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Nadal arrasa Djokovic e conquista o 20º Grand Slam
11/10/2020 às 12h51

Nadal venceu seu centésimo jogo em RG e iguala o recorde de títulos de Grand Slam de Roger Federer

Foto: FFT

Paris (França) - Quem esperava por um confronto equilibrado entre os dois primeiros colocados do ranking na final de Roland Garros acabou presenciando uma atuação de gala de Rafael Nadal. O Rei do Saibro voltou a brilhar em Paris e conquistou o 13º título no torneio e o 20º Grand Slam de sua vitoriosa carreira. Em apenas 2h41, Nadal foi amplamente superior a Novak Djokovic e venceu a disputa com parciais de 6/0, 6/2 e 7/5.

Recordista de títulos de Roland Garros, Nadal também iguala os 20 títulos de Slam do rival Roger Federer. O espanhol está com 34 anos, enquanto completou 39 em agosto. Já Djokovic, atual número 1 do mundo, está com 33 anos e permanece com 17 conquistas em torneios deste porte.

A vitória deste domingo foi a 27ª de Nadal em 56 confrontos contra Djokovic. A rivalidade entre eles é a com maior número de partidas na Era Aberta do tênis masculino. O sérvio tem uma ligeira vantagem, com 29 triunfos no total. Em nove finais de Grand Slam entre eles, Nadal agora passa à frente, com 5 a 4. No saibro, amplo domínio do espanhol, com 18 vitórias e apenas sete derrotas.

Cem vitórias em Paris e 999 na carreira

Nadal chega à sua centésima vitória no saibro de Roland Garros em 102 jogos disputados. As derrotas aconteceram para Robin Soderling em 2009 e para o próprio Djokovic em 2015. O espanhol tem 16 participações no torneio, mas em 2016 ele acabou desistindo antes de entrar em quadra para enfrentar o espanhol Marcel Granollers pela terceira rodada, em virtude de uma lesão no punho esquerdo. Além disso, o canhoto de Mallorca tem agora 999 vitórias na carreira, podendo alcançar a milésima no próximo torneio que disputar.

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Pela quarta vez na carreira, Nadal conquista Roland Garros sem perder sets, repetindo o que fez nas campanhas de 2008, 2010 e 2017. Ele é o primeiro jogador na Era Aberta a ganhar quatro Grand Slam sem perder sets. Em segundo lugar aparece Bjorn Borg, com três títulos (dois em Roland Garros e um em Wimbledon), seguido por Roger Federer com dois.

O título de Roland Garros rende uma premiação de 1,6 milhão de euros, ou US$ 1,9 milhão. Dono de 86 títulos no circuito da ATP, Nadal já recebeu mais de US$ 121 milhões em premiações de torneios. Já Djokovic recebe 800 mil euros, o equivalente a US$ 950 mil. Recordista em premiação acumulada na carreira, o sérvio já tem mais de US4 144 milhões.

Djokovic segue como número 1 do mundo

Mesmo com a derrota, Djokovic irá ampliar sua diferença na liderança do ranking da ATP. Isso porque Nadal apenas mantém os 2 mil pontos conquistados no ano passado, e permanece com os 9.850 que tem no total. Já Djokovic melhorou sua campanha em relação a 2019, quando foi semifinalista. Assim, em vez dos 720 pontos do ano passado, ele ficará com 1.200 e chegará a 11.740 no total. O sérvio começou o torneio com 288 semanas como número 1 do mundo e tenta igualar o recorde de 310 de Roger Federer. Essa marca pode ser alcançada em março do ano que vem.

Djokovic tem agora 37 vitórias e apenas duas derrotas em 2020. O sérvio foi campeão do Australian Open, em Dubai, dos Masters 1000 de Roma e Cincinnati, e também ajudou seu país a ser campeão da ATP Cup em janeiro. Na ocasião, a Sérvia venceu a Espanha de Nadal na decisão. A outra derrota de Djokovic veio por desclassificação nas oitavas de final do US Open, depois que ele acertou a bola em uma árbitra de linha. O espanhol Pablo Carreño Busta foi declarado vencedor da partida e Djokovic foi expulso do torneio e perdeu toda a premiação, como manda o regulamento.

