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Vahaly conta a dificuldade em se assumir no circuito
28/06/2021 às 16h14

Brian Vahaly aposentou-se em 2006.

Nova Jersey (EUA) – No dia do Dia Internacional do Orgulho LGBTQIA+, lembramos a história do americano Brian Vahaly, que alcançou o número 64 no ranking mundial, depois de promissora carreira como juvenil e das quartas de final em Indian Wells, em 2003, superando nomes de peso como Fernando González, Juan Carlos Ferrero e Tommy Robredo. Ele também obteve uma vitória inesquecível sobre o ídolo de infância Michael Chang. Apesar disso, aposentou-se em 2006, depois de 11 anos de carreira, sem um título de ATP, mas vários da categoria Challenger. Ao contrário do que acontece no tênis feminino, em que várias jogadoras assumiram sua sexualidade, Vahaly ficou conhecido por se declarar homossexual, mas somente após parar de jogar.

Em entrevista para o Ubitennis, Vahaly revela o ódio que gerou e a esperança de que sua história abra caminho a outros. "É um ambiente muito conservador. Quando parei de jogar, grande parte de meus amigos desapareceu. Desta forma, pude também me conhecer mais. Foi um processo de autoconhecimento que antes no pude fazer pois o tênis não era um lugar seguro", conta Vahaly. "Se fazia muitas piadas homofóbicas no circuito. Um ambiente muito competitivo e muito masculino. Não se vê nenhuma representação de homossexualidade no circuito, diferentemente do que ocorre com as garotas. Aos 20 anos, eu precisava de tempo para compreender a mim mesmo. Não sentia que no tênis houvesse alguém com quem falar de tudo isso", prossegue o jogador de Nova Jersey.

Durante a carreira profissional, nunca pensou em se abrir. “Talvez tivesse mais liberdade e quem sabe tivesse aumentado minha qualidade de jogo. Mas também sei que durante os anos 2000 me senti muito desconfortável viajando. Em certos países a homossexualidade não era bem recebida. Havia um temor econômico também. Como reagiriam os patrocinadores?", comenta.

Mas 11 anos depois de encerrar a carreira, em 2017 ele revelou pela primeira vez sua condição de homossexual. "Sabia que era importante para mim contar a verdade quando a oportunidade surgisse. Não queria sentir que estava escondendo uma parte de mim. Inclusive, estando já casado, notava que uma parte de mim seguia escondida do mundo esportivo. Depois de ter os meus filhos, as coisas mudaram e senti que tinha que dar um passo adiante", diz.

 
 
 
 
 
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As reações não demoraram a surgir. “Recebi um montão de mensagens negativas, provavelmente umas 1.000, de gente que se sentia muito contrariada pelo fato de homens serem pais e terem filhos. Muito ódio veio em minha direção. Por sorte, já estava preparado para receber esse tipo de mensagens e soube lidar com isso. Mas chegou a ser preocupante ter gente dizendo que sabia onde morava e que levariam meus filhos."

Vahaly gostaria de ver a ATP mais modernizada quanto ao assunto. "Se a ATP fosse mais aberta e aceitasse toda esta realidade em seu discurso, ajudaria muito. No momento, decidiram não fazer isso", diz o americano, conformado.

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