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Cornet: 'Rio quando falam em igualdade de gênero'
12/11/2020 às 09h07

Paris (França) - A francesa Alizé Cornet não mediu palavras em entrevista ao L'Equipe, na qual falou sobre o exíguo calendário da WTA nesta reta final de temporada. Ela ponderou que a dependência do dinheiro asiático fez com que as tenistas ficassem praticamente sem torneios para disputar depois de Roland Garros e lamentou a situação pela qual passa o circuito feminino.

“Estamos sofrendo muito, principalmente porque dependemos de muito dinheiro da Ásia. Se bem entendi, o Finals em Shenzhen ainda representa 50% das finanças da WTA. É colossal. Como o torneio não acontece e toda a Ásia estará de portas fechadas até março, estamos tentando sobreviver”, pontuou a francesa de 30 anos e atual 53 do mundo.

“Os pequenos torneios femininos não são muito lucrativos e como todos estão em dificuldade, é muito difícil fazer esses eventos sobreviverem. Meu coração dói quando olho e comparo o calendário dos meninos com o das meninas. Quando falamos sobre igualdade de gênero, eu dou risada”, disparou Cornet.

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Apesar de reclamar da ausência de torneios e apontar a dependência asiática, a francesa também fez um contraponto. “Isso é um erro ou os líderes do WTA não têm escolha? Eu realmente não sei, ainda mais quando você tem ofertas tão interessantes de um continente. O trabalho deles é trazer o dinheiro para garantir que as jogadoras ganhem a vida”, observou.

“O último WTA Finals foi histórico e pagou mais do que o Finals da ATP. É difícil rejeitar essas ofertas para o WTA. Estamos muito felizes por ter esse prêmio. Se o circuito fosse apenas na Europa ou nos Estados Unidos, eles nos pagariam muito menos, isso é uma faca de dois gumes”, complementou a francesa.

Questionada sobre a ideia de unificação dos circuitos, ela contou não saber como andam as tratativas. “Ainda está nos planos? Não ouvi mais nada. Começou com uma boa intenção, mas pareceu um flash solto. Conversamos sobre isso, Steve Simon estava muito feliz e depois nada. Talvez eles estejam trabalhando nisso nas sombras e não sabemos”.

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