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Barty e Andreescu farão confronto inédito na final
02/04/2021 às 19h15

Canadense e australiana estão de volta ao circuito após longos afastamentos

Foto: Miami Open
por Mário Sérgio Cruz

Campeãs recentes de Grand Slam e bastante vitoriosas no circuito nos últimos anos, Ashleigh Barty e Bianca Andreescu finalmente vão se enfrentar pela primeira vez. E o inédito confronto entre elas já vai valer mais uma importante conquista, o WTA 1000 de Miami. A decisão está marcada para às 14h (de Brasília) deste sábado.

Líder do ranking mundial, Barty luta pelo segundo título consecutivo em Miami. A australiana de 24 anos foi campeã da última edição do torneio, realizada ainda em 2019, já que o evento do ano passado foi cancelado devido à pandemia da Covid-19. Ela acumula nove títulos no circuito, com destaques para Roland Garros e o WTA Finals de 2019. No início deste ano, venceu um WTA 500 em Melbourne, na semana anterior à do Australian Open.

Andreescu, de apenas 20 anos, é a atual nona colocada no ranking. A canadense também brilhou na temporada de 2019, quando conquistou seus três primeiros títulos em Indian Wells e Toronto, além de seu primeiro Grand Slam no US Open. No entanto, uma lesão grave no joelho esquerdo, sofrida durante o Finals daquele ano, somada a um histórico de outros problemas físicos recentes -no ombro e no pé- e das indefinições do circuito por causa da pandemia fizeram com que ficasse sem jogar durante todo a temporada de 2020 e só retornasse às competições no início deste ano. Este é apenas seu terceiro torneio desde que voltou às quadras.

Barty também ficou praticamente um ano fora do circuito, mesmo sem ter sofrido com lesões. O rígido controle da pandemia adotado na Austrália, que exige uma quarentena obrigatória de 14 dias para todos que chegam do exterior e com restrições para viagens entre diferentes regiões do país, foi um dos motivos para que a tenista não jogasse no segundo semestre de 2020. Com isso, a número 1 do mundo iniciou sua pré-temporada ainda em outubro, de olho no Australian Open. O torneio de Miami é o primeiro que ela disputa fora do país desde fevereiro do ano passado. Ela encarou quase 50h de viagem e sinaliza que só voltará para casa depois do US Open.

Mudança no ranking foi boa para as duas
Tanto Barty quanto Andreescu foram muito beneficiadas pelas mudanças no sistema de pontuação do ranking. Mesmo sem jogar durante tanto tempo, a australiana permaneceu na primeira posição do ranking e a canadense se manteve no top 10. Desde a paralisação do circuito, entre março e agosto do ano passado, a WTA precisou fazer adaptações e adotou temporariamente um sistema de dois anos, considerando os resultados entre março de 2019 e março de 2021.

O descongelamento do ranking começa a ser feito a partir da próxima segunda-feira, dia 5 de abril, respeitando uma série de critérios pré-estabelecidos pela entidade. Até por isso, Barty chegou a Miami com a missão de defender pontos para não ser ultrapassada pela japonesa Naomi Osaka, atual número 2 do mundo.

Barty salvou match point, Andreescu disputou jogos longos

O longo período de inatividade também fez com que as duas jogadoras tivessem que superar jogos difíceis durante as cinco rodadas anteriores no torneio. Logo na estreia, Barty teve que escapar de um match point contra a eslovaca Kristina Kucova, jogadora com a incomum execução do forehand com as duas mãos. A australiana ainda venceu duas campeãs de Grand Slam, Jelena Ostapenko e Victoria Azarenka, e também passou pelas top 10 Aryna Sabalenka nas quartas e Elina Svitolina na semi.

A campanha de Andreescu teve quatro jogos seguidos definidos no terceiro set. E só não foram cinco porque ela escapou de dois set points na primeira parcial de sua partida de estreia, contra a tcheca Tereza Martincova. Na ocasião, apesar da nítida diferença na potência dos golpes, a canadense cometia erros mesmo quando dominava os pontos, o que dificultou a partida.

Dois dias depois, encarou um duelo da nova geração contra a norte-americana Amanda Anisimova e precisou de três sets, sendo dois tiebreaks, e 2h45 de jogo. A canadense, então conseguiu uma virada nas oitavas contra ex-número 1 Garbiñe Muguruza, jogadora com mais vitórias no início do ano, além de derrotar a espanhola Sara Sorribes nas quartas e a grega Maria Sakkari na semi.

Sobram recursos para as duas jogadoras

Outro ponto em comum entre Barty e a Andreescu é o jogo vistoso das duas tenistas, dotadas de muita qualidade técnica e variedade de recursos. A australiana é notadamente reconhecida por seus slices de backhand, que quebram o ritmo das adversárias, e pela facilidade que tem de variar alturas e pesos de bola. Ela também consegue utilizar diferentes efeitos no saque e mostra um bom jogo junto à rede, consequência de também ter atuado em alto nível no circuito de duplas, com direito ao título do US Open em 2018 e outras cinco finais de Grand Slam.

Andreescu é uma tenista bastante versátil e com ótima leitura de jogo, capaz de fazer mudanças táticas quando as coisas não estão dando certo. A canadense tem golpes muito potentes dos dois lados, capaz de comandar os pontos e fazer um grande número de winners, mas seu jogo não se resume a isso. Também com muita qualidade nos slices, inclusive com o forehand, e muita inteligência tática para construir os pontos, ela também tem opções para quando precisar disputar os ralis mais longos. Adepta da meditação e de uma técnica chamada 'visualização criativa', que aprendeu com sua mãe, Maria, ela também utiliza esses recursos para levar vantagem no aspecto mental do jogo.

O que elas dizem para a final:
Barty fez questão de destacar o quanto a rival cresce nos jogos decisivos. "Eu nunca joguei contra ela antes, e nem mesmo treinamos juntas. Vai ser algo novo para nós duas. Mas ela já mostrou antes, e mais uma vez agora, que adora os jogos grandes e os principais torneios. E ela tem jogo e também o físico para vencer", disse a australiana.

Já Andreescu nutre muita expectativa para testar o jogo de variações da atual líder do ranking. "Ela é a número 1 do mundo e está jogando muito bem. Seu estilo de jogo é algo que eu nunca experimentei. Mas adoro desafios e sei que ela vai me desafiar no sábado, então é uma mistura de tudo. Sei que será uma partida muito difícil. Ela está jogando um ótimo tênis, mas espero poder estar em minha melhor forma".

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