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Krejcikova se emociona ao repetir semi de Novotna
09/06/2021 às 14h42

Ao alcançar a semifinal, ela igualou as melhores campanhas de sua mentora no tênis

Foto: Corinne Dubreuil/FFT
Mário Sérgio Cruz

Paris (França) - A classificação para a semifinal de Roland Garros foi duplamente especial para Barbora Krejcikova. Além de comemorar o melhor resultado da carreira na chave de simples de um Grand Slam, a tcheca de 25 anos repetiu o feito de sua mentora, Jana Novotna, que também foi semifinalista em Paris nos anos de 1990 e 1996. Novotna foi número 2 do mundo e campeã de Wimbedon em 1998. A ex-jogadora profissional foi uma das primeiras treinadoras de Krejcikova e faleceu vítima de um câncer em 2017 aos 49 anos.

Há duas semanas, Krejcikova havia igualado outra marca de sua mentora, ao conquistar o WTA de Estrasburgo, mesmo torneio onde Novotna comemorou seu primeiro título em 1989. "Eu não sabia disso, sabia de Estrasburgo, mas não daqui. É incrível! É perfeito! Eu sempre penso nela. Cada vez que eu entro em quadra, eu sempre penso nela. Estou sempre imaginando o que ela me diria depois de todas essas vitórias. Ao mesmo tempo, é triste que eu não possa realmente ouvi-la e ela não possa realmente dizer nada", disse Krejcikova a TenisBrasil, durante a entrevista coletiva após a vitória sobre Coco Gauff por 7/6 (7-3) e 6/3 nesta quarta-feira.

"Recebo muito apoio da família e dos amigos dela, e de todos que estavam ao seu redor. Sei que como eles a conheciam muito bem, acho que eles podem me dizer as palavras que ela diria, então é muito útil. Eu sinto que ela meio que sempre soube que eu poderia jogar neste nível e que eu poderia jogar partidas como a de hoje. Mas só é triste que isso não tenha acontecido antes...", acrescentou a tcheca de 25 anos, que também falou sobre o que ela acha que Novotna diria.

"Eu acho que ela iria apenas me dizer que está muito orgulhosa. É o que acho que ela faria. Ela sempre me dizia apenas aproveite, continue. Não importa se você ganha ou perde, você só tem que fazer o seu melhor. Apenas jogue, curta, divirta-se e aprecie que você pode estar aqui e fazer o que ama. É o que acho que ela me diria", afirmou a 33ª do ranking. "E ela estaria extremamente feliz. Ela estaria pulando e gritando. É assim que me lembro. Isso é realmente o que ela fazia quando eu jogava os ITF e quando eu ganhava um título de ITF. Acho que talvez fosse ainda maior agora".

Duelo com Sakkari na semifinal em Paris
Krejcikova enfrenta na semifinal a grega Maria Sakkari, 18ª do ranking. A tcheca lidera o histórico por 2 a 0. "Ela é uma jogadora muito boa, muito atlética e também tem bastante experiência no circuito. Acho que só vai ser mais uma partida difícil. Estou em uma semifinal. Eu só sei que vai ser um jogo difícil. Tenho que me preparar bem e tentar jogar meu melhor tênis. E o mais importante, apenas aproveitar o momento".

Tensão antes do jogo das oitavas contra Stephens
A tcheca também recordou os momentos de tensão que ela sentiu antes do jogo contra Sloane Stephens nas oitavas de final e diz que conseguiu lidar muito melhor com as emoções. "Acho melhor a palavra para descrever era 'pânico'. Eu estava pensando que a Sloane jogou contra as duas Karolinas tchecas [Pliskova e Muchova] e ganhou das duas. E essas meninas têm mais experiência em simples do que eu".

"Eu estava muito preocupada e eu simplesmente achei que não teria chance. Mas para o jogo de hoje eu estava super relaxada e não tive esses sentimentos novamente. Acho que foi apenas um dia difícil e eu precisava tentar superar isso de alguma forma. Para mim, foi útil falar com minha psicóloga e receber boas palavras dela. Quando eu entrei na quadra e começamos a jogar, eu me senti bem. Não sei por que estava entrando em pânico assim".

'As pessoas colocaram um rótulo em mim', disse sobre duplas

Ex-líder do ranking entre as jogadoras de duplas e atual sétima colocada na modalidade, Krejcikova já venceu Roland Garros e Wimbledon nas duplas ainda em 2018, mas nunca se considerou uma especialista no assunto. "Eu realmente nunca quis ser uma especialista em duplas. As pessoas apenas colocaram esse rótulo em mim porque venci dois Grand Slam de duplas com 22 anos. Mas senti que não queria ser uma especialista em duplas com essa idade. Eu queria jogar simples, queria trabalhar muito e melhorar meu jogo. Eu queria jogar contra as melhores jogadoras de simples. Então, eu estava trabalhando duro o tempo todo e tentei ser paciente, o que não é bem meu estilo (sorrindo), mas senti que mais cedo ou mais tarde eu chegaria lá e teria a chance de jogar com todas essas jogadores importantes. Estou muito feliz".

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