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Diário de Tóquio: Bastidores da cobertura olímpica
29/07/2021 às 15h18

Apesar de restrições, cobertura não difere tanto em relação aos demais torneios

Foto: Felipe Priante
Felipe Priante
De Tóquio, especial para TenisBrasil

Depois de falar um pouco sobre a bolha olímpica e as medidas adotadas pela organização dos Jogos Olímpicos para contornar a pandemia do coronavírus, agora vou contar um pouco sobre como tem funcionado a cobertura para mim aqui de Tóquio, que não muda muito em relação a qualquer outro evento de tênis pelo mundo. Talvez as principais diferenças sejam justamente por causa das restrições olímpicas.

O dia começa no hotel oficial, uma vez que todos os estrangeiros que vieram trabalhar nas Olimpíadas (jornalistas, fotógrafos, membros dos comitês olímpicos nacionais e afins) são obrigados a ficar em um dos hotéis estipulados pela organização. A única exceção fica por parte dos atletas e comissões técnicas, que se hospedam na Vila Olímpica.

No meu caso, como o hotel não tem café da manhã, já entra de novo uma adaptação da bolha. Como não podemos sair livremente pelas ruas, pelo menos não antes de completar 14 dias por aqui, não dá para procurar algo para comer por aí. E isso vale para todas as refeições. Então ou você come no hotel, ou no centro de imprensa, ou em um dos locais de competição.

Há uma pequena brecha para ir até lojas de conveniência próximas para comprar um “bentô” (a tradicional marmita), que é outra possibilidade de alimentação e a que tenho mais usado por aqui. Vale lembrar que estamos sendo monitorados por um aplicativo que rastreia nossa localização, então não vou ser eu que testarei se realmente funciona.

Depois de acordado e alimentado, é hora de sair para o Ariake Tennis Park. Nesse momento as restrições da bolha aparecem mais uma vez, já que não posso pegar táxi ou transporte público, apenas os ônibus oficiais. Passa um aqui na frente do hotel praticamente a cada 1h (às vezes em um intervalo menor, dependendo do horário). Esse ônibus me leva para um terminal de onde chegam e saem todos as linhas e onde pego uma para o tênis.

Ao chegar no complexo, as mudanças viram mais adaptações. Minha temperatura é medida todo dia antes de entrar, a credencial é verificada através de um chip que tem dentro dela e sou obrigado a higienizar as mãos antes de passar pelo detector de metais.

Lá dentro as instalações são como as de qualquer torneio, com uma sala de imprensa digna do tamanho dos Jogos Olímpicos e mesas separadas por divisórias de acrílico (é proibido fotografar o local e novamente vou preferir cumprir as regras). Há também várias TVs  ligadas nas diversas quadras e uma ou outra com o placar dos jogos em andamento.

A sala de imprensa fica ao lado da quadra central e grudada nela está a sala de coletivas, que ainda não foi usada e só será estreada nas rodadas finais. As demais quadras ficam um pouco mais longe e a distância segue a ordem numérica, ou seja, quando maior o número, mais longe fica.

Outro ponto importante no local para todos os jornalistas é a zona mista, por onde todo atleta deveria passar após suas partidas. Às vezes, quando o tenista encara rodada dupla ele avisa que só passará depois do segundo jogo, como aconteceu com Novak Djokovic e Kei Nishikori na última quarta-feira.

Essa zona mista é separada em blocos e os atletas seguem normalmente o mesmo script: começam falando com as emissoras que detêm os direitos de imagem dos Jogos Olímpicos, depois passam pelas agências de notícias, seguem então para a entrevista em inglês com a imprensa geral e por fim falam em sua língua materna com os veículos de seu país. Para quem fala inglês as duas últimas acabam se unindo.

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