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Final feminina premia carreiras em reconstrução
11/06/2021 às 20h51

Pavlyuchenkova disputa seu 52º Grand Slam e alcança sua primeira final aos 29 anos

Foto: Corinne Dubreuil/FFT
Mário Sérgio Cruz

A final feminina de Roland Garros premia a persistência e busca por novas soluções nas carreiras de Barbora Krejcikova e Anastasia Pavlyuchenkova. Com trajetórias distintas no circuito, a tcheca de 25 anos e a russa de 29 decidem o Grand Slam francês neste sábado, a partir das 10h (de Brasília). Ambas disputam uma inédita final em torneios deste porte e elas nunca se enfrentaram no circuito. A diferença entre as duas no ranking atual é mínima, Pavlyuchenkova é a atual 32ª do mundo, enquanto Krejcikova está no 33º lugar.

Pavlyuchenkova alcança a primeira final aos 29 anos
Considerada um prodígio do tênis desde os 14 anos, Pavlyuchenkova conviveu com enormes expectativas desde cedo, especialmente por ter vencido três títulos de Grand Slam como juvenil. Sua transição para o circuito profissional foi rápida e redeu alguns bons resultados, a começar pelas quartas de final de Roland Garros em 2011. Vencedora de 12 torneios no circuito da WTA e ex-número 13 do mundo, a russa havia parado seis vezes nas quartas em Slam antes dessa campanha até a final em Paris. Ela também possui um respeitável histórico de 37 vitórias contra top 10, uma delas neste torneio, diante da número 4 do mundo Aryna Sabalenka.

Em Paris, Pavlyuchenkova disputa sua 52ª chave de Grand Slam, alcançando uma final pela primeira vez. O recorde anterior pertencia à italiana Roberta Vinci, no US Open de 2015. Na época, Vinci já estava com 32 anos, mas disputava seu 44º torneio deste porte. "O caminho foi longo, com muitos altos e baixos. Eu não esperava chegar à final este ano", disse a russa, na entrevista coletiva após a semifinal de Roland Garros.

"Tive uma transição muito difícil. Eu estava colocando muita pressão sobre mim mesma. Por alguma razão, eu pensei que quando eu tinha 14 ou 15 anos e fui a número 1 do juvenil, que em dois anos eu estaria entre as 10 melhores da WTA. Essa era a minha abordagem e a da equipe que eu tinha. Eles acreditaram em mim, o que foi bom, mas ao mesmo tempo, eu não sabia como lidar com esse tipo de pressão", acrescenta a experiente jogadora, que agora treina com o irmão Aleksandr Pavlyuchenkov.

Por muitas vezes, Pavlyuchenkova reconhece que duvidou de seu próprio potencial. "Tive muitas dúvidas porque estive muito perto da semifinal algumas vezes, mas isso não acontecia. Foram muitos altos e baixos em termos de resultados". Durante sua recente campanha até a semifinal no WTA 1000 de Madri, a russa falou sobre a tentativa de voltar a ser protagonista do circuito.

"Eu estava acostumada a sempre ser uma das mais jovens do circuito. De repente, eu cheguei a um ponto em que eu não pertencia mais àquele grupo. E eu me senti um pouco perdida. Eu não sabia se seria capaz de vencer jogadoras do top 10 ou do top 20 de novo. Nesse momento, já não penso tanto no ranking, mas quero ganhar títulos de novo. Quero enfrentar as melhores do mundo e mostrar que eu também pertenço a esse grupo".

Ex-número 1 de duplas, Krejcikova rejeita rótulo de 'especialista'
Já Krejcikova está invicta há 11 partidas no saibro e venceu 13 dos últimos 14 jogos que disputou no piso. Há duas semanas, venceu seu primeiro WTA em simples em Estrasburgo. Mas seus primeiros momentos de destaque foram no circuito duplas, com as conquistas de Roland Garros e Wimbledon em 2018, ao lado da compatriota Katerina Siniakova. As tchecas, aliás, estão novamente na final em Paris e encaram Bethanie Mattek-Sands e Iga Swiatek no próximo domingo. Em caso de vitória, Krejcikova reassume a liderança no ranking da modalidade, posto que já ocupou por 12 semanas. A tcheca rejeita o rótulo de 'especialista em duplas', mas reconhece o valor da modalidade para seu crescimento profissional.

