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Chamado de 'novo Nadal', Carlos Boluda para de jogar
03/01/2021 às 16h52

Espanhol teve um início promissor como juvenil, mas não passou do 254º lugar do ranking da ATP

Foto: Reprodução/Instagram

Alicante (Espanha) - O espanhol Carlos Boluda-Purkiss decidiu encerrar sua carreira profissional aos 27 anos. Boluda ocupava apenas o 529º lugar do ranking da ATP e tinha como melhor marca da carreira a 254ª posição, alcançada em 2018. Vencedor de nove torneios profissionais de nível future e de apenas 17 jogos de challenger, ele teve uma carreira profissional muito aquém do que era projetado nos tempos de juvenil, quando chegou a ser chamado de "Novo Nadal".

As comparações com Rafael Nadal começaram quando Boluda era muito novo e venceu duas edições seguidas do tradicional torneio juvenil na categoria 14 anos Les Petis As, na França, em 2006 e 2007. Nadal já havia vencido a competição em 2000, com a mesma idade, enquanto Juan Carlos Ferrero triunfou em 1994. Mesmo no circuito juvenil de 18 anos da ITF, nunca passou do 21º lugar do ranking mundial.

Em uma sincera entrevista ao site espanhol Punto de Break, Boluda acredita que a decisão de parar de jogar foi "libertadora". "Tomei a decisão faz um mês e meio. Mas fazia muito tempo que eu carregava essas dúvidas. Dar este passo foi uma libertação. O bom é que mudei o chip muito rápido", disse Carlos Boluda, que teve que lidar com muitas lesões, trocas de técnico e dificuldades para se manter no circuito profissional. Isso o levou a um período de instabilidade emocional.

"Em fevereiro de 2019, passei um momento terrível. Precisei da ajuda de uma psicóloga. Talvez por toda a pressão que tive na carreira, pelas lesões, por todo o esforço que fiz para chegar ao 254º lugar, vendo que as pessoas não confiavam em mim. Tudo se juntou e eu desabei. Não sentia vontade de nada, nem de sair de casa", afirma o tenista espanhol, que deve seguir a carreira de treinador. Sua namorada, Nuria Perez-Diaz, joga profissionalmente e ocupa o 233º lugar no ranking da WTA.

 
 
 
 
 
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"Por toda a minha vida investi dinheiro no tênis, acho que é assim que deve ser feito, mas chega um momento que não dá mais", comenta o agora ex-jogador profissional. "Meu coração pode me pedir para jogar tênis, mas minha carteira não pensa o mesmo. Tenho sido muito honesto com meus pais e comigo mesmo. Sei que o meu melhor ranking foi o 254º lugar, sei o que é jogar no circuito Challenger e ver que estava faltando alguma coisa"

"O que posso dizer é que mesmo sendo o número 254 do mundo, eu não ganhava dinheiro. Nunca joguei tênis pensando em dinheiro. Mas é claro que em janeiro vou fazer 28 anos, e se vou continuar sem ganhar um euro, não sei se isso compensa todo o sacrifício", complementou o espanhol, que na última temporada só venceu três partidas de nível future.

Apesar das comparações com Nadal no início da carreira, Boluda não acredita que isso tenha sido um fator determinante para o seu desempenho em quadra. "No meu caso, acho que o que mais me atrapalhou foi o meu ambiente, apesar dessas comparações. A Espanha é um país que quando um atleta se destaca muito, logo é comparado a outro. Talvez eu não devesse ter sofrido com tanta pressão, mas acho que não teria mudado nada. O que mais influenciou minha carreira foram as más decisões que foram tomadas. Suponho que no final eu teria sido pressionado de forma diferente".

Ao elencar os responsáveis por atrapalhar sua evolução, o espanhol culpou um antigo empresário "São 70% para o meu entorno, principalmente para um empresário que eu tive. Essa pessoa foi a pior coisa que poderia ter acontecido comigo. Então eu colocaria 15% nas lesões e 15% em mim mesmo. Eu também tive muitos defeitos, mas o meu ambiente era horrível".

Futuro promissor para Alcaraz
Já sobre o promissor espanhol Carlos Alcaraz, de apenas 17 anos e já número 141 da ATP, Boluda acredita que o futuro reserva ótimos resultados. "Para começar, nunca haverá ninguém como o Nadal. O que posso dizer de Alcaraz é que ele tem um ambiente muito bom, Juan Carlos Ferrero é 10 como pessoa e como profissional".

"A primeira vez que falei com o Alcaraz foi em 2018, quando ele tinha 15 anos, mas já falavam bastante dele. Ele perdeu na segunda rodada da ITF Junior que acontecia na academia que eu treinava. Depois daquele jogo, eu o encontrei no vestiário e falei o básico: "Como foi, Carlos? Hoje as coisas não deram certo" A sua resposta foi a seguinte: 'Eu não treinei muito bem na semana passada e não me senti bem hoje, mas tudo bem, temos que aprender e continuar'".

"Eu, com 15 anos, fazia um drama quando perdia. As vezes demorava três dias eu para voltar a treinar e esquecer do jogo que havia perdido. Durante as primeiras horas, ninguém nem conseguia falar comigo. Esse menino tem algo especial e agora que os anos se passaram isso foi se confirmando".

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