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Osaka luta pelo 4º Slam e revê a confiante Brady
19/02/2021 às 12h36

Osaka e Brady protagonizaram uma semifinal de alto nível no último US Open

Foto: Mike Lawrence/USTA
por Mário Sérgio Cruz

Cinco meses depois de protagonizarem uma semifinal eletrizante no último US Open, Naomi Osaka e Jennifer Brady voltam a se enfrentar em um jogo decisivo de Grand Slam. A japonesa e a norte-americana decidem neste sábado, às 5h30 (de Brasília), o título do Australian Open. Aos 23 anos, Osaka já busca seu quatro troféu de Slam e o segundo na Austrália, onde também triunfou em 2019. Já Brady alcança a maior final da carreira aos 25 anos.

O histórico de confrontos é favorável a Osaka. Além de ter vencido o recente duelo em Nova York, a japonesa também levou a melhor quando elas se enfrentaram no Premier de Charleston, disputado em quadras de har-tru (saibro verde) em 2018. Brady tem apenas uma vitória em jogo válido por um evento de US$ 50 mil do circuito da ITF em New Braunfels, no Texas, ainda em 2014.

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Ex-número 1 do mundo por 25 semanas e atual terceira colocada, Osaka pode reassumir o segundo lugar do ranking se for campeã. Ela ultrapassaria a romena Simona Halep e só ficaria atrás da australiana Ashleigh Barty. A japonesa está há mais de um ano sem perder uma partida, desde 7 de fevereiro do ano passado. Ela selecionou poucos torneios para jogar desde então e defende uma invencibilidade de 20 jogos.

Já Brady ocupa o 24º lugar do ranking e certamente entrará no top 20 após o torneio, sendo 13ª com o vice-campeonato e 12ª em caso de título.

Osaka nunca perdeu uma final, Brady pode ser a 55ª campeã
Osaka venceu todas as três finais de Grand Slam que disputou, duas no US Open (2018 e 2020) e uma na Austrália (2019). Em caso de título neste sábado, ela repetirá o feito de Monica Seles, que também venceu suas quatro primeiras finais nos anos 90. Na Era Aberta do tênis, apenas 15 mulheres possuem quatro ou mais títulos de Grand Slam. Entre as jogadoras em atividade, apenas as irmãs Serena (23 Grand Slam) e Venus Williams (7 títulos) e também a belga Kim Clijsters (4 conquistas) fazem parte desse grupo.

Por sua vez, Brady tenta se tornar a 55ª campeã de Grand Slam na Era Aberta. A lista de vencedoras dos maiores torneios do mundo ganhou muitos nomes recentemente. Ela é a sétima finalista inédita nos últimos nove Grand Slam disputados, sendo que cinco delas foram campeãs. Essa lista inclui a própria Naomi Osaka, no US Open de 2018, além de Ashleigh Barty, Bianca Andreescu, Sofia Kenin e Iga Swiatek. Já a canhota tcheca Marketa Vondrousova ficou com o vice de Roland Garros em 2019, superada por Barty na final.

O que dizem as finalistas:
Osaka defende uma impressionante escrita em fases decisivas de Slam. Ela venceu todos os 15 jogos que fez pelas quartas, semis ou finais de torneios desse porte. Até por isso, destaca a mentalidade de campeã e segue disposta a ampliar sua coleção de troféus.

"Tenho a mentalidade de que as pessoas não se lembram das vice-campeãs. Você pode até lembrar, mas o nome da campeã é aquele que fica gravado. Tenho que lutar muito na final, porque a minha adversária venceu tantas partidas quanto eu no torneio", disse a japonesa. "Aquela semi do US Open foi facilmente um dos meus jogos mais memoráveis. Acho que foi uma partida de alto nível o tempo todo. Para mim, não surpreende vê-la na final".

Brady também acredita que o duelo em Nova York foi marcante: "Aquela partida que joguei contra a Naomi na semifinal do US Open pode ter mudado minha vida e a minha visão de como devo disputar um Grand Slam", disse ao WTA Insider. "Agora, nunca tenho dúvidas se posso vencer a partida ou não. Sei agora que pertenço a este nível e que eu ganhei o direito de competir pelos títulos de Grand Slam quatro vezes por ano".

Preparações distintas para o torneio
A edição de 2021 do Australian Open sofreu um adiamento de três semanas para que fossem cumpridas as exigências dos governos e autoridades de saúde locais. Uma das determinações era a quarentena obrigatória por 14 dias para todos que chegassem ao país.

