tóquio, mas ela veio neste sábado e foi histórica: a primeira do país no tênis.

Tudo começou lá atrás com a inscrição das brasileiras pela CBT, pegando as duas tenistas de melhor ranking no momento. O próximo passo foi, no último dia hábil, a vaga em cima da hora e a correria para falar com as tenistas. “Quando recebemos a ligação que tínhamos entrado, ficamos um pouco histéricas. Eu falei para ela que as últimas seriam as primeiras”, contou Laura.

Esta fala de que “as últimas seriam as primeiras” foi quase que um mantra de Pigossi durante o torneio. O ouro não veio, mas de certa forma ela e Stefani não deixaram de ser as primeiras, no caso as primeiras brasileiras medalhistas no tênis.

A campanha em Tóquio teve não apenas eliminação das cabeças de chave 7 na estreia, mas se seguiu com vitória salvando quatro match-points nas quartas contra a ex-número 1 do mundo Karolina Pliskova e a compatriota Marketa Vondrousova, que está na final de simples, e depois com um triunfo sobre as quartas pré-classificadas Bethanie Mattek-Sands e Jessica Pegula.

O contratempo veio na semifinal contra as suíças Belinda Bencic e Viktorija Golubic. “Infelizmente perdemos na semifinal e foi como se tivesse sido esfaqueada no peito, mas a Lu me ajudou a colocar a cabeça no lugar para competir hoje. Ela simplesmente me deu um abraço quando viu que eu precisava chorar”, contou Pigossi. “Estava tudo bem até o momento que eu falei para ela que a disputa do bronze era só dois dias depois. Foi então que ela disse que precisava chorar”, complementou Stefani.

Depois do abraço e da consolação entre as amigas e companheiras de disputa, a redenção aconteceu na disputa do bronze, quando mais uma vez enfrentaram quatro match-points contra. “Naquela hora só pensamos em como resolver os problemas ali na quadra. Como já passamos por isso nas quartas, acabou que ajudou muito no jogo de hoje, sempre acreditamos que ainda dava", disse Pigossi.

“Era uma confiar na outra e fazer o que tinha que fazer para ganhar”, acrescentou Luísa. A confiança mútua deu mais do que certo, as paulistas conseguiram sair do buraco no match-tiebreak decisivo, transformando um 5-9 em 11-9, numa incrível arrancada que terminou em mais um efusivo abraço das duas, desta vez não para buscar energias positivas e sim para extravasar a mais completa alegria de quem acabara de fazer história.

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