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Histórica semi de Bellucci em Madri completa 10 anos
07/05/2021 às 10h09

Bellucci venceu quatro seguidas, incluindo os top 10 Andy Murray e Tomas Berdych, e só parou em Djokovic

Foto: Arquivo
por Mário Sérgio Cruz

Um resultado histórico para o tênis brasileiro completa dez anos nesta sexta-feira. Em 7 de maio de 2011, o paulista Thomaz Bellucci disputava uma inédita semifinal de Masters 1000 no saibro de Madri. Bellucci venceu quatro jogos seguidos naquela semana, com destaque para os triunfos consecutivos contra os top 10 Andy Murray e Tomas Berdych, e só seria superado pelo então número 2 do mundo Novak Djokovic. Do outro lado da chave, estavam duas lendas do esporte, Roger Federer e Rafael Nadal, que se enfrentariam na semifinal do torneio. 

Então com 23 anos, Bellucci ocupava o 36º lugar do ranking mundial e tentava se reaproximar da melhor marca de sua carreira, a 21ª posição, alcançada na temporada anterior. O canhoto de Tietê estava em sua primeira temporada com o técnico Larri Passos, o mesmo que levou Guga ao tricampeonato de Roland Garros.

"Em 2011, eu estava fazendo uma temporada regular. Nada muito especial, nada fora da curva, mas naquele torneio eu subi muito o nível", disse Bellucci, em depoimento inédito a TenisBrasil. "Foi um pouco surpreendente, porque eu não estava vindo de resultados muito expressivos, mas naquela semana eu tive um desempenho muito acima do que eu estava conseguindo".

A melhor campanha de Bellucci na temporada de 2011 até então havia sido uma semifinal no ATP 500 de Acapulco, que na época era disputado  no saibro. Durante o torneio mexicano, ele conseguiu sua primeira vitória contra top 10, diante do espanhol Fernando Verdasco. Já na semana anterior ao Masters 1000 espanhol, o paulista havia parado nas quartas de final do ATP 250 do Estoril, superado pelo uruguaio Pablo Cuevas.

A estreia de Bellucci em Madri foi contra o espanhol Pablo Andújar, então 48º do ranking, e ele venceu por 6/4 e 6/2. Na sequência, enfrentou o alemão Florian Mayer, 30º colocado, e liderava a disputa por 6/7 (5-7), 6/3 e 3/0 antes de o rival abandonar a disputa por problemas físicos. A explicação oficial, segundo a ATP, foi 'fadiga'. Com isso, ele alcançava as oitavas de final e tinha a oportunidade de enfrentar o número 4 do mundo Andy Murray. 

Grande atuação contra Murray nas oitavas

Bellucci teve uma grande atuação diante de Murray e venceu o britânico por 6/4 e 6/2. "Acho que nas duas primeiras rodadas, eu tive dois jogos relativamente difíceis e cheguei para jogar com o Murray com confiança. Por mais que ele fosse um grande jogador, eu estava confiante e acreditava que poderia fazer um bom jogo. No saibro, eu sempre tive muita confiança", acrescentou o experiente tenista, que atualmente está 33 anos e segue em atividade no circuito, ocupando o 325º lugar do ranking. "Naquele dia, eu e o Larri estruturamos bem a nossa tática e foi uma semana que eu joguei muito bem em todas as partidas".

Em 2020, Bellucci também falou a TenisBrasil sobre o duelo com Murray, classificando-o como um dos cinco maiores jogos de sua carreira. "Foi um baita jogo. Eu estava muito bem naquela semana e acabei conquistando vitórias importantes. Até eu fiquei surpreso comigo mesmo, com o nível que eu consegui mostrar em quadra, tanto que a partida foi até relativamente fácil para mim".

Já em declarações da época, o paulista classificou a partida como um "jogo perfeito" de sua parte: "Fui perfeito hoje. Fiz tudo certo. Joguei sólido e consistente, sem ansiedade para definir o ponto. Era a vitória que estava precisando. Eu venho treinando muito duro, fazendo as coisas certas, mas os resultados não estavam acontecendo. Eu e o Larri sabíamos que isso não iria demorar a acontecer e foi justamente o que aconteceu hoje. Esse dia chegou".

Bellucci teve um desempenho perfeito nos break points, aproveitou as três chances que teve e não sofreu quebras de serviço em nenhum momento da partida. O paulista disparou quatro aces e só perdeu sete pontos quando colocou o primeiro serviço em quadra. Ele liderou a contagem de winners por 23 a 14 e cometeu o mesmo número de erros do rival, 21 ao todo. "Sabia que precisava jogar bem e, principalmente, sacar bem. Meu serviço acabou ajudando bastante e acho que isso fez com que ele ficasse um pouco desconfortável, assim como o meu forehand. O segredo foi cometer poucos erros e jogar bem os pontos importantes".

