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Após lesões no AO, Djokovic propõe 'bolha' do tênis
16/02/2021 às 15h46

Sérvio propõe a criação de uma 'bolha' como a da NBA para diminuir os riscos de lesões

Foto: Peter Staples/ATP Tour

Melbourne (Austrália) - Preocupado com a quantidade de lesões que os tenistas estão sofrendo durante o Australian Open, Novak Djokovic propõe mudanças no calendário para a sequência da temporada. O número 1 do mundo gostaria que o número de viagens fosse reduzido e fosse criada uma espécie de 'bolha', como a adotada pela NBA na Flórida para a conclusão da temporada 2019/2020 do basquete norte-americano. O veterano de 33 anos acredita ainda que a maneira como a temporada de torneios na Austrália foi conduzida, com a quarentena obrigatória de 14 dias, a realização da ATP Cup e o Australian Open começando logo na sequência, teve impacto na condição física dos jogadores. 

“O que estamos vendo não é normal. Não é algo a que estamos acostumados. Os melhores jogadores são os que estão em melhor forma física. Isso já foi demonstrado no passado. Mas agora você tem o Berrettini [com lesão muscular], o Rafa e Dimitrov com lesões nas costas, temos eu e o Zverev também. Quer dizer, obviamente tem algo a ver com esse tipo de situação em que estávamos: Viemos para um Grand Slam e ainda disputamos um torneio na semana anterior logo depois de termos ficado 14 ou 15 dias de quarentena", disse Djokovic, que sofreu uma lesão muscular na região abdominal durante o jogo contra Taylor Fritz na terceira rodada do Grand Slam australiano.

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"Não posso reclamar em comparação com alguns dos jogadores que não conseguiram sair de seus quartos por 14 dias. Mas temos que ser honestos e realistas: isso tem um efeito no bem-estar físico dos jogadores. Esperamos que seja temporário. Mas, falando com muitos jogadores, a maioria simplesmente não quer continuar a temporada se tivermos que colocar a maioria dos torneios em quarentena", acrescentou o sérvio, ao lembrar que 72 tenistas que disputaram o Australian Open ficaram em quarentena rígida durante duas semanas, sem acesso às quadras de treino, porque chegaram ao país nos mesmos voos em que estavam pessoas infectadas pela Covid-19.

'Bolha' como a da NBA é opção
"Não estou apontando o dedo para ninguém. Apenas quero falar sobre o que está acontecendo e temos que falar sobre isso. Temos que encontrar uma maneira, que seja algo como a 'bolha' da NBA, porque ouvi alguns jogadores falarem sobre isso: Selecionar uma sede e jogar todos os torneios do mesmo piso em um determinado lugar. Vocês sabem: Ficaria três ou quatro semanas em um lugar, aí teríamos duas ou três semanas de descanso, e então depois voltaríamos. Algo assim, eu não sei", opinou o vencedor de 17 títulos de Grand Slam.

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"Mas temos que discutir as opções, porque não sei honestamente se isso funcionaria. Aqui na Austrália, estamos em um lockdown por cinco dias, e espero que em alguns dias possamos ter público de volta aos estádios. E também temos que ser realistas de que o que estamos experimentando aqui na Austrália é muito melhor do que a maior parte da Europa está passando em termos de restrições, quarentenas e etc", complementou o sérvio que, como os demais tenistas do Australian Open, está submetido desde sábado ao lockdown de cinco dias adotado pelo governo do estado de Victoria. A expectativa é de que as restrições terminem na quarta-feira à noite e que o público possa voltar na próxima quinta-feira.

Sérvio sente melhora da lesão

A respeito do problema físico que já o incomoda desde a última sexta-feira, o sérvio acredita que está finalmente começando a melhorar. "O lado positivo é que eu realmente me senti melhor hoje. Especialmente a partir do início do segundo set até o final da partida. Significa que estou na direção certa, e espero que em dois dias eu continue igual", disse após a vitória sobre o alemão Alexander Zverev por 6/7 (6-8), 6/2, 6/4 e 7/6 (8-6).

"Até o último ponto, o jogo poderia ir para qualquer lado. Era muito nervosismo e muita pressão. Emocionalmente, eu me sinto um pouco esgotado, para ser honesto. Foi uma batalha. Parabéns ao Sascha por um grande torneio e pela partida de hoje, mas levamos um ao outro até o limite", comenta o sérvio, que marcou sua sexta vitória em oito jogos contra Zverev, sendo a segunda só neste ano "Depois do primeiro set, senti que comecei a me mover melhor e a jogar melhor. Saquei extremamente bem. Eu fiz um pouco mais de aces do que ele (23 a 21), o que, para mim, é um milagre quando jogar contra um grande sacador".

Duelo com Karatsev na semifinal
Djokovic enfrenta na semifinal o russo Aslan Karatsev, grande surpresa do torneio e 114º do ranking. Vindo do qualificatório, Karatsev disputa a chave principal de um Grand Slam pela primeira vez aos 27 anos e faz uma campanha impressionante na Austrália. O russo, que nunca esteve entre os cem melhores do mundo, já eliminou nomes como Diego Schwartzman, Felix Auger-Aliassime e Grigor Dimitrov no caminho para a semi. Após o torneio, debutará no top 50 do ranking. 

"Honestamente, eu ainda não tinha visto ele jogar antes do Australian Open. Eu só o vi durante o torneio aqui e ele me impressionou, assim como impressionou muita gente pela sua movimentação e pelo poder de fogo da linha de base. Ele tem um backhand reto, comum da escola russa e também acerta alguns bons forehands para ditar os pontos. Ele é impressionante. Estava dois sets abaixo contra Felix e voltou, fez um jogo muito sólido contra Grigor. Ele está na semifinal por uma razão, e eu o parabenizo por seu grande sucesso".

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