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Marcus Willis deixa o tênis e teme êxodo de jogadores
04/03/2021 às 14h39

Marcus Willis era o número 772 do mundo em 2016 quando enfrentou Federer em Wimbledon

Foto: Arquivo

Londres (Inglaterra) – O britânico Marcus Willis, que ficou famoso na edição de Wimbledon em 2016, quando era 772º do mundo e enfrentou Roger Federer, está deixando o tênis aos 30 anos, trocando a raquete pela pá de pedreiro em meio aos efeitos negativos da pandemia no circuito profissional. Willis, porém, deixa o esporte com algumas lembranças pitorescas, como pegar o trem errado na estação de Bucareste, quando ia disputar um torneio menor no interior da Romênia. Atualmente, ele está trabalhando de pedreiro na empresa de um primo.

Willis despede-se sem remorsos, mas alertando as autoridades do tênis britânico sobre o possível êxodo de jovens promessas. O motivo seria o reduzido número de torneios menores, com redução dos pontos válidos para o ranking, premiações menores e o aumento dos custos de viagem por causa da pandemia. Seus dois últimos torneios foram de duplas, na Grécia, há três meses.

"Tive um tempo para pensar e teria me custado muito dinheiro nos próximos anos, mesmo tendo ofertas de patrocínio", disse Willis ao jornal Daily Mail. Ele planejava se concentrar no circuito de duplas. "Acho que ficou muito difícil agora, com poucos pontos em disputa nos torneios menores. Eles precisam dar uma olhada nisso. Não serei o único e a situação é ainda pior no tênis feminino. Mesmo se eu tivesse me saído muito bem, levaria dois anos para tentar chegar onde queria".

Willis dá como exemplo o caso do colega Lloyd Glasspool, de 27 anos e 129º do ranking de duplas. "Ele é um bom tenista, alcançou oito finais de challenger em menos de cinco meses, mas ainda está bem distante do top 100, que é onde o dinheiro está. Eu tenho uma família para cuidar e sou mais velho. Estou preocupado que vejamos mais jogadores de todas as idades saindo do tênis. A gente precisa jogar mais torneios para ganhar pontos e, para sobreviver, precisaremos de mais apoio financeiro".

Campanha notável na grama de Wimbledon
O principal feito de Willis no tênis profissional aconteceu na edição de 2016 do torneio de Wimbledon. Então professor de tênis, recebendo cerca de 30 libras esterlinas por hora-aula, o britânico jogou o pré-quali do torneio e venceu três jogos para ganhar um convite para o qualificatório em Londres, onde conseguiu outras três vitórias. A primeira foi sobre o japonês Yuichi Sugita, então número 99 do mundo. Depois, venceu os russos Andrey Rublev e Daniil Medvedev, que ainda eram muito jovens e não estavam nem no top 200 e hoje figuram entre os 10 melhores do mundo. Assim, garantiu vaga na chave principal de um Grand Slam pela primeira vez na carreira.

A caminhada de Willis continuou e ele venceu o jogo de estreia contra o lituano Ricardas Berankis, número 54 do mundo, por 6/3, 6/3 e 6/4. Na sequência, teve a oportunidade de desafiar Roger Federer na Quadra Central e perdeu por 6/0, 6/3 e 6/4. A vitória sobre Berankis em Wimbledon foi sua única em chaves principais de ATP. Willis também venceu seis jogos de challenger e nove títulos de future, tendo como melhor ranking da carreira o 322º lugar.

Pronunciamento nas redes sociais

Pelo Twitter, Willis também fez um pronunciamento anunciando o fim da carreira profissional: "Decidi encerrar minha carreira como tenista profissional depois de 22 anos de dedicação ao esporte que tanto amo. Eu pude viajar pelo Reino Unido, pela Europa e pelo mundo. Conheci pessoas pessoas incríveis e tive experiências que eu nunca poderia imaginar. Tenho orgulho de ter encontrado um caminho de jogar em Wimbledon da forma mais louca e dura possível".

"Não foi uma decisão fácil, mas é 100% a coisa certa a fazer. Tive que ouvir a mim mesmo e considerar o meu futuro, o de minha esposa e filhos, que sempre apoiaram a minha jornada. Pude enfrentar o maior jogador da história, no maior torneio e na maior quadra de tênis do mundo. E sei que trabalhei incessantemente para que esse sonho se tornasse realidade".

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