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Swiatek vai se acostumando a jogar como favorita
07/10/2020 às 14h15

Depois de bater Halep, Swiatek tornou-se favorita contra rivais das quartas e semis

Foto: Cédric Lecocq/FFT

Paris (França) - Semifinalista de Roland Garros, Iga Swiatek vai se acostumando aos poucos com a condição de favorita. Algoz da número 2 do mundo Simona Halep nas oitavas, a polonesa de apenas 19 anos e 54ª do ranking viu sua situação mudar radicalmente por conta das várias surpresas em seu lado da chave. Ela superou nas quartas a italiana Martina Trevisan, 159ª colocada, e encara na semi a argentina Nadia Podoroska, número 131 do mundo. Para lidar com o favoritismo, a polonesa tem feito um trabalho específico com a psicóloga esportiva Daria Abramowicz.

"No começo eu senti um pouco mais de pressão. Depois que venci a Simona, não sou mais uma zebra", explica Swiatek, depois da vitória por 6/3 e 6/1 sobre Trevisan na última terça-feira. "Conversei com Daria sobre isso, mas mantive minha mentalidade das partidas anteriores. Eu fui apenas me concentrando no tênis, e não que eu estava jogando nas quartas de final e nem que estava enfrentando uma menina com ranking mais baixo".

"Tive que me aquecer três vezes antes do jogo. Martina passou pela mesma situação, mas tudo bem", comenta a polonesa, lembrando que o jogo anterior na quadra Philippe Chatrier havia durado mais de cinco horas. "Eu estava muito nervosa, mas sabia que minha adversária também poderia estar porque era a primeira partida dela na Philippe Chatrier. Eu me lembro do ano passado, quando joguei minha primeira partida aqui e foi horrível (sorrindo)".

A jovem jogadora diz ainda que já sabia que dificilmente repetiria o nível de atuação da maior vitória de sua carreira e tentou se adaptar. Até porque, foi seu primeiro jogo noturno no torneio e a quadra fica ainda mais lenta. "Eu sabia que não faria um jogo tão perfeito como o que eu fiz contra a Simona. É impossível manter esse nível de consistência, sabia que iria cometer alguns erros no início por causa das condições. Estava ventando bastante e era difícil para jogar. Mas apenas mantive os pés no chão e o pensamento positivo. Queria ser agressiva desde o início para poder dominar os pontos e fiz isso muito bem".

Swiatek conta que tem mantido contato com Naomi Osaka e que a recente conquista da japonesa no US Open serve de inspiração. "Fico feliz que ela esteja assistindo às minhas partidas. É claro que o título dela no US Open me inspira, porque nos torneios anteriores, quando eu estava assistindo aos jogos dela, eu sentia que ela poderia jogar muito melhor. E então, no US Open, senti como se ela tivesse voltado ao seu melhor nível de tênis. Isso foi inspirador. Também sei que às vezes posso fazer melhor. Naomi é um bom exemplo de uma jogadora que apenas fez o trabalho certo e o resultado foi o efeito disso".

Mesmo sendo uma juvenil de destaque, teve poucos convites
Apesar de ter sido uma juvenil de destaque, com direito a um título de Wimbledon da categoria em 2018, Swiatek sempre teve que batalhar para disputar os grandes torneios do tênis profissional. Em toda sua carreira recebeu apenas cinco convites, e só para torneios do circuito da ITF, mas diz que a situação a fortaleceu. Quatro desses eventos tinham premiação entre US$ 10 mil e US$ 25 mil e o mais recente foi um ITF de US$ 80 mil em Praga, há dois anos.

"No começo, era muito chato, mas tive que aceitar que se você é de um país pequeno, da Europa Central ou Leste Europeu, pode ser um pouco mais difícil conseguir convites, porque não temos grandes torneios na Polônia e a federação não pode trocar convites com outros países. Assim que aceitei isso, percebi que seria muito melhor se eu merecesse as vagas e apenas continuei trabalhando. Eu sabia que se jogasse bem, não importava se tivesse que jogar o quali, eu conseguiria os pontos no ranking. Sabia que se eu fosse top 50 estaria na chave de qualquer torneio que eu quisesse. Continuei trabalhando duro. No começo era muito chato, mas depois eu não me importei".

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