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Querrey admite violação de regra, mas se defende
04/01/2021 às 16h40

Norte-americano revela que ficou em Londres durante a quarentena

Foto: Peter Staples/ATP Tour

San Francisco (EUA) - Dias depois de a ATP concluir as investigações sobre a violação do protocolo de Covid-19 cometida por Sam Querrey no ATP 500 de São Petersburgo, o tenista norte-americano apresentou a sua versão dos fatos em entrevista à Sports Illustrated. Querrey admitiu que deixou o país mesmo após seu exame dar positivo para a doença, mas diz que fez o que considerou a coisa certa.

No dia 12 de outubro, Querrey testou positivo para Covid-19 durante sua preparação para o torneio e foi colocado em isolamento no hotel oficial da competição. Mas dois dias depois, foi noticiado que o jogador norte-americano saiu da Rússia em um voo particular e não revelou seu paradeiro. Ele estava acompanhado da esposa, Abby, e do filho de oito meses, Ford. Os três foram diagnosticados com a doença.

A orientação era que eles ficassem isolados no hotel oficial do torneio por 14 dias, com encaminhamento obrigatório ao hospital em caso de sintomas. Os organizadores do evento acusaram o jogador de ter recusado duas visitas médicas e não ter realizado novos exames para detecção da doença. Após investigação da ATP, foi estipulada uma multa de US$ 20 mil, mas o tenista só precisará pagar esse valor se voltar a cometer outra violação nos próximos seis meses.

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Durante a entrevista, Querrey comentou sobre a decisão de deixar a Rússia, mesmo estando contaminado pela doença. "Recebi uma ligação de um dos supervisores do ATP. "Vocês não são mais bem-vindos para ficar no hotel. Dois médicos virão ao seu quarto, um para você e sua esposa, e um pediatra para seu bebê. E eles vão determinar se você estão sintomáticos ou não. Se estiverem sintomáticos, vocês três vão para um hospital por no mínimo duas semanas".

"Eu estava no viva-voz, então minha esposa começou a entrar em pânico. Obviamente não fiquei feliz com isso, porque nos sentimos seguros no hotel do torneio. Agora, teríamos dois médicos aleatórios vindo? Quem são esses médicos? Não tinha ideia de qual hospital eles eram e nem do que está acontecendo. E não conseguia obter nenhuma resposta", acrescentou o atual 56º colocado no ranking da ATP.

"A escolha mais fácil para nós era ficar no hotel na Rússia para a quarentena de 10 a 14 dias e depois voar para casa. Isso é o que eu queria fazer o tempo todo. E essa opção foi tirada de mim. É por isso que eu tive que fazer o que eu fiz", disse o norte-americano, que desmentiu a informação de que um apartamento de luxo teria sido oferecido para sua família cumprir a quarentena.

"Eu li que nos ofereceram um apartamento de luxo, mas não era verdade. Ofereceram-nos um apartamento, mas não me disseram onde era, como íamos conseguir comida, e o que aconteceria com esse apartamento que nos foi oferecido se esses médicos determinassem que nós três éramos sintomáticos", acrescentou o tenista, que não disputa nenhuma partida desde Roland Garros.

Querrey revelou que ele e sua família ficaram em Londres durante o período de quarentena. "Entrei em contato com um corretor de vôos e disse: 'Posso pegar um avião em, tipo, nove horas saindo de São Petersburgo para Londres?' Saímos do hotel no início da manhã para não sermos vistos, fomos direto para o terminal de jatos particulares em São Petersburgo e voamos para Londres. Foi um voo muito caro. Custou cerca de US$ 40 mil. E eu também tive que pagar por duas semanas de uma Airbnb em Londres".

Na minha opinião, não colocamos realmente ninguém em perigo. Ficamos quietos, usamos máscaras e fizemos tudo o que podíamos nessa jornada para minimizar a exposição a qualquer pessoa e, francamente, acho que fizemos um ótimo trabalho. Conversando com médicos [depois], eles disseram: 'Olha, vocês fizeram um ótimo trabalho. Eu não consigo simplesmente ver como vocês teriam repassado a doença para alguém durante aquela viagem'", afirmou o tenista de 32 anos. "Eu senti que, como pai e marido, há um elemento humano nisso. Eu tive que fazer o que eu acho que é certo. Eu não estava disposto a deixar nossa família ir para um hospital por pelo menos duas semanas onde estávamos".

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