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Famílias das vítimas de racismo apoiam Osaka
09/09/2020 às 17h26

Osaka preparou sete máscaras com os nomes de vítimas de racismo, violência policial e crimes de ódio

Foto: Simon Bruty/USTA

Nova York (EUA) - Protagonista de vários protestos contra o racismo e por justiça social nos Estados Unidos nas últimas semanas, Naomi Osaka recebeu o apoio de algumas das famílias que foram homenageadas por ela no US Open. Durante o torneio, a japonesa utilizará até sete máscaras diferentes com os nomes de vítimas de violência policial ou de crimes de ódio, em casos que geraram grande repercussão no país.

"Eu gostaria de agradecer à Naomi Osaka por representar o Travyon Martin, assim como o Ahmaud Arbery e a Breonna Taylor. Muito obrigada do fundo do coração. Continue fazendo isso tão bem e arrasando no US Open", disse Sybrina Fulton, mãe de Travyon Martin, adolescente negro que foi morto a tiros aos 17 anos por um segurança em fevereiro de 2012, em Sanford, na Flórida.

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"Naomi, eu gostaria de dizer muito obrigado pelo apoio à minha família. Que Deus te abençoe em tudo o que você fizer. Minha família é muito grata por isso", afirmou Marcus Arbery, pai de Ahmaud Arbery. Seu filho foi morto a tiros ao 25 anos em fevereiro, enquanto estava se exercitando em uma rua residencial na cidade de Brunswick, na Georgia. A promotoria do caso trabalha com a tese de que os executores eram supremacistas brancos.

Em entrevista à ESPN norte-americana, que promoveu os encontros virtualmente, ela se colocou à disposição das famílias das vítimas. A japonesa de 22 anos foi a atleta mais bem paga do mundo em 2019. "Isso significa muito. Sinto que eles são tão fortes. Não tenho certeza do que seria capaz de fazer se estivesse no lugar deles. Mas sinto que sou como um navio neste momento, com a missão de viajar para espalhar a consciência. Não vai diminuir a dor que eles sentem, mas espero poder ajudar com tudo o que eles precisarem".

Osaka voltou a comentar sobre o assunto durante a entrevista coletiva, pouco depois. "Eu só estava tentando não chorar. Para mim, é um pouco surreal. É extremamente comovente que eles se sintam tocados pelo que estou fazendo. Para mim, sinto que o que estou fazendo não é nada. É uma partícula do que eu poderia estar fazendo. Foi muito emocionante e gratificante".

Plano de jogo bem executado nas quartas
A respeito da boa vitória sobre Rogers por 6/3 e 6/4, Osaka acredita que o plano de jogo foi muito bem executado. A japonesa disparou sete aces, 24 winners e cometeu apenas oito erros não-forçados. "Acho que eu tinha um plano de jogo muito sólido com o Wim [Fissette]. Ele faz algumas pequenas apresentações em PowerPoint e isso realmente me ajuda muito".

"Acho que o importante para mim era ser agressiva e aceitar cometer alguns erros não forçados. Aparentemente, não fiz tantos. Mas, sim, tinha que aceitar que cometeria alguns erros, porque sabia que precisava arriscar", complementou a jovem de 22 anos e número 9 do mundo. Ela criou cinco break points e conseguiu três quebras.

Osaka enfrenta enfrenta na semifinal a norte-americana Jennifer Brady, 41ª do ranking e que faz seu melhor resultado em Slam. Brady tem duas vitórias contra top 10 este ano, diante de Ashleigh Barty e Elina Svitolina. "Estranhamente não me sinto a favorita. Porque não tem torcida, não sinto nada. Só sinto que vou enfrentar uma jogadora muito talentosa, como em todas as minhas partidas anteriores. Eu assisti sua partida contra Putintseva hoje cedo e sei que ela é uma grande ameaça".

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