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Murray: 'Não há motivo para eu parar de jogar'
02/03/2021 às 15h19

Murray conseguiu sua primeira vitória em nível ATP na temporada

Foto: Divulgação

Roterdã (Holanda) - Depois de vencer sua partida de estreia no ATP 500 de Roterdã, Andy Murray falou sobre os constantes rumores de uma aposentadoria. Aos 33 anos e recuperado de duas cirurgias no quadril, o britânico garante que ainda tem condições de atuar em alto nível no circuito. Ele desabafou também sobre as críticas que recebe depois das derrotas.

"Não é fácil. Sempre que eu perco um jogo, todo mundo pensa que eu deveria parar de jogar, porque eu estou velho e acabado. Dizem que eu não tenho mais chances, que isso é triste, e tudo mais. Não é fácil", disse Murray depois de vencer o holandês Robin Haase na última segunda-feira por 2/6, 7/6 (7-2) e 6/3 em 2h30 de partida.

"Eu sinto que cada jogo vale a minha carreira, toda vez que eu entro em quadra. De certa forma é uma motivação, mas também traz uma carga extra de estresse. Além disso, estou jogando com um quadril de metal, o que é difícil. Acreditem em mim, não é fácil", acrescenta o ex-número 1 do mundo, que atualmente ocupa apenas o 123º lugar do ranking. "É um grande desafio para mim agora, mas eu vou encarar".

Murray lembra que conseguiu atuar em bom nível em 2019, pouco depois da segunda cirurgia, e até venceu o ATP 250 da Antuérpia, tendo superado Stan Wawrinka na final. Nos últimos anos, também conseguiu vitórias sobre jogadores como Matteo Berrettini e Alexander Zverev. "Esses são os jogadores de ponta contra quem eu estava jogando bem. Sendo que agora eu estou em uma condição física muito melhor do que estava naquela época".

"Por que deveria parar, então? Só porque perdi um jogo na semana passada contra alguém que as pessoas esperavam que eu ganhasse?" disse o britânico, referindo-se à sua derrota para o bielorrusso Egor Gerasimov na semana passada em Montpellier. "O cara é um bom jogador. Não estou no topo do meu jogo agora, mas assim que chegar lá, acredito que vencerei as partidas de forma mais competitiva".

"A partida de hoje pode ajudar muito. As coisas podem mudar rapidamente no nosso esporte. Obviamente, se eu tivesse perdido, ouviria novamente: 'o que você está fazendo aqui?' Eu poderia ter perdido esse jogo por 6-2, 6-4 e ser esmagado", ponderou o vencedor de três Grand Slam.

Depois de ser dominado no primeiro set contra Haase e não ter break points no segundo, Murray conseguiu vencer a parcial no tiebreak para empatar a partida. No terceiro set, sofreu uma quebra precoce e começou perdendo por 3/0, mas terminou a partida em grande estilo, vencendo seis games seguidos.

"Eu encontrei uma maneira de vencer e no final comecei a jogar um pouco melhor. Do lado mental e do lado físico foi positivo. Achei que me movi muito bem. Joguei por duas horas e meia e meus quadris e virilha pareciam bem, então isso foi positivo. Mas do lado do tênis, não foi a melhor das partidas", admitiu o britânico.

"Eu acho que do lado mental, eu me saí muito bem para ganhar porque não estava jogando bem por provavelmente uma hora e meia de jogo. Eu estava apenas batendo na bola, foi muito estranho. Não sabia bem o que fazer direito e, então, quando sentia que estava tomando as decisões certas, estava apenas errando o alvo. A bola não saía da minha raquete como de costume", avaliou sobre sua partida de estreia.

Adversário de Andrey Rublev, número 8 do mundo, na próxima fase, Murray sabe que precisa de atuações mais consistentes para se manter competitivo. "Eu preciso jogar de forma consistente e eu preciso ficar fisicamente apto por um bom período de tempo. Isso é o que eu preciso fazer. Minha habilidade não mudou. Vocês podem perguntar aos caras com quem estou treinando, a menos que todos eles estejam apenas aliviando nos treinos comigo porque sentiam pena de mim".

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