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Algoz de Serena, Rybakina explica tática bem sucedida
06/06/2021 às 21h12

Rybakina conta que foi importante explorar o backhand de Serena

Foto: Nicolas Gouhier/FFT
Mário Sérgio Cruz

Paris (França) - Algoz de Serena Williams nas oitavas de final de Roland Garros, a cazaque Elena Rybakina destacou o plano tático que traçou para enfrentar a vencedora de 23 títulos de Grand Slam. Rybakina, de 21 anos e 22ª do ranking, conta que se reuniu com o técnico Stefano Vukov para criar uma estratégia em que fosse possível atacar o backhand de Serena e fazer a veterana de 39 anos ter que se mover muito em quadra. Assim, a bola da norte-americana eventualmente viria curta para outro lado da rede, possibilitando à cazaque definir os pontos.

"Estou muito feliz com a partida de hoje. É claro que quando fui para a quadra não esperava nada, mas defini um plano com meu treinador e apenas tentei segui-lo. Funcionou hoje", disse Rybakina após a vitória por 6/3 e 7/5 sobre Serena. "Nós assistimos aos jogos da Serena e tentamos fazê-la jogar mais com o backhand. Como ela bate na bola com as duas mãos e open-stance, fica mais difícil mexer a bola, então tentei atacar deste lado. Às vezes eu estava presa demais ao forehand e perdia muitos pontos, porque o forehand ela é muito bom, então é melhor não jogar lá".

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"E, claro, tive que manter o meu saque e variar sim. Esse era o plano, tenta mover e atacar, porque ela também joga de forma agressiva, mas é mais difícil para ela agora, depois que ela teve um bebê e tudo mais. Eu tive apenas que tentar movê-la mais e pegar algumas bolas mais curtas para terminar o ponto. É difícil seguir um plano. É por isso que o meu treinador está ajudando, porque ele sabe quais são seus pontos fortes e quais não são. Então, esse tipo de comunicação é muito importante", acrescenta a cazaque, que agora enfrenta a russa Anastasia Pavlyuchenkova, que é sua parceira de duplas.

Embora seja uma jogadora de muita potência nos golpes, Rybakina não foi tanto para o risco e terminou a partida com 21 winners e apenas 13 erros não-forçados. Serena anotou 15 bolas vencedoras e cometeu 19 erros. "Como eu sou alta, eu batia forte e rápido na bola. Mas é claro que antes eu cometia muito mais erros e tomava muito mais decisões erradas. Então, estou tentando trabalhar nisso. Mas sempre foi assim. Eu estava batendo forte, e essa é a minha vantagem".

Apesar de toda sua admiração por Serena, Rybakina preferiu não exibir suas emoções após o jogo. "Todo mundo ri das minhas reações, para ser honesta, mas para mim é muito mais fácil assim não mostrar nenhuma reação. Eu sou uma pessoa muito calma. Mas é claro que fiquei super feliz, eu acreditava que poderia vencer. Eu só tento esquecer esta partida agora e continuar concentrada para a próxima".

Cazaque teve um ótimo 2020, mas não vinha bem este ano
Rybakina teve uma ótima temporada de 2020, disputando cinco finais de WTA, mas nunca havia chegado tão longe em um Grand Slam, como acontece agora. Antes de Roland Garros, ela só tinha oito vitórias em 2021 e não vencia duas seguidas desde janeiro em Abu-Dhabi.

"Acho que talvez pudesse acontecer até antes, porque eu tive uma boa temporada no ano passado. Além disso, eu estava me sentindo bem no começo do ano. Eu estava sentindo que talvez estivesse pudesse chegar à segunda semana de um Grand Slam. Só que depois que eu tive alguns problemas de saúde e foi difícil administrar tudo. Mas o mais importante é ser saudável e ter tempo para treinar e me preparar para os torneios, então é isso que nós fizemos agora".

A cazaque preferiu não dar detalhes sobre seus recentes problemas de saúde. "Eu realmente não quero falar muito sobre isso, mas posso dizer que não foi fácil, como não é para ninguém. Acho que depois de uma quarentena rígida que tivemos na Austrália, senti esses problemas de saúde, que talvez eu já tivesse no passado, mas senti muito mais agora. Foi muito duro passar 14 dias no quarto, sem ar. Mas estou me sentindo muito melhor e trabalhando fisicamente. Estou bem agora".

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