"Acho que o jogo de duplas me ajuda muito, porque eu posso disputar mais partidas, sacar mais vezes e volear mais vezes. Tudo isso é importante para o jogo de simples também. E eu também pude jogar mais torneios grandes, disputar finais, jogar com torcida... E todas as experiências me ajudaram a jogar bem menos nervosa. Eu amo jogar duplas, e também duplas mistas. Eu amo jogar tênis, é o que eu sempre quis e fico muito feliz por estar aqui", disse Krejcikova a TenisBrasil após vencer o WTA 250 de Estrasburgo, há duas semanas, quando conquistou seu primeiro título de simples.

Já durante Roland Garros, ela falou em entrevista coletiva sobre por que a ideia de classificá-la como 'duplista' nunca foi a ideal. "Eu realmente nunca quis ser uma especialista em duplas. As pessoas apenas colocaram esse rótulo em mim porque venci dois Grand Slam com 22 anos. Mas senti que não queria ser uma especialista em duplas com essa idade. Eu queria jogar simples, queria trabalhar muito e melhorar meu jogo. Eu queria enfrentar as melhores jogadoras de simples. Então, eu estava trabalhando duro o tempo todo e tentei ser paciente, o que não é bem meu estilo (sorrindo), mas senti que mais cedo ou mais tarde eu chegaria lá e teria a chance de jogar com todas essas jogadoras importantes".

Campeã de Wimbledon foi mentora da tcheca

Por diversas vezes ao longo de sua campanha em Roland Garros, Krejcikova fez questão de valorizar uma pessoa fundamental para sua carreira, Jana Novotna, ex-número 2 do mundo e campeã de Wimbledon em 1998. Novotna foi mentora e uma das primeiras treinadoras da tcheca, viajando com ela para os torneios de menor premiação do circuito profissional no início da carreira de Krejcikova. A ex-jogadora profissional faleceu vítima de um câncer em 2017 aos 49 anos.

"Cada vez que eu entro em quadra, eu sempre penso nela. Estou sempre imaginando o que ela me diria depois de todas essas vitórias", disse Krejcikova a TenisBrasil, após sua vitória nas quartas em Paris. "Recebo muito apoio da família e dos amigos dela. Sei que como eles a conheciam muito bem, acho que eles podem me dizer as palavras que ela diria. Eu sinto que ela sempre soube que eu poderia jogar neste nível. Ao mesmo tempo, é triste que isso não tenha acontecido antes... "Eu acho que ela iria apenas me dizer que está muito orgulhosa. É o que acho que ela faria. E ela estaria extremamente feliz. Ela estaria pulando e gritando. É assim que me lembro. Isso é realmente o que ela fazia quando eu jogava os ITF e quando eu ganhava um título de ITF. Acho que talvez fosse ainda maior agora".

Campanhas em Roland Garros
As duas finalistas eliminaram integrantes do top 10 na terceira rodada em Paris, Krejcikova superou Elina Svitolina, enquanto Pavlyuchenkova foi algoz de Aryna Sabalenka. Ambas também passaram por campeãs de Slam nas oitavas, a tcheca tirou Sloane Stephens, e a russa derrotou Victoria Azarenka.

Nas quartas, Krejcikova passou pela promessa norte-ameircana Coco Gauff e depois salvou match-point na batalha de 3h18 contra a grega Maria Sakkari. Com isso, ela chega à decisão com 11h40 em quadra durante o torneio. Já Pavlyuchenkova fez valer sua experiência contra as jovens Elena Rybakina nas quartas e Tamara Zidansek na semi. A russa atuou por 10h50 ao longo da competição.

Quanto vale o título?
O prêmio da campeã será de 1,4 milhão de euros, com 2 mil pontos no ranking da WTA. A vice recebe 750 mil euros e fica com 1.300 pontos. Krejcikova está saltando para o 21º lugar e pode assumir a 15ª posição se for campeã. Já Pavlyuchenkova voltará ao top 20 pela primeira vez desde janeiro de 2020. Em caso de título, assume o 14º lugar, uma posição abaixo do melhor ranking da carreira.

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