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Diretor nega, mas quadras do AO estão mais rápidas
16/02/2021 às 01h30
Por Diego Diegues
Especial para TenisBrasil

Melbourne (Austrália) - Em uma cidade como Melbourne, famosa pelas quatro estações em um dia, a velocidade e a temperatura dentro de quadra podem mudar a cada minuto. Mas o consenso geral, entre jogadores e jornalistas, é que a edição 2021 do Aberto da Austrália nunca foi tão rápida. Ainda que o diretor do torneio, Craig Tiley, negue, o fator de rapidez nas superfícies, pode ser atribuído ao recapeamento realizado nas quadras do Melbourne Park, ainda no ano passado, com alguns tenistas afirmando que além de rápidas, as quadras também estão escorregadias.

Nas edições anteriores, as partidas do qualifying sempre foram disputadas nas quadras externas do complexo, enquanto os principais tenistas se preparavam nas três arenas de dentro, como Rod Laver e Margaret Court. Porém, neste ano por conta da pandemia, o torneio foi adiado por algumas semanas, e com isso os tenistas australianos passaram todo o mês de janeiro praticando no Melbourne Park.

Para facilitar a vida dos jogadores, a ATP organizou diversos torneios em Melbourne, como preparação para o Australian Open. Depois de respeitarem o período de quarentena, os tenistas se espalharam pela cidade e disputaram algumas competições, sendo que a maioria delas ocorreu no Melbourne Park. Tradicionalmente, as superfícies aceleravam conforme o torneio avançasse, porém o número elevado de jogos, antes do início do primeiro Grand Slam do ano, aumentou o volume e a intensidade dentro de quadra, tornando-as muito mais rápidas.

A número 1 do mundo Ash Barty afirmou que as quadras australianas sempre mudaram dependendo do clima, mas que neste ano estão muito mais rápidas. “Quando o dia fica mais quente, e a temperatura da quadra aumenta eu sempre senti que a bola passa a quicar mais alta, além de vir mais rápida. E a noite, ela costuma ficar mais lenta. Só que neste ano, as quadras estão muito mais rápidas, talvez pela quantidade de jogos que aconteceram aqui nas últimas semanas, então acredito que até o fim do torneio ficará ainda mais rápida”, disse.

O jornalista Courtney Walsh, que cobre o circuito há mais de 30 anos, contou que geralmente o clima australiano, acompanhado do tipo de bola, sempre apresentam desafios para os jogadores se ajustarem, mas que os ambientes internos e externos fazem diferença para os principais tenistas. “Quando o telhado de se fecha, as condições se tornam muito mais favoráveis para tenistas como Djokovic, Nadal e Serena”, comentou o australiano.

Eliminada ainda na primeira rodada, a tcheca Petra Kvitova riu quando questionada sobre a velocidade das quadras do Melbourne Park neste ano. “As bolas parecem vivas, estão voando pelo ar e direto para fora da quadra, mas não posso reclamar porque gosto de superfícies rápidas", comentou a finalista em 2019, ao jornal The Weekend Australian.

Kvitova não foi a única a mencionar a respeito das bolas estarem mais “vivas”. Outros tenistas como Dominic Thiem, John Millman, Novak Djokovic, Diego Schwartzman e Frances Tiafoe afirmaram que as quadras estão muito mais rápidas com relação aos outros torneios e até mesmo se comparado com as edições anteriores. “As bolas definitivamente parecem estar mais vivas neste ano”, analisou o australiano, que jogou duplas ao lado brasileiro Thiago Monteiro.

Em uma das entrevistas coletivas pós-jogo, Djokovic afirmou que tem conversado com muitos jogadores, e a sensação é que as quadras neste ano são as mais rápidas dos últimos 15 anos. “Vários tenistas estão comentando sobre a velocidade da quadra este ano. Eu concordo que está muito, muito rápido, comparado digamos com cinco, seis anos atrás. Então obviamente que favorece grandes servidores, e você tem que adaptar seu jogo”, disse o número um do mundo.

Apesar do consenso entre os jogadores, o diretor do torneio, Craig Tiley, segue negando uma possível mudança nas quadras azuis de Melbourne, e se limitou a dizer que um processo de instalação muito detalhado e intensivo foi projetado para alcançar a mais alta qualidade dentro das quadras. “Sob a orientação de profissionais recomendados, a superfície do Aberto da Austrália permanece a mesma, com relação aos demais anos. Ela sempre foi feita com almofadada de acrílico", afirmou.

“Eu não sei o que eles fizeram”, disse o americano Tiafoe. Vice-campeão no ano passado, Thiem não se mostrou contente com a mudança. “Se eu pudesse escolher, eu diria que as quadras e as condições do ano passado eram melhores. Sem dúvida, foi um dos Grand Slams mais rápidos que já joguei na minha carreira”, comentou após a derrota para o búlgaro Grigor Dimitrov, nas oitavas de final.

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