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Para Tiafoe, parada pode ter salvo sua carreira
24/01/2021 às 08h02

Tiafoe relembrou as várias reflexões e conversas que teve consigo mesmo

Foto: Andrew Patron/BigShots

Melbourne (Austrália) - Enquanto se prepara para disputar o Australian Open, o norte-americano Frances Tiafoe comentou sobre o difícil momento em que viveu na temporada passada. Tiafoe acredita que paralisação no circuito por cinco meses devido à pandemia da Covid-19 pode ter salvo sua carreira, já que ele teve tempo suficiente para colocar a cabeça no lugar.

O momento mais difícil para Tiafoe foi logo depois do Australian Open do ano passado. Eliminado ainda na estreia, ele não conseguiu defender os pontos das quartas de final que havia alcançado em 2019. Com isso, o ex-número 29 do mundo e vencedor de um torneio da ATP em Delray Beach caiu mais de 30 posições no ranking e reconhece que perdeu muita confiança.

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"A parada por causa da pandemia foi provavelmente a melhor coisa que aconteceu na minha carreira, se quisermos ser francos. Eu estava em uma situação muito difícil antes da pandemia", disse em entrevista ao Tiafoe site da ATP. "O meu ranking foi muito afetado, obviamente por não defender as quartas de final em Melbourne. E isso meio que me salvou, porque o torneio de Miami estava chegando e eu também precisava defender pontos das quartas de final".

Tiafoe relembra das várias reflexões e conversas que teve consigo mesmo. "Eu olhei para o cara no espelho e perguntei: 'Por que você está aqui? Quais são as coisas que você precisa mudar e do que você precisa para continuar evoluindo? 'Isso me ajudou muito".

"Eu me perguntava: 'O que eu quero mudar? Vou ser o mesmo cara ou vou adicionar algumas coisas e mudar algumas coisas? 'Eu só queria ser um cara diferente", acrescentou o ainda jovem jogador de 22 anos e atual 62º colocado no ranking mundial. Depois de muitos altos e baixos na temporada passada, ele conseguiu fazer uma boa campanha no último US Open e chegou às oitavas de final.

"Fiquei muito feliz quando soube que o US Open aconteceria. Mal podia esperar para chegar lá e acho que foi por isso que me saí tão bem. Eu alcanço meu melhor nível quando estou curtindo o jogo", disse o norte-americano, que aposta em metas altas para a nova temporada. "Minha motivação é em grande escala. Estou pronto para fazer muitas coisas boas em 2021".

Norte-americano é engajado em causas sociais
Filho de imigrantes de Serra Leoa, Tiafoe também se engajou muito em causas sociais, em especial na luta contra o racismo. Ele é um dos poucos negros entre os 100 melhores do mundo e ressalta que a falta de diversidade no tênis às vezes o faz se sentir como um estranho no ninho. No fim do ano passado, recebeu da ATP o Prêmio Humanitário Arthur Ashe por suas ações sociais. Mas Tiafoe sabe que ainda há muito a ser feito para promover a igualdade de oportunidades no tênis, incluindo recursos disponíveis para alcançar a elite do esporte.

"O tênis não é como o basquete, que você só precisa de uma tabela e da bola, ou o futebol que você precisa de um gramado e da bola", disse em recente entrevista à CNN. "Então, como podemos tornar isso acessível? Como conseguir uma grande quantidade de raquetes, cordas, redes, bolas e calçados? Essa é a parte mais difícil".

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