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Há 20 anos, Guga vencia Sampras e chegava à final
02/12/2020 às 07h44

Mesmo tendo perdido o primeiro set, Guga esbanjava confiança para conseguir a virada

Foto: Arquivo
por Mário Sérgio Cruz

Depois de duas vitórias e uma derrota na fase de grupos da Masters Cup de 2000, Gustavo Kuerten chegava à semifinal da competição sonhando não apenas com o título inédito, mas também com a liderança do ranking. Para se tornar o número 1 do mundo, Guga teria que vencer o torneio e torcer para que o então primeiro colocado Marat Safin não chegasse à final. Em 2 de dezembro daquele ano, o brasileiro tinha a missão de superar o norte-americano Pete Sampras, enquanto a outra semi tinha Safin contra o invicto Andre Agassi.

Guga vinha de duas derrotas para Sampras
Diante de Sampras, o Guga vinha de duas derrotas. A primeira aconteceu na Masters Cup do ano anterior, disputada na Alemanha. "Na primeira vez que eu enfrentei o Sampras, eu estava tão nervoso que eu esqueci de aquecer o voleio antes da partida. Nunca fiz isso na minha vida, nem como juvenil. Eu já era 5 do mundo e morri igual peru na véspera de Natal. Não deu nem jogo", comentou Guga em depoimento aos jornalistas na última terça-feira, relembrando a derrota de 1999 por 6/2 e 6/3.

Já em março de 2000, o norte-americano havia vencido de novo, mas em um duelo de quase quatro horas na final de Miami. "Eu perdi a final de Miami para o Sampras no detalhe. Foram quatro horas de jogo, com chances de ganhar, tiebreak para todo lado. Aí percebi que o cara era de verdade, um ser humano, faltou o mínimo para vencê-lo. Eu tenho a chance e está aqui a prova disso", explica sobre o duelo, que terminou com parciais de 6/1, 6/7 (2-7), 7/6 (7-5) e 7/6 (10-8).

Vitória de virada e com muita confiança
No duelo com Sampras em Lisboa, Guga começou novamente atrás no placar. Mas o histórico negativo não abalava o brasileiro, que esbanjava confiança. "Eu tinha convicção plena de que eu ia vencer o Sampras, mesmo perdendo o primeiro set por 7/6 numa quadra coberta e com um cenário mais favorável para ele. Eu estava inabalável".

"Na minha cabeça, eu pensava: 'Eu vou vencer, eu sei como vencer. As bolas estão todas dentro do meu esquema de jogo'. E parecia que eu já tinha feito aquilo mil vezes. Até ouvi o depoimento do João Lagos, diretor do torneio, que dizia que parecia que eu era o veterano e ele era o garoto", complementou Guga, que virou o placar e venceu por 6/7 (5-7), 6/3 e 6/4.

O comentário do recente depoimento corrobora com o que ele escreveu na biografia Guga, um brasileiro (Sextante, 2014). "No intervalo, sentado no banco e mordendo a toalha, eu estava irreconhecível. Era a personificação da calma. Sabia que estava jogando melhor do que ele e o pior já havia passado. O grau de confiança era tão grande que chegava a ser absurdo. Mesmo perdendo o primeiro set para um dos maiores tenistas da história, eu tinha plena convicção de que a partida seria minha".

Reencontro com Agassi na final
A outra semifinal do torneio terminou com uma tranquila vitória de Andre Agassi sobre Marat Safin por duplo 6/3. Com isso, Guga estava a uma vitória de assumir a liderança do ranking. De quebra, teria uma oportunidade de revanche contra o norte-americano, para quem havia perdido na fase de grupos. Na entrevista coletiva antes da final, o brasileiro foi perguntado sobre o plano tático para o duelo.

"Vou tentar fazer tudo o que puder. Vou bater forte na bola. A tática vai depender de como eu me sentirei amanhã e das minhas emoções. Isso é o que envolve uma final. Vou ter que viver o momento e decidir de acordo com o que estiver sentindo na hora do jogo", comentou Guga, antes de conseguir a tão sonhada revanche.

Especial: 20 anos do Número 1
Em comemoração aos 20 anos da chegada de Gustavo Kuerten ao topo do ranking da ATP, TenisBrasil recorda toda a campanha na Masters Cup de 2000 nos mesmos dias em que cada partida aconteceu até o título no dia 3 de dezembro e sua confirmação como número 1 do mundo no dia seguinte. Também estão previstos depoimentos do ídolo do tênis brasileiro sobre um dos momentos mais marcantes de sua vitoriosa carreira.

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