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Sharypova detalha e reforça acusação contra Zverev
05/11/2020 às 17h21

Zverev e Sharypova namoraram durante 13 meses, entre setembro de 2018 e outubro do ano pasado

Foto: Arquivo

Nova Jersey (EUA) - Pouco mais de uma semana após tratar do tema pela primeira vez em suas redes sociais, a modelo e ex-tenista juvenil Olga Sharypova deu uma entrevista à revista norte-americana Racquet sobre a acusação de que o alemão Alexander Zverev, atual número 7 do mundo, a agrediu fisicamente. Em seu relato, Sharypova contou com detalhes sobre alguns episódios de violência. Ela e Zverev se conhecem desde adolescentes e namoraram por treze meses, entre setembro de 2018 e outubro do ano passado.

"A primeira vez que ele me agrediu foi em Mônaco, no apartamento dele. Eu queria sair porque nós tivemos uma briga muito grande. Eu estava de pé no corredor e ele bateu a minha cabeça na parede. Depois ele disse que não tinha feito aquilo e que eu havia batido nele primeiro. Eu apenas dizia: 'O quê? Estou no chão, do que você está falando?' Esta foi a primeira situação", disse Sharypova, de 23 anos, em relato ao jornalista Ben Rothenberg. A entrevista foi conduzida em Nova Jersey, onde ela mora atualmente.

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A modelo também apresenta relatos de violência psicológica e de um comportamento abusivo por parte do alemão. "Acho que é importante dizer que não havia apenas a violência física, mas também violência emocional. Foi muito difícil. Ele era muito tóxico e me dizia coisas terríveis como 'Você não é ninguém' ou 'Você nunca ganhou nada na vida. Eu sou uma pessoa de sucesso, eu ganho dinheiro, mas você não é ninguém'".

"Sempre que eu queria terminar e parava de falar com ele ou o colocava na lista de bloqueio do meu telefone, ele ainda entrava em contato comigo por meio de meus amigos ou familiares", comenta a russa.

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O relato mais grave de violência teria acontecido em setembro do ano passado, em um quarto de hotel em Genebra, durante a disputa da Laver Cup. A russa conta que, na ocasião, tentou até se matar com remédios.

"Tivemos uma outra briga e ele me deu um soco na cara pela primeira vez", disse ela. "Em outras brigas ele estava me empurrando, torcendo meus braços ou me sufocando. Mas esta foi a primeira vez que ele me deu um soco. Realmente me deu um soco. É muito difícil falar sobre isso, porque foi realmente um inferno".

"Depois dessa briga, ele saiu do quarto e eu estava morrendo. Eu estava morrendo emocionalmente. Eu não queria mais viver. Sempre escutei dele que sou uma pessoa ruim, não merecia nada e pensei: 'Se eu sou uma pessoa tão ruim e ninguém se importa comigo, por que estou vivendo?'

"Não fiquei com medo, porque não aguentava mais. Ele voltou para o quarto e eu estava no banheiro, com a porta trancada, apenas esperando o remédio fazer efeito. Ele entendeu o que eu fiz e começou a me implorar para abrir a porta", relata a russa. Ela diz que Zverev retornou ao local com uma pessoa do torneio que a convenceu a abrir a porta para oferecer o tratamento médico.

Segundo a reportagem, Sharypova tem fotos com hematomas em braço e no rosto e o print de uma conversa que teve com um amigo pelas redes sociais, onde a pessoa pergunta: "O que é isso" e ela responde "Este é o Sascha". Há também registros de algumas conversas em russo por um aplicativo de mensagem, onde ela pede socorro. A matéria original também recuperou uma imagem dos pertences da modelo revirados no corredor de um hotel em Nova York, em outro episódio que ela já havia relatado anteriormente.

Russa explica por que não apresentou queixa
Sharypova não apresentou queixa e me disse que não planeja qualquer tipo de justiça criminal ou civil pelo que diz que Zverev fez com ela, porque "não quer nada dele". Seu único objetivo é ajudar outras pessoas que possam estar em situações semelhantes a encontrar forças e resiliência para sobreviver.

"Quero mostrar a todos que é possível ter um final feliz. Porque eu não queria viver no ano passado, mas agora estou sentada com você, contando a história. Muitas pessoas têm medo medo de falar. Elas querem gritar, mas estão em silêncio. Elas querem correr, mas não conseguem. Só quero que as pessoas entendam que a vida é muito curta e que você deve aproveitá-la. Isso é tudo."

ATP e agentes de Zverev se manifestam
A reportagem da Racquet entrou em contato com Tony Godsick, da agência Team8 que cuida da carreira de Zverev. A resposta, entretanto, veio em nome de Bela Anda, relações-públicas e especialista em gerenciamento de crise.

"Como você sabe, Alexander divulgou um comunicado no Instagram na semana passada e ele mantém essa declaração. Zverev e Sharypova se conhecem desde a infância e tiveram um relacionamento, que terminou há muito tempo. Ele lamenta que a Srta. Sharypova continue a alimentar o público sem ter falado com ele. Ainda estamos trabalhando para alcançar um diálogo razoável e respeitoso, como Alexander mencionou em sua declaração original".

A ATP também foi procurada, mas respondeu apenas com um trecho do livro de regras da entidade, reforçando que: "Uma obrigação dos jogadores ATP é a de não se envolver em conduta contrária à integridade do jogo de tênis, o que pode incluir acusações criminais ou simplesmente se comportar de maneira gravemente prejudicial à reputação do esporte".

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