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50 anos da WTA: estrelas agradecem ao 'Original 9'
23/09/2020 às 17h42

Nova York (EUA) – O tênis feminino comemora nesta quarta-feira os 50 anos de fundação da Associação de Tênis Feminino (WTA) pelo idealismo de um grupo de nove jogadoras, lideradas por Billie Jean King. Mulheres que colocaram em risco suas carreiras no esforço de tentar a igualdade de premiação com o tênis masculino. Elas iniciaram seu próprio torneio profissional e acabaram por estabelecer seu próprio circuito.

King, as colegas americanas Rosie Casals, Peaches Bartkowicz, Nancy Richey, Julie Heldman, Valarie Ziegenfuss, Kristy Pigeon e as australianas Judy Tegart Dalton e Kerry Melville Reid - as Original 9 – boicotaram o Pacific Southwest Championships, em Los Angeles, que pagava ao campeão US$ 12.500 e para a campeã, apenas US$ 1.500. E organizaram seu próprio torneio em Houston, o Virginia Slims Invitational.

 
 
 
 
 
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Today we celebrate all the members of the #Original9! 🎥: @tennischannel

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O Grupo das 9 assinou contratos simbólicos de 1 dólar com a fundadora e editora da revista “World Tennis”, Gladys Heldman, e tiraram foto juntas para anunciar a decisão em 23 de setembro de 1970, em Nova York. O torneio de Houston não teve aprovação oficial e elas foram ameaçadas de não participar dos torneios de Grand Slams e da Fed Cup. “Havia muito em jogo”, disse Rosie Casals, a campeã do torneio.

Cinco décadas depois, o circuito feminino fundado pelo “Original 9” tem sido plataforma de implementação de avanços não só no tênis, mas também de lutas pela igualdade de premiação, de gênero e contra o racismo.

Elas contataram todas as mulheres que jogavam competitivamente, entre elas a australiana Margaret Court, que não aceitou o convite para se juntar ao grupo, diante de tantas incertezas, assim como tantas outras.



“Nós éramos as únicas que queriam aproveitar a chance. Conversávamos sobre algo que iria mexer com as velhas bases”, relembra Casals. Apesar dos temores, as nove foram em frente. “Nós queríamos, não nos importávamos.”

Julie Heldman estava tão comprometida com a causa que, mesmo com o cotovelo lesionado, disputou um ponto no torneio para deixar claro a sua posição. Para terem êxito, elas acreditavam que precisavam contar com o apoio de Gladys Heldman, mãe de Julie e editora da “World Tennis”, que tinha boas relações com os grandes patrocinadores do tênis. Um deles era  Joseph Cullman III, executivo da Phillip Morris, que deu US$ 5 mil para custear o evento. Heldman também era membro do Houston Racquet Club  e conseguiu que o clube sediasse o torneio.

Na final, Casals derrotou Dalton, de virada, por 5/7, 6/1 e 7/5 e ganhou US$ 300 a mais que Stan Smith, o campeão do Pacific Southwest Championships que elas boicotaram. As retaliações não tardaram. Depois do torneio, as mulheres foram suspensas pelos órgãos dirigentes do tênis, e Dalton e Reid, as duas australianas, perderam seus patrocinadores. “Elas pagaram um bom preço por irem contra sua associação”, disse Casals.

Mas após o torneio de Houston, jogadoras de todo o mundo queriam se juntar às nove pioneiras. Isso levou a uma turnê de oito eventos, o Virginia Slims Circuit, no final de 1970. Em 1971, com mais de 30 mulheres adicionais na turnê de 19 eventos, ele se tornou o primeiro circuito exclusivo para mulheres durante todo o ano.

Em 1971, Billie Jean King faturou US$ 117.000 e se tornou a primeira atleta feminina em qualquer esporte a ganhar uma renda de seis dígitos.

Desde então, a WTA obteve premiação igual à da associação masculina – ATP - e agora oferece 55 torneios em 29 países e US$ 179 milhões em prêmios anuais. De acordo com a Forbes, nove das dez atletas mais bem pagas do sexo feminino em 2020 são tenistas. Mais importante do que apenas o dinheiro, diz King, é a igualdade que foi alcançada no esporte e a plataforma que a WTA agora oferece.

“Às vezes, você precisa de alguém, ou de um grupo de mulheres, pessoas fortes, para se levantar”, disse Serena Williams, no US Open deste ano. “Elas se levantaram pelas gerações futuras e isso exige muita humildade e muita coragem. Sou muito agradecida.”

 

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Suzana Silva