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Barty e Pliskova fazem confronto de estilos na final
09/07/2021 às 17h09

Barty lidera histórico de confrontos contra Pliskova por 5 a 2 e tenta ratificar o domínio do circuito

Foto: Arquivo
por Mário Sérgio Cruz

O domínio de Ashleigh Barty no circuito feminino será colocado à prova neste sábado, quando a australiana decide o título de Wimbledon. Barty acumula a liderança no ranking da WTA e também na corrida para o Finals, que considera apenas os resultados em 2021, além da também ser a jogadora com mais títulos (3) e vitórias (34) na temporada. A australiana será desafiada pela tcheca Karolina Pliskova, ex-líder do ranking e atual 13ª colocada, a partir das 10h (de Brasília).

O encontro entre elas também será um confronto de estilos. Barty é reconhecida por sua variedade de recursos e qualidade na execução dos slices, que quebra o ritmo das adversárias, ao tirar a bola da linha de cintura, além de ter um saque bastante confiável, mesmo não sendo um dos mais rápidos do circuito. Já Pliskova é uma jogadora que encurta os pontos, apostando na potência de seu saque e dos golpes de fundo. A tcheca é a jogadora com maior número de aces no campeonato, 54 ao todo, e venceu 81% pontos jogados com 1º saque em Wimbledon.

Australiana tem 5 a 2 no retrospecto
Barty lidera o histórico de confrontos contra Pliskova por 5 a 2, sendo que dois desses encontros aconteceram em quadras de grama. O primeiro foi ainda em 2012, em um torneio da ITF em Nottingham. A australiana ainda era uma juvenil de 16 anos e venceu a partida. Quatro anos mais tarde, elas voltariam a se enfrentar em Nottingham, já pelo circuito da WTA, e a tcheca levou a melhor. Na atual temporada, houve um duelo equilibrado nas quartas de final de Stuttgart, em quadras de saibro e estádio coberto, e Barty levou a melhor em três sets.

Aos 25 anos, Barty tenta conquistar o segundo Grand Slam de sua carreira profissional. O primeiro aconteceu no saibro de Roland Garros em 2019, duas semanas antes de a australiana se tornar a número 1 do mundo. Já Pliskova, que ocupou a liderança do ranking por oito semanas em 2017, busca seu primeiro título em torneios deste porte. A tcheca de 29 anos já esteve perto de ganhar um Slam, mas perdeu a decisão do US Open de 2016 para Angelique Kerber.

Pliskova voltará ao top 10 e pode assumir o 4º lugar se for campeã
É certo que Barty irá permanecer na liderança do ranking. Ela já assegurou essa condição desde a classificação para a semifinal, acabando com qualquer ameaça por parte da bielorrussa Aryna Sabalenka. Já Pliskova, que passou 230 semanas seguidas no top 10 e perdeu essa posição pouco antes de Wimbledon, está voltando ao sétimo lugar e pode chegar à quarta posição em caso de título. A conquista em Wimbledon vale 2 mil pontos no ranking e um prêmio de 1,7 milhão de libras esterlinas. A vice recebe 1.300 pontos na WTA e 900 mil libras esterlinas.

Barty tenta encerrar jejum australiano de 41 anos

Caso conquiste o título, Barty encerrará um jejum de 41 anos sem conquistas das mulheres australianas em Wimbledon. O título mais recente foi o de Evonne Goolagong em 1980. Barty, aliás, homenageia Goolagong este ano, com um uniforme inspirado na primeira conquista da compatriota, ainda em 1971. Ambas as jogadoras têm ascendência aborígene e são as únicas australianas que conseguiram liderar o ranking da WTA.

Já Pliskova pode se juntar as tchecas Jana Novotna, campeã em 1998, e Petra Kvitova, que conquistou dois títulos, em 2011 e 2014. Maior campeã de Wimbledon, Martina Navratilova é nascida na República Tcheca, mas naturalizada norte-americana, e tem nove conquistas. As duas primeiras, em 1978 e 1979, defendendo seu país de origem. O último título de Navratilova, já como atleta dos Estados Unidos, foi em 1990.

Campanhas em Wimbledon
Barty cedeu apenas um set na trajetória para a final de Wimbledon. Isso aconteceu logo na estreia, contra a ex-top 10 espanhola Carla Suárez Navarro. Na sequência, passou pela russa Anna Blinkova, pelas tchecas Katerina Siniakova e Barbora Krejcikova (atual campeã de Roland Garros). A australiana ainda venceu a compatriota Ajla Tomljanovic nas quartas e a alemã Angelique Kerber, ex-número 1 do mundo e vencedora de Wimbledon em 2018, na semi. Ela passou 9h20 em quadra.

Já Pliskova só foi perder set na semifinal, diante de Aryna Sabalenka. A tcheca também derrotou a eslovena Tamara Zidansek, a croata Donna Vekic, a tcheca Tereza Martincova, a russa Liudmila Samsonova (que vinha de dez vitórias na grama e título no WTA 500 de Berlim). Nas quartas, superou a suíça Viktorija Golubic. Ao longo da campanha, seu tempo em quadra foi de 8h32.

Frases das finalistas

Após a vitória na semifinal, Pliskova já projetou o confronto com Barty e minimizou o histórico negativo. Ela também destaca a variedade de recursos e até mesmo a plasticidade no jogo da australiana. "É uma final. Tudo pode acontecer. Eu sei que ela já tem um título Grand Slam, mas será a primeira final de Wimbledon para ela também. Acho que nós duas temos boas chances e vai ser uma boa partida de assistir também. Vai ser difícil jogar contra ela na grama, por causa de seus slices. Sei que perdi algumas vezes, mas sempre foram partidas difíceis. Nunca joguei uma partida ruim contra ela. É claro que ela faz você sentir que seu jogo é um pouco feio contra o estilo dela, mas tive muitas oportunidades no nosso último jogo".

Barty falou a TenisBrasil durante o WTA 500 de Stuttgart sobre a dificuldade de enfrentar o saque de Pliskova, e mesmo assim criar 19 break-points naquela partida e conseguir quebrar cinco vezes. "Acho que em muitos daqueles break-points, a Karolina jogou um tênis excepcional. Tenho que tirar meu chapéu para ela e entender que ela é uma jogadora de qualidade, está jogando em alto há muito tempo e sabe o que fazer nos grandes momentos. Teria sido bom ter aproveitado as minhas chances um pouco mais cedo, mas você também tem que aceitar o fato de que às vezes isso está fora de seu controle. Ela é uma das melhores sacadoras do circuito e certamente sabe como escapar de situações difíceis usando aquele saque".

Confira o histórico de confrontos entre Barty e Pliskova

2021
Stuttgart - saibro (coberto) - quartas - Ashleigh Barty, 2/6 6/1 7/5
2019
WTA Finals - sintético (coberto) - semifinal - Ashleigh Barty, 4/6 6/2 6/3
Miami - sintético - final - Ashleigh Barty, 7/6(1) 6/3
2018
US Open - sintético - oitavas - Karolina Pliskova, 6/4 6/4
2017
Wuhan - sintético - quartas - Ashleigh Barty, 4/6 7/6(3) 7/6(2)
2016
Nottingham - grama - quartas - Karolina Pliskova, 7/6(2) 7/6(7)
2012
ITF/Nottingham - grama - semi - Ashleigh Barty, 2/6 6/3 7/6(6)

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