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Para Zidansek, a carreira é como construir uma casa
08/06/2021 às 16h55

Aos 23 anos, Zidansek faz o melhor resultado da carreira em Roland Garros

Foto: Jimmie48/WTA

Paris (França) - Semifinalista de Roland Garros, a eslovena Tamara Zidansek acredita que a evolução de sua carreira se deu de forma lenta e gradual, sem grandes saltos antes da ótima campanha em Paris. A eslovena de 23 anos e número 85 do mundo ainda não tem títulos de WTA e sequer havia passado de uma terceira rodada em Grand Slam. 

No entanto, Zidansek vem em uma crescente ao longo da temporada, tendo disputado uma final em Bogotá e furado os qualis de Roma e Madri, onde deu trabalho para a número 1 do mundo Ashleigh Barty. Já em Roland Garros marcou sua primeira vitória contra top 10, diante de Bianca Andreescu, e venceu nomes que vinham de bons resultados no piso, como a romena Sorana Cirstea nas oitavas e a espanhola Paula Badosa nas quartas. Ela agora faz o melhor resultado de seu país em torneios deste porte. 

"A minha carreira sempre foi progredindo lentamente, foi como construir uma casa. Nunca foi como se eu tivesse feito um grande resultado já com 16 anos. Tive que trabalhar por tudo, então acho que isso meio que criou um terreno sólido para eu ser capaz de não ter decepções", disse Zidansek, em sua entrevista coletiva.

"Eu sabia antes de Roland Garros que estava treinando muito bem. Estou em boa forma, e tive boas oportunidades de jogar muitas partidas, como por exemplo contra a Barty em Madri. Isso me ajudou muito a ter a confirmação de que eu posso jogar bem. Eu estava me sentindo muito bem. Só estou tentando pensar jogo a jogo, na verdade, e apenas tentando mostrar o meu melhor tênis".

Batalha contra Badosa nas quartas de final

Para superar Badosa nesta terça-feira, Zidansek precisou lutar por 2h26 e venceu por 7/5, 4/6 e 8/6. Ela precisou escapar de três break-points no penúltimo game da partida, antes de quebrar o serviço da espanhola na sequência. "Naquele ponto você apenas luta pela sua vida, eu acho. Eu só sabia que tinha que continuar sendo agressiva. Então, eu diria que minha mentalidade foi manter o foco e ser agressiva. Eu sabia que poderia causar muitos danos com meu forehand, mas precisava estar na posição certa. É exatamente isso o que consegui fazer".

"É difícil absorver assim tão rápido que estou na semifinal. Mas estou apenas tentando me concentrar no meu jogo e em mim mesma. Falando sobre os nervos hoje, é exatamente o que eu tentei fazer. Claro que era uma grande oportunidade para nós duas de chegar às semifinais, mas eu acho que consegui manter minha compostura hoje um pouco melhor que ela. Mesmo assim, foi uma batalha difícil no final", comenta a eslovena, que agora encara a russa Anastasia Pavlyuchenkova.

Eslovena bateu Andreescu na estreia
Ao recordar da difícil vitória contra Andreescu na estreia, quando a canadense chegou a sacar para o jogo, Zidansek também destacou a confiança adquirida para a sequência do torneio. Na segunda e terceira fases, ela passou por Madison Brengle e Katerina Siniakova. "Vencer a primeira rodada me trouxe muita confiança. Mas antes do torneio eu já estava jogando bem, especialmente no saibro. Se aquele foi o momento que as coisas começaram a se encaixar? Eu não sei. Mas continuei pensando jogo a jogo. Cada dia é um capítulo para novo e espero continuar fazendo o meu melhor".

Zidansek estuda psicologia e tem profissional da área na equipe

Fora das quadras, Zidansek é estudante de psicologia e tenta aprimorar seus conhecimentos sobre o lado mental do jogo. Em Paris, contou com a presença de um profissional da área em sua equipe desde o início do torneio. "Estava só com meu treinador e meu psicólogo. Depois, chegou mais uma pessoa para ajudar na equipe  e algumas pessoas da Associação de Tênis da Eslovênia chegaram hoje. Acho que os meus pais e o namorado virão também. Então isso vai ser bom. É muito bom receber o apoio de todas as partes da minha família, dos meus amigos e da associação de tênis também".

"Eu sempre fui super interessada em saber o que as pessoas pensam e como isso funciona. E isso me ajudou muito. Depois de chegar a esse nível, tudo gira em torno do jogo mental. É sobre acreditar que você pode vencer. Não interessa mais se você pode acertar a bola com mais força ou se você pode correr mais rápido. Ok, talvez você possa melhorar um pouco nisso. Mas também precisa de autoconfiança, tentar se recompor nas situações difíceis e se manter lutando. Isso requer muita preparação mental e muita energia".

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