Assim como outras estrelas do circuito, Osaka fez parte de um grupo de tenistas privilegiados (juntamente com Novak Djokovic, Rafael Nadal, Dominic Thiem, Simona Halep e as irmãs Venus e Serena Williams, além de seus respectivos parceiros de treino) e pôde cumprir esse período em Adelaide, no Sul da Austrália. Ela inclusive disputou uma partida de exibição contra Serena.

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Já Brady teria que ficar no hotel em Melbourne. A norte-americana ainda teve o azar de chegar ao país em um voo em que estavam pessoas contaminadas pela Covid-19. Por isso, fez parte do grupo de 72 tenistas que teve a quarentena mais rígida, sem poder sair do quarto nem mesmo para as cinco horas de treino regulamentares.

Técnico da norte-americana, o alemão Michael Geserer, disse ao podcast de seu país Advantage Pod, que a tenista fazia alguns exercícios físicos vestindo um moletom pesado e depois passava 30 minutos em uma banheira quente para se adaptar ao calor australiano.

Japonesa já salvou match point, mas ficou menos tempo em quadra

Durante a campanha para a final, Osaka disputou 13 sets e perdeu apenas um. Mas isso já foi suficiente para que ela se colocasse em situação de alto risco. A japonesa teve que salvar dois match points na vitória sobre Garbiñe Muguruza nas oitavas de final. Seis mulheres em sete ocasiões (Serena Williams já fez duas vezes) foram campeãs em Melbourne salvando match points. Já nas demais partidas, derrotou Anastasia Pavlyuchenkova, Caroline Garcia, Ons Jabeur, Su-Wei Hsieh e Serena Williams em sets diretos, ficando 7h43 na quadra.

Brady perdeu dois sets no torneio, justamente nas quartas contra Jessica Pegula e na semifinal diante de Karolina Muchova. Nas fases iniciais, bateu Aliona Bolsova, Madison Brengle, Kaja Juvan e Donna Vekic sem perder sets. Com isso, seu tempo em quadra foi de 7h58.

Técnicos experientes no circuito
Osaka é treinada desde o ano passado pelo experiente belga Wim Fissette, que já comandou outras ex-líderes do ranking como Kim Clijsters, Victoria Azarenka, Simona Halep e Angelique Kerber. Além da recente conquista em Nova York com a japonesa, Fissette também ganhou três Grand Slam com Clijsters e um com Kerber.

Já Brady veio do tênis universitário norte-americano e teve uma estreia mais tardia no circuito profissional, chegando ao top 100 em 2017. No entanto, seu grande salto de qualidade se deu a partir do ano passado em um movimento incomum para uma tenista dos Estados Unidos. Ela foi treinar na Alemanha com Michael Geserer, ex-técnico de Julia Goerges, e conseguiu saltar do 56º para o 24º lugar do ranking. Na temporada passada, ela conquistou seu 1º WTA em Lexington e derrotou jogadoras importantes como Ashleigh Barty, Elina Svitolina, Garbiñe Muguruza e Angelique Kerber. A vitória contra Osaka pode ser sua terceira contra top 10.

Quanto vale o título?
O prêmio para a campeã é de 2,75 milhões de dólares australianos, o que representa aproximadamente US$ 2,14 milhões. A vice-campeã recebe 1,5 milhão de dólares australianos ou US$ 1,16 milhão. Em sua carreira profissional, Osaka já ganhou mais de US$ 17 milhões em premiações de torneios, contra pouco mais de US$ 2 milhões de Brady.

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Fora das quadras, vale destacar, a japonesa é a atleta mais bem paga do mundo. Um estudo da revista Forbes do ano passado mostrou que ela recebeu mais de US$ 32 milhões só em contratos publicitários e de patrocínio. Tudo indica que esses números devem ficar ainda maiores no balanço a ser divulgado este ano.

Ao aliar o sucesso nas quadras com posicionamentos contundentes em questões de interesse público, como a luta contra o racismo e a violência policial nos Estados Unidos, Osaka tem aumentado ainda mais sua influência e fechou no início deste ano novos acordos com marcas do segmento de luxo, além de se tornar uma das donas do time profissional de futebol feminino North Carolina Courage. Apesar de dizer publicamente que Serena Williams continuará sendo o principal nome do tênis feminino enquanto continuar jogando, a japonesa vai se consolidando como a sucessora natural da vencedora de 23 títulos de Grand Slam.

Relembre os confrontos entre Osaka e Brady
2020 - US Open - sintético - semifinal - Naomi Osaka, 7/6(1) 3/6 6/3
2018 - Charleston - saibro - 1ª rodada - Naomi Osaka, 6/4 6/4
2014 - ITF W50 de New Braunfels - sintético - 1ª rodada - Jennifer Brady, 6/4 6/4

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