Notícias | Dia a dia | Wimbledon
Para Barty, não saber da lesão ajudou a ser campeã
12/07/2021 às 15h05

Barty considerou um 'milagre' que ela tenha entrado em quadra para atuar no torneio

Foto: AELTC/Ben Solomon

Londres (Inglaterra) - Depois de classificar como um "milagre" sua participação em Wimbledon, por conta da lesão no quadril que carrega desde Roland Garros, Ashleigh Barty acredita que não saber sobre a gravidade do problema acabou ajudando a conquistar seu segundo Grand Slam de sua carreira. A lesão poderia deixá-la até dois meses sem jogar. Mas como a jogadora já não sentia mais dor durante o torneio e conseguiu vencer sete jogos seguidos, sua equipe só preferiu dar novas informações sobre seu estado físico depois que o título estava garantido.

"Acho que certamente teria sido uma distração. E talvez eu tivesse aquela sensação de medo e de não saber o que poderia acontecer", disse Barty, em entrevista ao WTA Insider. "Talvez também haja um efeito placebo no fato de eu estar dizendo a mim mesma que me sentia ótima, que estava pronta. Eu estava tentando forçar a barra e minha equipe tentava me segurar e diziam: 'Espere, está tudo bem, dê um tempo'".

"Acho o fato deles carregarem esse estresse por mim é outra coisa onde eles são os melhores do mundo. Eles sabem o que é certo para mim como atleta e o que certo para mim como pessoa, porque acho que provavelmente como uma pessoa, eu teria lutado para aceitar isso, mais do que como atleta. Acho que as últimas três ou quatro semanas tem sido incríveis", acrescentou a jogadora de 25 anos.

Australiana reitera a confiança na equipe
A líder do ranking mundial está ciente de que o problema físico pode comprometer sua preparação para os Jogos Olímpicos de Tóquio e também para o US Open, mas reitera a confiança em sua equipe. "Acho que o fato de termos sido capazes de sobreviver fisicamente nos últimos quinze dias foi excepcional. Eu tinha uma equipe incrível de pessoas ao meu redor e confio totalmente neles, por saber que eles fazem todo o possível para me dar confiança no meu corpo. Certamente não tenho medo de minha preparação física. Claro, algumas coisas vão acontecer. Isso é normal. Essa é a vida uma atleta. Mas eu sei que tenho a melhor equipe ao meu redor para me preparar da melhor maneira possível", comentou na entrevista coletiva, logo após a vitória por 6/3, 6/7 (4-7) e 6/3 sobre Karolina Pliskova no sábado.

Tyzzer destaca a preparação da australiana
O técnico Craig Tyzzer falou à imprensa antes da final de Wimbledon e também falou sobre a preparação física da jogadora para os dois últimos Grand Slam. "Acho que nos preparamos muito bem para Roland Garros. Quero dizer, um dos objetivos era ir até lá e jogar fazer bem, como ela fez em 2019. Na verdade, sentia que ela estava na melhor forma que já tinha visto antes de um torneio. O que aconteceu foi uma coisa meio bizarra".

"Já aqui, ela fez uma preparação diferente. Não pudemos ficar tanto tempo na quadra, ela fez muitas reabilitações e recuperou bastante a sua força. Achei que ela jogou bem na estreia, mas não muito na segunda rodada. Na terceira, ela jogou melhor. Ela foi ficando cada vez melhor. Não sabíamos o que esperar vindo aqui e tem sido uma jornada incrível até agora", avalia Tyzzer, sobre as partidas contra Carla Suarez, Anna Blinkova e Katerina Siniakova nas primeiras fases do torneio.

Tyzzer trabalha com Barty há mais de quatro anos e é só elogios à atual número 1 do mundo. "Nada me surpreende com a Ash. Ela é uma atleta incrível. A grama é uma superfície tão diferente e não jogamos nela há tanto tempo, e este é o único torneio da Ash na grama este ano. Ser capaz de jogar com qualidade do que ela tem, mesmo quando as coisas ficam muito difíceis, é uma prova de sua capacidade de lidar com essas coisas".

Comentários