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Borg diz que evita se envolver na carreira do filho
07/03/2021 às 12h20

O ex-número 1 Bjorn Borg esteve no Brasil para acompanhar o filho em dois torneios

Foto: Luiz Cândido/CBT

Porto Alegre (RS) - A lenda do tênis mundial Bjorn Borg, ex-número 1 do mundo e dono de 11 títulos de Grand Slam, esteve no Brasil nas últimas duas semanas para acompanhar dois torneios do filho Leo, de 17 anos, pelo circuito mundial juvenil da ITF. Há uma semana, Leo Borg conquistou o título do Brasil Juniors Cup em Porto Alegre, e depois ele caiu nas oitavas do Banana Bowl em Criciúma.

Durante os torneios, o lendário jogador sueco deu uma entrevista para a equipe da Confederação Brasileira de Tênis (CBT), em que comentou sobre a experiência de acompanhar o filho no circuito, mas garante que evita se envolver na carreira dele. "Se eu me envolver demais na carreira do meu filho, não vai ser bom. Eu e minha esposa damos todo o apoio, mas para dar conselhos sobre o que fazer ou não dentro e fora de quadra, ele tem outras pessoas"

"Às vezes meu filho Leo tem sua própria equipe, e eu e minha esposa nem vamos vê-lo jogar. Essa foi uma ocasião especial, porque a equipe dele estava com mais juvenis no Paraguai, então ele viria sozinho. Então viemos para ajudá-lo. E às vezes é bom vê-lo jogar", comenta o ex-líder do ranking, lembrando que Leo Borg treina atualmente na Rafa Nadal Academy, em Manacor.

Bjorn Borg acredita que Leo tem lidado muito bem com a pressão de ser filho de um ex-número 1 do mundo e que o período de transição para o tênis profissional será bastante desafiador. "Acho que ele lida com a pressão muito bem. Se você perguntar ao Leo, ele vai dizer que não sente nenhuma pressão por isso. Às vezes fica claro que ele sente, mas lida muito bem. E espero que no futuro, ele continue assim".

 
 
 
 
 
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"Ele está no último ano do circuito juvenil e é importante que ele jogue, se divirta, e logicamente tente vencer. Porque todos os jogadores que estão aqui querem vencer, não perder", comenta o vencedor de 66 torneios da ATP. "Mas os próximos anos, quando terminar a carreira juvenil, vão ser muito importantes porque serão cada vez mais difíceis".

"Então, se ele tiver muita motivação, tem que continuar jogando e treinando duro. Ele vai conseguir bons resultados, eu acredito. Mas o tênis de hoje tem ótimos jogadores. Podemos ver aqui, é um torneio juvenil, mas tem ótimos tenistas. Você tem que ter muito coração e estar bem motivado para se tornar um grande jogador", complementou o pentacampeão de Wimbledon e hexa de Roland Garros.

Durante a vitoriosa carreira de Borg, ele venceu dois torneios em São Paulo nos anos de 1974 e 1976. Ele guarda boas lembranças do Brasil. "Eu amo voltar ao Brasil. Tenho muitos amigos aqui. Eu lembro da primeira vez que venci um torneio aqui no Brasil, em São Paulo e de ter enfrentado o Thomaz Koch há muitos anos. Eventualmente enfrentei outros jogadores brasileiros e tenho ótimas lembranças. Vim para Porto Alegre pela primeira vez, com a minha esposa e filho, e estamos aproveitando aqui. É um ótimo torneio".

'Gostava de ser mais quieto em quadra', diz Borg
Apelidado de Ice Borg nos tempos de jogador, o sueco falou sobre o fato de evitar expor suas emoções em quadra e do contraste com o rival norte-americano John McEnroe. "No meu tempo, haviam mais personalidades diferentes no tênis. Hoje o tênis mudou muito. Todos batem muito forte na bola e têm jogo mais ou menos parecido. Mas na época em que eu jogava, eu era muito quieto na quadra. Quando eu era muito jovem, com 12 anos, eu fui suspenso de jogar durante seis meses por mau comportamento. E eu amo jogar tênis. Então, quando eu voltei eu não falava mais nada".

"Foi aí que eu ganhei o apelido. E então eu comecei a jogar profissionalmente.
McEnroe, por exemplo, expunha mais os sentimentos quando jogava. Mas o mais importante é como você lida com as emoções na quadra. Eu gostava de ser mais quieto e isso funcionava bem para mim", acrescentou o sueco.

Aposentadoria aos 26 anos foi uma decisão acertada
Borg também explicou sobre os motivos que o fizeram encerrar a carreira ainda aos 26 anos e não se arrepende. "Eu parei muito cedo porque perdi a minha motivação pelo tênis, eu não estava aproveitando mais quando tinha 26 anos. Eu sabia que poderia jogar pelo menos mais cinco anos no top 10 e talvez vencer mais Grand Slam e mais torneios, mas não tinha mais motivação para treinar várias horas por dia ou ir para a academia. Chegou um momento que eu não me importava mais se ia ganhar ou perder, e esse não era eu, porque eu odiava perder. Era a pior coisa para mim".

"Acho que outra coisa que me fez parar é que eu não tinha privacidade. Não importava o país ou o hotel onde eu estivesse, sempre havia muita gente. Se eu estivesse em um restaurante, para ter um jantar privado, era impossível. Então eu precisava ficar longe disso também. E hoje eu não me arrependo disso. Eu tomei a decisão certa. Talvez eu tivesse vencido mais, mas isso não importava tanto".

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