Vitória contra Berdych sem enfrentar break points
Depois de marcar a maior vitória de sua carreira profissional, Bellucci tinha a missão de enfrentar mais um top 10. Ele enfrentou nas quartas de final o tcheco Tomas Berdych, sétimo colocado, e jogador de ótimo saque e de golpes bastante agressivos. Os estilos dos dois tenistas eram ideais para as condições mais rápidas de Madri, em comparação com outros torneios no piso.

Bellucci teve mais uma ótima atuação, especialmente com o saque. Ele disparou cinco aces e não enfrentou break points na vitória por 7/6 (7-2) e 6/3 em 1h34 de partida para atingir sua primeira semifinal de Masters 1000. "Pude jogar o meu melhor tênis de novo. Estou muito feliz e confiante nesta semana", disse o paulista, em entrevista para a ATP na época. "O Berdych é um cara que joga muito rápido e bate reto na bola. E eu tive que ser bastante agressivo e não dar muito espaço para ele", comentou após conseguir 26 bolas vencedoras contra apenas 10 do tcheco. Além disso, Bellucci cometeu menos erros não-forçados, com 27 contra 31 do rival. 

O então número 1 do Brasil comentou sobre as condições favoráveis ao seu estilo. Até hoje, todos os seus quatro títulos de ATP foram em condições parecidas, sendo dois em Gstaad, na Suíça, um em Genebra e outro em Santiago. "As condições aqui são boas para mim. Madri tem um pouco de altitude e meu forehand fica mais rápido aqui. E talvez isso tenha me ajudado na partida"

O técnico Larri Passos também falou na época ao site da CBT sobre a atuação do pupilo. "A vitória é do Thomaz. Dedico a ele todos os méritos. Ele enfrentou dois adversários totalmente diferentes em menos de 24 horas e tive que exigir dele 130% do mental. Ele foi perfeito em todos os planos", afirmou o experiente treinador. Já Bellucci falou à ATP sobre a relação com Larri: "Ele é um cara muito legal, uma ótima pessoa, e me ajuda muito dentro e fora da quadra, é ótimo técnico. Fico muito feliz por trabalhar com ele".

Faltou pouco para derrubar invencibilidade de Djokovic
A campanha até a semifinal já garantia a Bellucci um salto no ranking mundial. Ele estava indo para o 22º lugar com os 360 pontos conquistados e ficaria uma posição abaixo do melhor ranking de sua carreira. Seu adversário na semifinal era o jogador que vinha em melhor fase no circuito, Novak Djokovic.

Apesar de ocupar a vice-liderança no ranking mundial naquela época, Djokovic fazia o melhor início de ano de sua carreira. O sérvio já havia conquistado cinco títulos em 2011, no Australian Open, Dubai, Masters 1000 de Indian Wells e Miami e também em Belgrado e tinha vencido todos os 30 jogos disputados na temporada até então. Caso conseguisse a difícil vitória contra o sérvio, Bellucci ainda teria que enfrentar Federer ou Nadal na decisão do torneio.

Mais uma vez, Bellucci começou o jogo sacando muito bem e confirmava seus serviços sem correr riscos. Ele também foi o primeiro a quebrar, em um game com três erros do sérvio. Firme do fundo de quadra, ele comandou o ponto para definir a quebra a seu favor e liderar por 4/2. Sem ser ameaçado no serviço, fechou o primeiro set por 6/4.

Em bom momento na partida, Bellucci escapou de break points no início do segundo set e também foi o primeiro a quebrar na parcial, chegando a liderar por 3/1. Naquele momento, ele vinha mostrando um tênis consistente do fundo de quadra e agressivo nas devoluções.  Mas Djokovic devolveria a quebra no sexto game, após dois erros seguidos do brasileiro e ganhou confiança. Além disso, o sérvio se aproveitou de algumas bolas mais curtas de Bellucci para assumir o controle dos pontos na reta final do set e conseguir uma nova quebra e empatar partida.

O então número 2 do mundo soube aproveitar o ótimo momento na partida e na temporada para abrir vantagem terceiro set. Bellucci acabou sofrendo uma quebra em um game muito longo no início da parcial decisiva e permitiu que Djokovic abrisse 3/0 e rumasse para a vitória, com parciais de 4/6, 6/4 e 6/1 em 2h10 de partida.

"Sempre acreditei durante todo o jogo que poderia dar a volta por cima e estava certo”, disse Djokovic logo após a partida de 2011. "Ele foi o melhor jogador em quadra por um set e meio e era mais agressivo. Eu me senti muito lento no início da partida e demorei um pouco para realmente entrar no ritmo. Mas quando o fiz, quando consegui aquela quebra crucial, foi muito melhor. Tentei manter a calma e esperar pelas oportunidades, porque acreditava que as teria cedo ou tarde. Elas vieram e desde a primeira quebra comecei a jogar muito melhor".

Djokovic conquistaria o título no dia seguinte, vencendo Nadal na decisão por 7/5 e 6/4. Sua série invicta também se estenderia para o Masters 1000 de Roma, onde ele também foi campeão. A primeira derrota do sérvio no ano de 2011 só aconteceria na semifinal de Roland Garros para Roger Federer, quebrando uma invencibilidade de 41 jogos na temporada e 43 no total.


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