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Pavlyuchenkova: 'Convivi com a pressão desde os 14'
08/06/2021 às 18h00

Pavlyuchenkova foi um prodígio do circuito juvenil e conviveu desde cedo com as expectativas

Foto: Nicolas Gouhier/FFT

Paris (França) - Bastante experiente no circuito, a russa Anastasia Pavlyuchenkova atinge pela primeira vez uma semifinal de Grand Slam em Roland Garros. Atual 32ª do ranking aos 29 anos, Pavlyuchenkova precisou conviver com a pressão e expectativas desde muito cedo, já que foi número 1 do ranking juvenil e ganhou três Grand Slam na categoria. Além disso, em sua transição para o tênis profissional, ela também chegou a ter bons resultados, incluindo as quartas de final em Paris ainda em 2011. Mais madura, a russa relembrou sobre a trajetória que teve até se firmar na elite do tênis.

"Eu só posso falar por mim. Não sei como os outros lidam com isso. Mas tudo depende do seu ambiente, de sua equipe e das pessoas que o cercam. Falando por mim, foi uma transição muito difícil. Eu estava colocando muita pressão sobre mim mesma porque, por alguma razão, eu pensei que quando eu tinha 14, 15 anos e fui a número 1 do juvenil por dois anos, ganhando quase tudo, pensava que em dois anos eu estaria entre as 10 melhores profissionais. Essa era a minha abordagem e a da equipe que eu tinha. Eles acreditaram em mim, o que foi bom, mas ao mesmo tempo, eu não sabia como lidar com esse tipo de pressão", disse Pavlyuchenkova, durante sua entrevista coletiva.

"Era muito peso nos meus ombros. Quando eu não estava conseguindo ter bons resultados, eu ficava super deprimida. Para mim foi o pior momento. Eu não estava gostando. Cada vez que eu entrava em quadra, por algum motivo, eu sentia como se eu tivesse a obrigação de vencer. Eu também tive uma campanha incrível em 2009, durante Indian Wells. Eu tinha apenas 17 anos. Isso também foi muito difícil de lidar depois. Você precisa ter um bom ambiente e as pessoas certas ao seu redor que vão realmente te apoiar e explicar as coisas", acrescenta a russa, que faz 50ª participação na chave principal de um Grand Slam.

Russa tenta voltar a ser protagonista no circuito
Pavlyuchenkova tem 12 títulos no circuito e já chegou a ser 13ª do ranking ainda em 2011. Sua conquista mais recente foi no saibro de Estrasburgo em 2018. Há pouco mais de um mês, ela foi semifinalista do WTA 1000 de Madri e comentou sobre a busca que tem para tentar voltar a ser protagonista. "Eu estava acostumada a sempre ser uma das mais jovens do circuito. Tudo estava na minha frente e eu vencia jogos de forma consistente. Tudo bem que eu não era top 10, mas eu pensava: Talvez não nessa semana, mas na próxima".

"De repente, eu cheguei a um ponto em que eu não pertencia mais àquele grupo. E eu me senti um pouco perdida. Eu não sabia se seria capaz de vencer jogadoras do top 10 ou do top 20 de novo. Você começa a duvidar de si mesma", disse a russa, na época. "Eu não queria parar, então só me certifiquei de fazer as coisas certas que em algum momento o resultado iria aparecer. Já estive nesse nível há muito tempo, eu já fui uma top 20. Nesse momento, já não penso tanto no ranking, mas quero ganhar títulos de novo. Quero enfrentar as melhores do mundo e mostrar que eu também pertenço a esse grupo".

Vitória sobre Rybakina nas quartas de final
Pavlyuchenkova vem de uma difícil vitória sobre a cazaque Elena Rybakina por 6/7 (2-7), 6/2 e 9/7 em 2h33 de partida. Apesar de o confronto ter sido inédito, a russa sabia o que esperar, já que atua ao lado de Rybakina nas duplas em Paris. "O jeito que ela começou não me surpreendeu, porque obviamente eu assisti as partidas anteriores e nós duas já treinamos muito juntas. Então eu meio que esperava que isso pudesse acontecer, que ela fosse sacar muito forte e jogar duro. Então, a única coisa que você pode fazer é aguentar. E foi isso o que eu fiz. Eu acreditei em minhas chances, acreditei no meu jogo. Eu sei que sou uma lutadora, então tive batalhar até o fim", comenta a russa, que agora enfrenta a eslovena Tamara Zidansek.

Reação contida no fim do jogo
Apesar de romper uma barreira incômoda em sua carreira, já que havia parado seis vezes nas quartas em Grand Slam, Pavlyuchenkova teve uma reação contida em quadra, ciente de que ainda tem muito trabalho a ser feito. "Eu sempre quis estar na semifinal, muito antes do que hoje, mas agora eu tive uma reação mais neutra. Claro que estou feliz, mas sinto que estou fazendo meu trabalho e que ainda há partidas a percorrer e muito trabalho a ser feito. Então, eu apenas estou tentando aproveitar o momento tanto quanto eu posso, mas não dando tanta importância agora".

A russa também se lembrou da derrota sofrida para a italiana Francesca Schiavone nas quartas de final de 2011 em Paris. "É difícil me lembrar do que eu sentia há 10 anos, mas nunca vou me esquecer daquele jogo. Eu tinha 6/1 e 4/1 contra Schiavone. Eu era muito jovem e não sabia como lidar com isso. Eu penso que foi minha primeira vez nas quartas de final em um Grand Slam. Diria que estou completamente diferente. Estou muito feliz também agora e me sinto mais madura. É um bom momento".

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