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Wild aposta no preparo físico para seguir evoluindo
01/01/2021 às 08h08

Wild inicia a temporada jogando no piso duro, em busca de uma vaga em Melbourne

Foto: João Pires/Fotojump
por Mário Sérgio Cruz

A temporada de 2020 teve pontos bastante positivos para Thiago Wild. Atual número 2 do Brasil e 116º do ranking, o paranaense de apenas 20 anos comemorou seu primeiro título de ATP em Santiago, fez parte da equipe que enfrentou a Austrália pela Copa Davis e enfim disputou uma chave principal de Grand Slam no US Open. Por tudo isso, terminou o ano como um dos indicados ao prêmio da ATP de Revelação da Temporada.

Wild também apareceu em destaque em outra estatística de ano. Ele protagonizou e venceu a partida mais longa do circuito da ATP, considerando apenas aquelas disputadas em melhor-de-três sets. O jogo em questão foi uma vitória de Wild sobre o espanhol Alejandro Davidovich Fokina, na primeira rodada do Rio Open, que terminou com vitória brasileira, com parciais de 5/7, 7/6 (7-5) e 7/5 após 3h50 de disputa. Na ocasião, chegou a salvar três match points. 

Para seguir evoluindo em 2021 e buscar voos mais altos no circuito, Wild aposta na preparação física durante a pré-temporada que está fazendo no Rio de Janeiro com o técnico João Zwetsch. "Tenho focado mais no meu desenvolvimento físico e em alguns pontos específicos", disse ao TenisBrasil. Ele afirma que os bons resultados são "fruto de várias semanas de trabalho bem construídas". Segundo o tenista, "isso te coloca em um patamar físico de não precisar se preocupar se o teu rendimento ou se a tua intensidade vão cair. Você só precisa se concentrar e executar o que você tem planejado".

Número 2 do Brasil tenta acabar com série negativa
Na reta final do ano, entretanto, Wild encarou uma sequência negativa de resultados e sofreu sete derrotas seguidas, seis delas em estreias de torneios. Ele tenta reverter esse quadro já no início da temporada. Seu primeiro compromisso será o quali do Australian Open, excepcionalmente transferido para Doha e que acontece entre os dias 10 e 13 de janeiro. Depois, parte para o challenger de Istambul, na Turquia. Caso conquiste uma vaga na chave principal do Slam australiano, disputa a competição a partir de 8 de fevereiro.

"As derrotas fazem parte da carreira de um tenista. Todo mundo passa por momentos bons e ruins. E o meu final de ano não foi muito bom. Estou trabalhando para reverter essa situação já no começo do ano", afirmou o paranaense, que ainda busca a primeira vitória em Grand Slam e a chegada ao top 100, mas prefere não detalhar as metas que estabeleceu para si mesmo.

"Ainda não conversei com o João sobre isso. E mesmo quando eu tiver definido as metas, acho difícil expor isso em público. Mas com certeza, uma meta a curto prazo é voltar a jogar bem, encontrar o caminho de vitórias e me sentir bem na quadra de novo, como eu vinha me sentindo antes".

Confira a entrevista com Thiago Wild.

Durante a temporada você conseguiu ganhar um título em Santiago, disputou a Copa Davis, um Grand Slam e ficou perto do top 100. Qual avaliação que você faz desse ano, e o que você acha que precisa melhorar para dar outro salto?
Na verdade, eu acredito que esses resultados foram frutos de um período de trabalho muito bom. Eu consegui me fechar bem com a minha equipe e entrar numa vibe bem boa, não só dentro da quadra, mas fora também. E acho que isso me ajudou muito, principalmente na parte mental, que foi onde eu mais evoluí este ano.

Você fez algumas partidas muito longas este ano, inclusive a mais demorada do circuito da ATP contra o Fokina no Rio Open. Como você trabalha para tentar manter a intensidade, o nível de tênis e o de concentração nesses jogos, para evitar ter uma queda de rendimento que às vezes pode custar caro?
Como eu respondi na pergunta anterior também, isso também é fruto de trabalho e de uma alimentação correta. É o resultado de várias semanas de trabalho bem construídas, que te colocam em um patamar físico de não precisar se preocupar se o teu rendimento vai cair ou se a tua intensidade vai cair. Você só precisa se concentrar e executar o que você tem planejado.

Por ter sido um juvenil muito promissor, você teve que lidar desde muito cedo com pressão e expectativa. Você sente que depois do título em Santiago, quando passou a jogar mais vezes como favorito, aumentou essa cobrança de fora por resultados? Internamente, como você faz para bloquear esse tipo de situação para tentar focar apenas no que acontece em quadra?
Sim, eu fui um juvenil bastante bom. Tive bons resultados. E isso me impulsionou bem no profissional, mas também mostrou que eu tinha muita coisa para evoluir. Isso foi uma coisa boa e que me deu boas expectativas.

Eu já comecei, entre aspas, a minha carreira profissional como 300 e pouco do ranking. Que foi no ano de 2018 para 2019. Acho que consegui lidar bem com a pressão por sempre ter me concentrado bastante e sempre pensado que eu trabalhei para estar aqui. Então, nada mais justo que eu esteja nessa posição. Então é algo que você merece, e não algo que simplesmente acontece da noite para o dia.

Você termina o ano com seis derrotas seguidas em estreias. A que se deve essa sequência negativa? Foi uma questão física, mental... Você sente que os adversários conhecem mais seu estilo de jogo? Ou foi mais pelo acaso, de situações normais de jogo que acabam escapando nos detalhes? E nesse caso, o que fazer para evitar?
Na verdade, as derrotas fazem parte da carreira de um tenista. Todo mundo passa por momentos bons e ruins. E o meu final de ano não foi muito bom. Estou trabalhando para reverter essa situação já no começo do ano. E é o que eu acabei de dizer. Quando você trabalha bem, quando você merece alguma coisa, cedo ou tarde ela aparece.

Apesar de o calendário ainda não estar completo, como ficou o seu cronograma na pré-temporada? Onde você treinou e no que você focou a preparação?
Eu tenho feito a minha pré-temporada no Rio de Janeiro. O Thiago Monteiro está treinando aqui conosco, junto com o Pedro Sakamoto e o Gilbert [Klier Júnior], então tenho uma boa companhia de jogadores aqui. São pessoas com quem eu já treinei várias vezes durante alguns anos. O Monteiro, inclusive, treinava na mesma academia conosco e volta e meia está por aqui também. Eu tenho focado mais no meu desenvolvimento físico e em alguns pontos específicos que eu prefiro não citar agora.

Quais são suas metas a curto e médio prazos pra 2021?
Eu não tenho metas de ranking estipuladas ainda. Não conversei com o João sobre isso. E mesmo quando eu tiver definido, acho difícil expor isso em público. Mas com certeza, uma meta a curto prazo é voltar a jogar bem, encontrar o caminho de vitórias, e me sentir bem na quadra de novo, como eu vinha me sentindo antes.

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