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Aberto da Austrália terá prejuízo de US$ 80 milhões
20/02/2021 às 08h56
Diego Diegues, de Melbourne
Especial para TenisBrasil

O diretor do Aberto da Austrália, Craig Tiley, confirmou a uma rádio local de Melbourne que o primeiro Grand Slam do ano terá um prejuízo de aproximadamente AU$100 milhões, o que equivalem a US$ 80 mi, quando comparado ao desempenho de 2020. A realização do torneio em meio a pandemia da Covid-19, assim como os gastos com jogadores em hotéis, foram determinantes para esse resultado negativo.

Além das restrições impostas pelo governo australiano para minimizar o contágio do coronavírus, a Tennis Australia teve também que trabalhar com o número de espectadores reduzidos em 50%, ou seja, ao invés dos 65 mil visitantes diários em 2020, que compareceram ao Melbourne Park na primeira semana, esta edição recebeu menos de 20 mil, ainda que houvesse autorização para o máximo de 30 mil diários.

A situação se tornou ainda pior quando no quinto dia de torneio o estado de Victoria decretou lockdown por cinco dias, proibindo venda de ingressos. Isso fez com que mais de 100 mil entradas fossem reembolsadas.

Não bastasse a receita perdida com a venda de ingressos, a Tennis Australia também teve que arcar com a conta de uma série de protocolos relacionados à Covid-19, como longa quarentena de 14 dias em hotéis, com pelo menos 75% dos jogadores que vieram a Melbourne para a disputa dos torneios.

Segundo Tiley, os cinco dias sem a presença de fãs contribuíram muito para a perda de renda, uma vez que com os portões fechados não se vendem mercadorias e os patrocinadores não são ativados. “Vai ser difícil olhar para trás e ver o quanto podíamos ter ganhado com os espectadores. Tenho certeza que não será fácil, e vamos sim perder milhões de dólares neste ano”, afirmou o diretor do torneio, sem citar números.

Segundo apura a imprensa local, a perda deve ser de até 100 milhões de dólares australianos. Questionado acerca desse valor, Tyler amenizou: “Temos 80 milhões em reserva e vamos usar essa quantia. Se não for o suficiente, iremos pedir um empréstimo de 40 a 60 milhões para cobrir todos os gastos”, garantiu.

Apesar disso, o diretor do torneio defendeu a realização do Aberto da Austrália. Segundo ele, a cidade de Melbourne provou que os eventos internacionais podem continuar, enquanto o mundo luta para conter o coronavírus. “Nós deixamos os australianos orgulhosos, porque ninguém até agora, durante a pandemia, trouxe tantas estrelas internacionais. Talvez haja uma maneira de organizarmos os esportes, e trazermos entretenimento ao público novamente”.

Por fim, Tiley ressaltou que ao longo do torneio apenas um tenista contraiu o vírus, e que o mais importante é que não houve transmissões entre funcionários, atletas, visitantes e voluntários, de acordo com os números divulgados diariamente pelo governo de Victoria. “A Austrália agora tem um manual que pode ser compartilhado com o resto do mundo. Podemos, sim, ser um modelo a ser seguido”, encerrou Tiley.

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