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Mari Osaka: 'Naomi queria focar apenas no tênis'
30/05/2021 às 21h05

Mari Osaka, irmã mais velha de Naomi, encerrou sua carreira profissional este ano

Foto: Arquivo

Paris (França) - A polêmica envolvendo a decisão de Naomi Osaka de não participar das entrevistas coletivas obrigatórias durante Roland Garros ganhou um novo capítulo na noite deste domingo. Depois que a jogadora foi multada em US$ 15 mil pela organização do torneio por não falar à imprensa depois de sua primeira partida em Paris, e ameaçada de punições mais severas, a irmã mais velha Mari Osaka deu um contexto maior sobre a situação. Ela fez uma longa postagem na rede social Reddit sobre o assunto.

Segundo Mari, que é ex-tenista, a atual número 2 do mundo estava bastante incomodada com a quantidade de perguntas que recebeu sobre seu histórico negativo no saibro durante os WTA 1000 de Roma e Madri nas últimas semanas, e que isso teria abalado sua confiança e sua saúde mental. Dessa forma, a solução encontrada seria evitar falar para poder focar só no tênis. Osaka já foi alertada pela organização do evento que novas sansões podem chegar à desclassificação do torneio e até mesmo a suspensão nos próximos Grand Slam.

Acompanhe o comunicado de Mari Osaka:

"É um pouco difícil para mim ver todas essas opiniões diferentes de todos e não ser capaz de compartilhar o lado de Naomi. Ela é péssima em explicar suas ações na maior parte do tempo e está jogando um Grand Slam. Então, há ainda menos chance de que ela pare para pensar e explicar algo que ela não queria nem pensar. No momento, ela quer se concentrar apenas em suas partidas e no torneio", escreveu Mari, que encerrou nesta temporada sua carreira no circuito aos 24 anos.

"Naomi mencionou para mim antes do torneio que um membro da família veio até ela e comentou que ela é péssima no saibro. Em cada entrevista coletiva, ela é lembrada que tem um histórico ruim no saibro. Quando ela perdeu na primeira rodada em Roma, não estava bem mentalmente. Sua confiança foi completamente abalada e eu acho que as observações e opiniões de todos subiram à sua cabeça e ela mesma acreditava que era péssima no saibro. Isso não é verdade e ela sabe que, para se sair bem e ter uma chance de ganhar Roland Garros, ela terá que acreditar que pode. Esse é o primeiro passo que qualquer atleta precisa fazer, acreditar em si mesmo", comenta a ex-jogadora profissional.

"Portanto, sua solução foi bloquear tudo. Nada de falar com pessoas que vão colocar dúvidas em sua mente. Ela está protegendo sua mente, por isso que falou em 'saúde mental'. Muitas pessoas são exigentes com este termo pensando que você precisa ter depressão ou algum tipo de transtorno para poder usar o termo saúde mental", acrescentou Mari, argumentando a escolha pelo termo utilizado pela irmã mais nova.

"Não sei o que ela vai fazer no futuro, especialmente porque o torneio está ameaçando desclassificá-la, mas apoio totalmente as ações da minha irmã porque ela está apenas tentando fazer o que é melhor para ela. Os tenistas não são pagos para darem entrevistas coletivas. Eles só são pagos quando vencem suas partidas", afirmou a japonesa, que atingiu a 280ª posição do ranking de simples e atuou algumas vezes ao lado da irmã em competições de duplas.

Mari Osaka também respondeu à afirmação dos organizadores do torneio de que as regras devem ser iguais para todo mundo. "Existe o argumento de que ela pode faltar às entrevistas, enquanto os outros não. Mas e se eles quiserem e ela estiver abrindo precedentes para que eles possam fazer o mesmo no futuro? Quando perdi a minha partida em Miami, tive que dar uma entrevista coletiva logo depois e desabei na sala, fiquei chorando. Foi constrangedor. Alguns jogadores podem suportar isso e outros não".

"Obrigada a todos que reservaram um tempo para ler meus pensamentos, espero que isso dê mais clareza para aqueles que sentem a necessidade de julgar os outros com severidade quando eles não seguem o que está escrito no livro de regras".

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