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Trabalhadora, Pavlyuchenkova não esperava final
10/06/2021 às 18h30

Pavlyunchenkova atingiu sua primeira final de Grand Slam aos 29 anos

Foto: Corinne Dubreuil/FFT
Mário Sérgio Cruz

Paris (França) - Finalista de um Grand Slam pela primeira vez aos 29 anos, Anastasia Pavlyunchenkova relembrou o longo caminho percorrido até a decisão de Roland Garros. Considerada um prodígio do circuito juvenil desde os 14 anos, a experiente jogadora conviveu com enormes expectativas desde cedo. Vencedora de 12 torneios no circuito da WTA e ex-número 13 do mundo, a atual 32ª do ranking reconhece que não esperava chegar à final nesse momento da carreira, mas que nunca faltou trabalho duro por parte dela e de sua equipe.

Pavlyuchenkova fez história ao alcançar a final de Roland Garros, se tornando a primeira tenista da história a decidir um dos quatro principais torneios do circuito depois de mais de 50 tentativas. A russa disputa em Paris sua 52ª chave de Slam. O recorde anterior pertencia à italiana Roberta Vinci, no US Open de 2015. Na época, Vinci já estava com 32 anos, mas disputava seu 44º torneio deste porte.

"O caminho foi longo, com muitos altos e baixos. Eu não esperava chegar à final este ano. Acho que você não pode esperar essas coisas, mas estava trabalhando duro e fazendo todo o possível. Eu apenas disse a mim mesma: Este ano vamos fazer o que for preciso, qualquer coisa que eu puder para melhorar meu jogo e minha mentalidade. Comecei a trabalhar com um psicólogo esportivo também. Só queria tentar e não me arrependo", disse Pavlyuchenkova, que havia parado seis vezes nas quartas de final de torneios do Grand Slam, sendo a primeira ainda em 2011, também em Paris.

"Foi um longo caminho. Eu tive minha própria longa estrada. Todo mundo tem maneiras diferentes de chegar lá. Estou apenas feliz por estar na final", acrescenta a russa, que reconhece que teve dúvidas se teria condições de voltar às fases finais de torneios. "Tive muitas dúvidas porque estive muito perto da semifinal algumas vezes, mas isso não acontecia. Foram muitos altos e baixos em termos de resultados".

Apesar de nunca ter figurado entre as 10 melhores do mundo, Pavlyunchenkova tem um respeitável histórico de 37 vitórias contra adversárias deste nível. Em Roland Garros, ela derrotou a bielorrussa Aryna Sabalenka, número 4 do mundo e campeã em Madri durante a temporada de saibro. Mesmo se for campeã em Paris, a russa sequer iguala seu melhor ranking, atingindo no máximo o 14º lugar.

"Eu sentia que poderia vencer essas jogadoras, mas me faltava consistência. Algo está sempre errado. E era difícil lidar com isso. Esses pequenos quebra-cabeças não estavam se encaixando o tempo todo. Acho que sim, talvez eu também tivesse muitas expectativas com as quais não pude lidar ao longo dos anos", complementou Pavlyunchenkova, que encara a tcheca Barbora Krejcikova na final do Grand Slam francês.

Favoritismo e jogo abaixo do esperado na semifinal

A respeito da semifinal desta quinta-feira contra a eslovena Tamara Zidansek, 85ª do ranking, a russa teve que lidar com um certo favoritismo diante da jovem rival de 23 anos. Ela também reconhece que não jogou tão bem quanto gostaria. "Foi um pouco mais difícil: 'Ok, estou em uma posição mais alta no ranking', mas para nós duas foi a primeira semifinal. Definitivamente havia muito em jogo. Mas eu tentei ficar focada em todos os pontos da partida, tinha minhas táticas e sabia o que precisava fazer. Então, eu estava tentando ser disciplinada", disse após a vitória por 7/5 e 6/3.

"Não me senti tão bem hoje. Na verdade, senti que era um pouco negativa comigo mesma, porque esperava jogar melhor. Eu simplesmente não sentia que estava jogando bem. Eu não sei por quê. Então, eu não estava gostando muito do jogo. Mas no final do dia você quer ganhar, então você fica lá cada ponto, você está fazendo o que tem que fazer".

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