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Barty quer dar exemplo e defende disciplina
22/04/2021 às 08h04

Já vacinada contra a Covid-19, a número 1 do mundo não tem nenhum privilégio e segue as mesmas regras

Foto: Porsche Tennis Grand Prix
por Mário Sérgio Cruz

Stuttgart (Alemanha) - Líder do ranking mundial, Ashleigh Barty aproveita sua posição de destaque na elite do tênis para dar exemplo. A australiana de 24 anos adota um estilo de vida regrado dentro e fora das quadras. E isso se aplica também no contexto da pandemia da Covid-19. Vinda de um país com um rígido controle na transmissão do coronavírus, Barty acredita que o sucesso na experiência australiana se deu não apenas por esforço dos governantes, mas também de toda a população. Já vacinada contra a doença, a número 1 do mundo não tem nenhum tipo de privilégio no circuito e se submete às mesmas regras que as demais jogadoras.

"Na Austrália, nós também passamos por restrições e, como nação, as pessoas estavam cumprindo as regras e isso foi importante para que nós pudéssemos controlar o vírus com sucesso", disse Barty a TenisBrasil, durante entrevista coletiva no WTA 500 de Stuttgart. "No momento, aqui na Europa, eu obedeço às regras que temos no torneio. Esse é o meu trabalho e isso é fazer a coisa certa. Não importa onde eu esteja no mundo, vou respeitar as regras".

"Gosto de fazer a coisa certa e, obviamente, sei que isso me manterá o mais segura possível e me permitirá fazer algo que amo, que é jogar tênis. Então, eu acho que é uma via de mão dupla: Fazemos as coisas certas para que possamos ter a oportunidade de jogar", comenta a australiana, que venceu na estreia a alemã Laura Siegemund por 6/0 e 7/5. Ela agora espera pela vencedora entre a tcheca Karolina Pliskova e a letã Jelena Ostapenko.

Já vacinada, ela continua na 'bolha' dos torneios
Barty recebeu a dose única da vacina da Johnson & Johnson durante o WTA 500 de Charleston, há duas semanas. A organização do torneio, disponibilizou um espaço de imunização para as atletas e suas equipes, beneficiando também seu técnico Craig Tyzzer. Mas antes de se vacinar, a australiana se certificou de que não estaria 'furando a fila' e passando na frente de alguém que necessitasse mais do que ela. A australiana também garante que a decisão não tem a ver com uma eventual obrigatoriedade para disputar os Jogos Olímpicos.

"Não teve impacto. Sempre falei que queria me vacinar se pudesse, mas o fato de termos as Olimpíadas este ano não influenciou", afirma. "Estávamos procurando caminhos diferentes para tentar ser vacinados sem furar a fila na Austrália, antes de partirmos em março. Mas Tyz e eu conseguimos a vacina em Charleston. E da maneira como o sistema de saúde funcionava na Carolina do Sul, era importante para mim saber que não estávamos furando a fila de lá também. Eles organizaram através de uma determinada farmácia que tinha doses extras, e foi importante para mim saber que os mais vulneráveis tomaram primeiro. Então fomos capazes de receber a vacina, assim como muitas outras jogadoras do circuito", explica a australiana sobre a decisão. Lembrando que a duplista brasileira Luisa Stefani também se vacinou em Charleston.

É importante que mesmo as pessoa já vacinadas, como nos casos de Barty e seu treinador, continuem em ambientes controlados no circuito. Afinal, apesar da imunidade às formas mais graves da doença, elas ainda poderiam correr o risco de ter contato com uma carga viral suficiente para contaminar outras pessoas. "Foi bom saber que temos essa pequena camada de proteção. Ainda fazemos as coisas certas e cumprimos todas as regras e diretrizes estabelecidas pela WTA, mas saber que temos um pouco mais de proteção nos deixa um pouco mais à vontade". 

Volta à Austrália só depois do US Open

 
 
 
 
 
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Durante a campanha vitoriosa para o título do WTA 1000 de Miami, Barty sinalizou que talvez não volte à Austrália até o final do US Open, ou talvez até o final do ano. Isso porque, ela ficaria submetida a uma quarentena de 14 dias em hotéis antes de retomar suas atividades. Perguntada por TenisBrasil se ela já estabeleceu uma base de treinamento na Europa, a australiana diz que ainda é cedo para definir, mas aposta em um calendário cheio nas próximas semanas. 

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"É algo que eu nunca fiz antes. Portanto, tudo ainda é um pouco novo para mim. Mas acho que no momento várias partes do mundo, em particular a Europa onde estamos jogando, ainda são bastante voláteis e imprevisíveis com a pandemia", explica a australiana, que depois de Stuttgart vai jogar em Madri, Roma e Roland Garros. Ela venceu o Grand Slam francês em 2019 e não voltou em 2020 para defender o título, que ficou com a polonesa Iga Swiatek.

"Obviamente, quando estamos na bolha, é seguro para nós. É um ambiente seguro para jogarmos. Mas realmente, até Wimbledon, eu sinto que a cada semana estaremos ocupados, o que é bom. Então temos um lugar para ficar até lá. Depois, nós reavaliamos e veremos onde estamos e o que fazer no resto da temporada", comentou a atual líder do ranking.

Como matar a saudade de casa e manter o foco?
Com tanto tempo longe de casa, Barty aposta na tecnologia para se manter perto das pessoas mais queridas. "Sou uma pessoa caseira, adoro estar em casa com minha família. E acho que no momento do mundo que nós vivemos, a tecnologia é incrível e pode nos conectar com quem mais amamos. Então, para mim é bastante simples, eu tento conversar com eles sempre que posso, com a maior frequência possível. Eu amo o que eu faço. Sou extremamente grata pela oportunidade de poder fazer o que amo na atual situação do mundo. Sabe, eu tenho muita sorte de estar na posição em que estou".

 
 
 
 
 
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Para muitos tenistas, as adaptações do circuito em tempos de pandemia representaram um grande desafio para manter foco e a rotina de preparação. A tcheca Karolina Pliskova, por exemplo, falou sobre isso no início da semana. Barty, que ficou mais de um ano sem sair do país, diz encarar a situação de uma forma diferente.

"Certamente não posso comentar por mais ninguém. Cada um tem uma abordagem diferente sobre como administrar sua carreira. Eu não joguei no ano passado e estou muito motivada, determinada e faminta, como sempre estive, e sou extremamente grata por ter oportunidade de fazer o que eu amo, que é enfrentar as melhores do mundo. E toda vez que faço isso é com um sorriso no rosto. Então, tenho que agradecer pela oportunidade que tenho como tenista e como pessoa de fazer o que amo e o que me faz feliz".

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