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Schwartzman: 'Circuito acolheria um jogador gay'
24/01/2021 às 08h44

Argentino também falou sobre a discriminação sofrida por sua altura e pela origem judia

Foto: Arquivo

Buenos Aires (Argentina) - Em sua melhor fase na carreira e prestes a iniciar uma nova temporada no circuito, Diego Schwartzman concedeu uma longa entrevista ao jornal argentino La Nación. O jogador de 28 anos e número 8 do mundo falou sobre diferentes temas de dentro e fora de quadra, como sua origem judia, os eventuais casos de discriminação no circuito e as dificuldades que os sul-americanos têm ao longo da temporada. Schwartzman também acredita que o circuito acolheria bem um jogador assumidamente homossexual, ao destacar que sua geração é mais receptiva à diversidade.

"Se houver um jogador gay no vestiário, o que acontece? Nenhum problema! Acho que a discriminação vem de muitos anos atrás, de antes de nossa geração, mas as pessoas estão superando isso. Em breve, nas próximas gerações, não haverá discriminação ou racismo. Isso vai desaparecer. O racismo ainda existe, embora no atual circuito de tênis eu não tenha presenciado".

Judeu, argentino se emociona ao falar do holocausto
Temas sobre o racismo e a homofobia foram introduzidos pelo próprio Schwartzman na entrevista, enquanto respondia a uma pergunta se ele já foi discriminado em seu país por sua origem judia.

"Em alguns clubes de tênis, sim, embora eu não soubesse muito sobre isso. Já vi o meu pai brigando por essa causa e soube que algo estava acontecendo. Mas eu não sofri diretamente. Meus irmãos sofreram em torneios de futebol, jogando pelo Hacoaj, quando iam a alguns jogos fora de casa, ou também quando tentavam jogar nas categorias de base de alguns clubes e viam o sobrenome".

"Pode ser também que não tenha acontecido tanto comigo porque eu já sofria bullying em determinado momento por causa da minha altura e ouvia 'você não vai jogar nada'. Mas não consigo entender por que alguns agem assim", comentou o argentino. Ainda a respeito de suas convicções religiosas, ele também se emociona ao lembrar do holocausto do povo judeu durante o regime nazista na Alemanha.

"Assisti muitos filmes, mas ainda não consegui visitar os campos de concentração na Europa. Recentemente, fui à casa de Anne Frank em Amsterdã, comprei o livro dela e estou lendo. Existem documentários que são muito fortes para mim e prefiro evitá-los. Fico arrepiado só de pensar nos campos. É muito forte. Existem coisas que me emocionam mais do que outras. Às vezes pareço frio, mas quando assisto esses filmes penso nas minhas origens e isso me mata".

Sul-americanos têm carreiras mais curtas
Falando de tênis, Schwartzman está ciente das dificuldades que os argentinos e demais sul-americanos têm para se manter competitivos contra jogadores vindos de países em que o esporte é mais desenvolvido. "As limitações que temos tornam você mentalmente forte. Geograficamente, os jogadores sul-americanos têm uma desvantagem, porque o tênis está centralizado na Europa. Nossa temporada, comparada com a dos europeus, é diferente: viajamos uma quantidade eterna de quilômetros. O desgaste físico e mental é muito maior".

"Não quer dizer que ao competir não cheguemos nas mesmas condições, mas nossas carreiras podem ser mais curtas. Hoje um europeu pode chegar aos 35, 36, 37 anos. Mas acho que seria impossível eu manter esse nível de intensidade até essa idade, embora eu esteja muito bem".

Relação com Maradona

Torcedor fanático do Boca Juniors, o tenista argentino também falou sobre a morte do ídolo Diego Maradona no fim do ano passado. "Eu era muito fã do Diego e não do jogador, porque não o vi jogar. Conversava com ele em diferentes confrontos da Copa Davis. Tínhamos mais vínculo por telefone. Quando um jogo importante terminava ou, especialmente nas derrotas, um áudio dele chegava até mim. Sempre. Muito longo. Eu os tenho salvos e quando os ouço fico animado. Em alguns foi mais divertido, mas em outros ele assumia a liderança e me dava conselhos".

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