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Diário de Tóquio: Tive contato com um contaminado
26/07/2021 às 13h03
Felipe Priante
De Tóquio, especial para TenisBrasil

Depois dos atletas, não há coadjuvante maior nos Jogos Olímpicos de Tóquio que a Covid-19 e todas as preocupações e restrições a respeito da pandemia. O mais claro de todos é a ausência de público, mas há diversas outras limitações para atletas, jornalistas e demais funcionários da organização do evento. Outro ponto importante nessa bolha olímpica são os testes, diários para os atletas. Foi assim que o holandês Jean-Julien Rojer descobriu, nesta segunda-feira, que estava contaminado.

Parceiro de Marcelo Melo no começo da temporada, ele acompanhou a estreia do mineiro com o gaúcho Marcelo Demoliner no sábado e é aí que eu entro na história. Isso porque também estava lá e estava sentado, durante todo o segundo set, três cadeiras para a direita de Rojer e uma fileira à frente, tanto que até troquei algumas palavras com ele em uma conversa que também envolvia o mineiro Bruno Soares, sentado alguns lugares ainda mais à direita do que eu.

Como fiquei o tempo todo de máscara, diferentemente de Rojer, não estou tão preocupado, mas para mim tudo isso vai servir para testar o funcionamento de uma das diversas ferramentas criadas para todos os que estão participando dos Jogos, no caso um aplicativo que todos precisam ter instalado em seus celulares e que monitora sua localização via bluetooth.

Entrei no aplicativo enquanto escrevia essa coluna e por enquanto nada apareceu. Fui conferir então o que seria considerado “contato próximo” para ver se poderiam considerar algo do gênero: “Contatos próximos são aqueles que duram 15 minutos ou mais, com uma pessoa que tem um teste Covid-19 positivo confirmado, dentro de um metro, sem usar máscara facial. Isto é particularmente aplicável quando tal contato acontece em espaços como quartos de hotel ou veículos”. Por essa definição, provavelmente não serei considerado.

Bolha olímpica tem várias outras medidas

Além dos testes diários para atletas, os jornalistas também são testados com frequência. Para entrar no Japão é necessário um exame PCR feito com menos de 72h de antecedência, além de um exame de saliva realizado no aeroporto no momento do desembarque. A imprensa é obrigada a fazer testes de saliva nos próximos três dias e depois com um intervalo de no máximo quatro dias entre eles.

O uso de máscaras é obrigatório em todos os locais, desde as áreas de convivência dos hotéis oficiais, únicas hospedagens permitidas para quem vem de fora, passando pelo transporte oficial, que também é obrigatório para os jornalistas nos 14 primeiros dias no Japão (depois desse período estão liberados para utilizar o transporte público), e indo até os locais de competição. Você só pode tirá-las quando for comer ou beber algo. Presenciei raros casos de pessoas sem máscara e sempre foram chamados a atenção.

Há também um aplicativo a mais que os participantes dos Jogos precisam ter além daquele que monitora seu deslocamento. Este outro serve para cada um preencher diariamente sua condição de saúde, informando temperatura diariamente e se tem algum dos sintomas de Covid-19 listados lá. A temperatura também é medida na entrada do Ariake Tennis Park, onde você também é obrigado a borrifar álcool na mão antes de entrar.

 
 
 
 
 
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Restrições não são problema para Zverev

Em um circuito que já convive com bolhas dos mais diversos níveis desde o começo da temporada, entre elas a do Australian Open, a mais rígida de todas, os tenistas parecem estar acostumados com a situação e levam na boa as restrições. O alemão Alexander Zverev inclusive garantiu que as diferenças são poucas entre aquelas que encarou na ATP e esta das Olimpíadas.

“No circuito eu estou sozinho no quarto, não temos 10 mil pessoas na bolha e isso é a principal diferença. Você praticamente não sente a bolha aqui, vive como se fosse em uma cidade pequena. A única coisa que eu lamento é não poder acompanhar os outros esportes, já que é disso que as Olimpíadas se tratam. Entendo a decisão, mas no fim do dia estamos todos juntos no mesmo lugar, então não sei se pudéssemos ir aos estádios os riscos de contaminação seriam maiores”, pontuou.

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