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Para Pliskova, mudar a mentalidade deu resultado
08/07/2021 às 19h00

Tcheca acredita que o segredo foi diminuir a pressão pelo 1º título de Grand Slam

Foto: AELTC

Londres (Inglaterra) - De volta a uma final de Grand Slam depois de cinco temporadas, Karolina Pliskova acredita que a boa campanha em Wimbledon é fruto de uma mudança de mentalidade. A tcheca de 29 anos e número 13 do ranking disse que sente menos pressão para conquistar o primeiro troféu em torneios deste porte, e por isso acaba jogando mais solta em quadra. Ela também valoriza as 230 semanas que passou no top 10, antes de perder essa sequência às vésperas do Slam londrino, e acha que esse é um feito muito mais difícil do que encaixar uma sequência de vitórias em um grande evento.

"Este ano, especialmente depois da Covid-19, muitas coisas mudaram", disse Pliskova em entrevista ao New York Times. "Eu não estava jogando tão bem quanto nos últimos dois anos e simplesmente achava que era muito automático estar entre as 10 melhores. Agora posso ver que não é tão fácil estar no topo por tanto tempo e simplesmente aprecio isso".

"Percebi nos últimos dois anos que, mesmo que não vença um Grand Slam, há algumas meninas que conquistam um e depois nunca mais ganham nada. E elas nem estão entre as 10 primeiras do ranking, porque não conseguem manter o nível. Honestamente, eu não sei o que é melhor. E com a idade, aprecio mais o fato de ter conseguido manter o nível por mais tempo. Talvez isso seja ainda mais difícil do que apenas ter duas semanas incríveis uma vez na vida", acrescentou a experiente jogadora, que liderou o ranking por oito semanas em 2017.

A tcheca também comparou sua situação com a da compatriota Barbora Krejcikova, que conquistou recentemente o título de Roland Garros, sendo a número 33 do mundo. "A Krejcikova estava jogando bem, mas não havia nenhuma expectativa para ela, nenhuma pressão. Então em todas as partidas ela não era a favorita. Essa é uma grande diferença: Se você tem que jogar muitos anos como eu, sendo uma das favoritas, sempre tem que responder: 'Este é o seu ano? Este é o seu Grand Slam?'. Então, acho que é uma situação muito diferente".

Virada na semifinal contra Sabalenka

A difícil vitória na semifinal contra Aryna Sabalenka também foi destacada pela tcheca. Ela desperdiçou oito break-points durante o primeiro set e acabou perdendo a parcial com uma dupla-falta. Mas depois disso, não teria mais o serviço ameaçado até o final do jogo e aproveitaria suas duas chances de quebra. "Tive tantas chances no primeiro set e fiquei um pouco frustrada, mas ela estava sacando de forma inacreditável. Depois de perder o primeiro set, pensei que seria muito difícil vencer a partida", disse durante a entrevista coletiva após vencer Sabalenka por 5/7, 6/4 e 6/4 nesta quinta-feira.

"Eu teria que vencer dois sets consecutivos contra uma jogadora que vinha sacando muito bem na temporada e no torneio. Em todas as minhas chances, ela estava disparando saques incríveis. Mas estou muito orgulhosa da maneira como lidei com a situação no segundo e no terceiro set".

Crédito ao treinador Sascha Bajin

 
 
 
 
 
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A tcheca também credita o ótimo torneio ao treinador Sascha Bajin, que está com ela desde o início da temporada. "Para ser honesta, com certeza é graças a ele que estou onde estou agora, porque ele não me pressiona. Ele é super positivo, o que para mim às vezes é difícil de ser", explica a tcheca. "Antes do torneio, o sonho era chegar à segunda semana. Eu nunca pensei em talvez ir para a final. Mas Sascha estava super confiante em mim. Depois da partida, ele falou: 'Eu disse que você iria para a final'. Ainda não consigo acreditar".

"No início do ano eu estava perto de jogar um bom nível. Não é que eu estivesse jogando horrivelmente. Às vezes, você não está fazendo nada de errado e mesmo assim perde, então é importante apenas aguentar firme. Nos treinos, eu estava jogando bem, mas nem tanto nos torneios", explica a tcheca, que tinha apenas 15 vitórias no ano antes de Wimbledon, disputando apenas a final de Roma.

Duelo com Barty na final de Wimbledon
Pliskova enfrenta no próximo sábado a australiana Ashleigh Barty, líder do ranking mundial e que busca seu segundo Slam. Barty lidera o histórico de confrontos por 5 a 2, com uma vitória este ano no saibro de Stuttgart.

"É uma final. Tudo pode acontecer. Eu sei que ela já tem um título Grand Slam, mas também para ela é a primeira final de Wimbledon. Acho que nós duas temos boas chances e vai ser uma boa partida de assistir também. Vai ser difícil jogar contra ela na grama, por causa de seus slices. Sei que perdi algumas vezes, mas sempre foram partidas difíceis. Nunca joguei uma partida ruim contra ela. É claro que ela faz você se sentir um pouco feia contra o estilo de jogo dela. Mas tive muitas oportunidades no nosso último jogo".

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