Brasileiro atuou como árbitro de linha
A final de Roland Garros teve presença brasileira em quadra, com o árbitro de linha Weverton Leão, vindo do projeto social Bola Dentro, de São Paulo. Já o árbitro de cadeira foi o experiente francês Damien Dumusois, que já havia atuado na final do Australian Open deste ano, em que Djokovic venceu o austríaco Dominic Thiem em janeiro.

Jogo começou com teto fechado
Pela primeira vez na história, a final de Roland Garros foi disputada com quadra coberta. Minutos antes de o jogo começar, a organização do torneio anunciou o fechamento do teto retrátil do estádio Philippe Chatrier. A estrutura foi inaugurada este ano e possibilita a realização de jogos em dias de chuva, um problema histórico no Grand Slam francês. Além disso, havia previsão de um tempo instável no domingo.

Com jogos disputados em outubro, e não em junho como de costume, o Grand Slam francês teve temperaturas mais baixas e condições de quadra ainda mais lentas. Nesse caso, o teto acabou minimizando um pouco esse impacto, com menor influência do vento e menos resistência do ar. 

Condições atípicas este ano
De um modo geral, a edição 2020 de Roland Garros apresentou muitas novidades. Além de uma mudança na época da disputa, em razão da pandemia da Covid-19, apenas mil torcedores foram permitidos por dia. Foi também o primeiro ano com jogos noturnos em Paris. Além disso, houve uma mudança no fornecedor de bolas para o torneio, uma decisão que não havia agradado Nadal.

Pneu, mesmo com set longo
Apesar do placar elástico no primeiro set, Djokovic não jogou tão mal, mas foi Nadal quem sempre achou as melhores soluções nos pontos importantes. O espanhol surpreendeu com grande angulação com o backhand e sacou muito melhor, enquanto o sérvio tentou usar paralelas em alguns momentos, mas por vezes pareceu estar mal posicionado e deixou de aproveitar até bolas mais curtas. Foi apenas o segundo 'pneu' que Nadal obteve sobre o rival nos 56 duelos.

A parcial durou 45 minutos e teve algumas estatísticas equilibradas. Eles protagonizaram 43 ralis com mais de nove trocas de bola, com 23 a 20 para Nadal. Djokovic criou três break points, mas não os aproveitou, e também colocou apenas 42% de primeiros serviços em quadra, dando margem para Nadal atacar nas devoluções e conseguir suas três quebras. Diferença significativa também nos erros não-forçados, 13 para o sérvio e apenas dois para o espanhol. No total de pontos, 32 a 19 para o campeão do torneio.

Sérvio demorou 55 minutos para fazer um game
Djokovic só saiu do zero no placar depois de 55 minutos de jogo, salvando três break points no game de abertura do segundo set. Mas o sérvio continuava tendo o saque constantemente pressionado e não demorou para que Nadal conseguisse duas novas quebras consecutivas para fazer 5/1 no placar e administrar a vantagem até o fim do set. Mais uma vez, Djokovic conseguiu um número maior de winners, 14 a 11, mas cometeu 17 erros não-forçados contra apenas 4 de Nadal. Além disso, o espanhol não enfrentou break points e cedeu apenas sete pontos em seus games de serviço. 

O domínio de Nadal continuava no início do terceiro set e depois que ele quebrou de zero o saque de Djokovic para fazer 3/2, a vitória parecia questão de tempo. O número 1 do mundo reagiu de imediato e conseguiu quebrar o saque do espanhol pela primeira vez no jogo. Vibrou bastante pelo feito e ganhou confiança. Com o placar empatado por 4/4, Djokovic salvou um break point apostando no saque e voleio e ganhou confiança. Entretanto, dois games mais tarde, o sérvio foi quebrado com uma dupla-falta. Sacando para o jogo, Nadal não deixou a oportunidade escapar e disparou um ace para confirmar a vitória em sets diretos e o vigésimo Grand Slam da carreira. 

Djokovic terminou o jogo com um número maior de winners, 38 a 30, mas cometeu 51 erros não-forçados contra apenas 14 de Nadal. O espanhol venceu 106 pontos contra 78 do sérvio. Nos break points, Djokovic teve cinco chances, mas só conseguiu uma quebra. Já Nadal criou 18 oportunidades e aproveitou sete delas.

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