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Djokovic triunfa em 5 sets e volta à final em Paris
09/10/2020 às 17h32

Aos 33 anos, o sérvio segue em busca do segundo título em Paris e do 18º Grand Slam

Foto: Cédric Lecocq/FFT

Paris (França) - A segunda semifinal masculina de Roland Garros se encaminhava para uma vitória bastante tranquila de Novak Djokovic. Mas o número 1 do mundo, que dominava o confronto contra o grego Stefanos Tsitsipas e teve um match point para definir o jogo em sets diretos, viu o rival reagir no fim da terceira parcial e equilibrar as ações. Ainda assim, o sérvio conseguiu confirmar seu favoritismo e vencer em cinco sets, com parciais de 6/3, 6/2, 5/7, 4/6 e 6/1 em 3h54 de partida nesta sexta-feira.

Campeão de Roland Garros em 2016 e vencedor de 17 títulos de Grand Slam, Djokovic alcança sua 27ª final de Slam e a quinta em Paris. Além da conquista contra Andy Murray há quatro temporadas, o sérvio de 33 anos perdeu duas finais para Rafael Nadal, em 2012 e 2014, e outra para Stan Wawrinka em 2015.

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No próximo domingo, Djokovic e Nadal farão um novo duelo. A rivalidade entre eles é a com maior número de confrontos na Era Aberta do tênis masculino. O sérvio lidera o histórico de partidas contra o espanhol por 29 a 26. No saibro, Nadal tem 17 vitórias e apenas sete derrotas.

Outro ponto interessante na disputa entre Djokovic e Nadal é busca pelo recorde de títulos de Grand Slam. Doze vezes campeão de Roland Garros, o espanhol precisa de mais uma vitória para igualar o recorde de 20 títulos, que atualmente pertence a Roger Federer. De quebra, ampliaria sua vantagem no número de títulos em relação ao sérvio.

Sérvio se mostrou recuperado dos problemas físicos
Uma boa notícia para o sérvio foi que ele não deu sinais dos problemas físicos que o incomodaram no duelo das quartas de final, contra o espanhol Pablo Carreño Busta na última quarta-feira. Há dois dias, ele entrou em quadra com uma proteção no pescoço, que também foi utilizada em alguns treinos, e também se queixou de dores no ombro, sem especificar o problema.

Djokovic mantém seu incrível aproveitamento na temporada. O jogador de 33 anos venceu 37 dos 38 jogos que disputou em 2020. A única derrota aconteceu por desclassificação nas oitavas de final do US Open, depois de acertar a bola em uma árbitra de linha ainda no primeiro set da partida contra Pablo Carreño Busta. O sérvio já ganhou quatro títulos na temporada, no Australian Open, em Dubai, e nos Masters 1000 de Roma e Cincinnati, além de ter ajudado seu país a vencer a ATP Cup.

Já Tsitsipas disputou uma semifinal de Grand Slam pela segunda vez em sua carreira profissional. Ele repetiu o resultado que havia tido no Australian Open da temporada passada. O jogador de 22 anos poderia se tornar o mais jovem finalista de Grand Slam desde o título de Juan Martin del Potro no US Open de 2009, com apenas 20 anos. Também tentava ser o primeiro grego em uma final de torneios deste porte.  

Sérvio escapou de alguns break points no início 
Embora tenha escapado de quatro break points logo no game de abertura, Djokovic não demorou para estabelecer um rápido domínio na partida. O sérvio conseguiu uma quebra logo no game seguinte, no único break point que teve na parcial, e já abriu 3/0.

Tsitsipas precisou se esforçar para enfim sair do zero, já que tinha dificuldades para lidar com o ritmo imposto por Djokovic do fundo de quadra. Mais uma vez, as curtinhas do sérvio vinham funcionando muito bem. O grego teve uma chance de devolver a quebra no sétimo game, mas não aproveitou. Na sequência, o número 1 do mundo definiu o set em seu saque.

Assim como foi no set inicial, Djokovic começou a segunda parcial do jogo salvando dois break points. Naquele momento, já havia escapado de sete chances de quebra na partida. Com o placar empatado por 2/2, Tsitsipas chegou a ter 40-0 num game, mas foi quebrado depois de errar dois smashes seguidos. A situação praticamente se repetiu dois games mais tarde, já que o grego teve outro 40-0 e de novo não aproveitou.

Tsitsipas salvou match point no terceiro set
O roteiro das parciais anteriores se repetiu no início do terceiro set, com Djokovic novamente salvando um break point. O sérvio trabalhou o ponto com tranquilidade e eficiência e finalizou com forehand cruzado, aumentando a frustração do grego, que não conseguia nenhuma quebra de serviço, mesmo com oito chances perdidas. Depois disso, o número 1 do mundo vinha confirmando seus games sem correr riscos.

A pressão sobre o saque de Tsitsipas já começou no 3/3, quando o sérvio aplicou uma ótima passada e ainda contou com erro do rival para colocá-lo em um perigoso 15-30. O grego conseguiu escapar, mas voltaria a ter o serviço ameaçado dois games mais tarde, após mais uma ótima curtinha do sérvio, e não resistiu. Sacando para o jogo, o número 1 do mundo teve que salvar mais dois break points e teve um match point, mas Tsitsipas enfim conseguiu a quebra em sua 11ª oportunidade na partida. Dois games mais tarde, o grego voltaria a quebrar com um ótimo winner na paralela.

O momento da partida ficou ainda melhor para Tsitsipas depois que ele conseguiu uma quebra no início do quarto set para abrir 2/0 na parcial, com cinco games seguidos no jogo. Mas Djokovic logo devolveu a quebra e recuperou a confiança. Com o placar empatado por 2/2, Tsitsipas conseguiu escapar de três break points. Na virada de lado, ele pediu atendimento para algum desconforto muscular, como já havia acontecido em fases anteriores do torneio, mas tomou apenas um comprimido e voltou à quadra.

Dois games mais tarde, Tsitsipas teve o serviço outra vez muito ameaçado e escapou de outras quatro chances de quebra. O grego vinha jogando com coragem, corria riscos, e apostava com sucesso nos backhands na paralela. A história se repetiu no 4/4, quando o jovem de 22 anos salvou um break point com um ace antes de manter o saque. Logo depois, o grego conseguiu mais uma quebra de serviço e forçou o quinto set. 

Sérvio sofreu apenas uma virada após 2 a 0
Com a reação de Tsitsipas, um fantasma de dez anos atrás voltava a assombrar Djokovic. O sérvio só havia sofrido uma virada depois de abrir 2 sets a 0 de vantagem em um Grand Slam. Isso aconteceu na semifinal de 2010 em Paris, diante de Jurgen Melzer, num jogo que o sérvio tinha apenas 23 anos e já cogitava encerrar a carreira após a dura derrota.

Mas Djokovic soube dosar melhor a parte física e mental para o set decisivo. O sérvio parecia muito mais inteiro que Tsitsipas e rapidamente estabeleceu um domínio das ações. Ele conseguiu uma quebra cedo para fazer 2/1 e contou com duplas-faltas do grego para ampliar a vantagem para 4/1. O número 1 do mundo não teve mais o serviço ameaçado e, com um winner de devolução, consolidou a difícil vitória em cinco sets.

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