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Djokovic acerta árbitra de linha e é desclassificado
06/09/2020 às 17h15

Sérvio não ganha pontos no ranking e nem premiação em dinheiro com a desclassificação

Foto: Darren Carroll/USTA

Nova York (EUA) - Terminou de maneira melancólica a participação de Novak Djokovic no US Open. O número 1 do mundo foi desqualificado do torneio depois de atingir uma bolada em uma árbitra de linha. O sérvio tinha acabado de ter o serviço quebrado, quando perdia o primeiro set por 6/5, e jogou uma bola para longe, frustrado, e atingiu na região da garganta da juíza de linha, que chegou a sentir falta de ar.

Pouco antes do incidente, Djokovic teve três set points quando vencia por 5/4, mas Carreño Busta evitou a quebra sacando muito bem. No game seguinte, o sérvio uma queda em quadra e recebeu tratamento para o ombro esquerdo. Houve uma paralisação no meio do game para o atendimento. Quando voltou, o número 1 do mundo disputou apenas mais dois pontos, atingiu a árbitra e foi desclassificado.

A regra do tênis prevê a desclassificação sumária nesse tipo de situação. Um caso recente aconteceu com o canadense Denis Shapovalov em partida da Copa Davis em 2017 contra Kyle Edmund. Na ocasião, Shapovalov atingiu acidentalmente o olho do árbitro francês Arnaud Gabas. Brasileiros como Gustavo Kuerten e Teliana Pereira também já acabaram perdendo jogos assim.

O próprio Djokovic já havia escapado de uma punição parecida em três ocasiões, duas em partidas contra Andy Murray, em Roma e em Doha, e outra contra Tomas Berdych em Roland Garros. Com a desclassificação, o sérvio não ganha ponto no ranking e nem premiação em dinheiro pela campanha até as oitavas de final no torneio. Ele deixa de ganhar um prêmio de US$ 250 mil e 180 pontos na ATP. Também é possível multar o jogador. 

Com a desclassificação de Djokovic, Carreño Busta está nas quartas de final do Grand Slam nova-iorquino. Ex-top 10 e atual 27º do ranking aos 29 anos, ele já foi semifinalista do Grand Slam nova-iorquino. Seu próximo rival virá do jogo entre Denis Shapovalov e David Goffin.

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Sérvio perde invencibilidade no ano
A desclassificação sumária no US Open também acaba com a invencibilidade de Djokovic na temporada. O sérvio de 33 anos e havia vencido seus 26 primeiros jogos em 2020. Ele foi campeão do Australian Open, do ATP 500 de Dubai e do Masters 1000 de Cincinnati, além de também ter contribuído com o título da Sérvia na edição inaugural da ATP Cup.

Grand Slam terá um campeão inédito
A eliminação de Djokovic também garante que o US Open de 2020 terá um inédito campeão de Grand Slam. Vencedor de 17 torneios deste porte, o sérvio era o único nas oitavas que já havia conquistado títulos dessa magnitude. Outros dois campeões no torneio já haviam sido eliminados, Andy Murray na segunda rodada e Marin Cilic na terceira fase.

Recordistas de títulos de Grand Slam em todos os tempos, Roger Federer e Rafael Nadal não estiveram na chave. O suíço operou o joelho e só volta a atuar no ano que vem, enquanto o espanhol desistiu da competição, por conta do risco de contaminação pela Covid-19 e pensando também na preparação para a temporada de saibro. Outros campeões de Slam ausentes do torneio são Stan Wawrinka e Juan Martin del Potro.

Muitas polêmicas fora das quadras
Se dentro de quadra Djokovic vinha em uma temporada impecável, o mesmo não aconteceu fora das quadras. Durante a paralisação do circuito por cinco meses, devido à pandemia da Covid-19, Djokovic promoveu um circuito de competições chamado Adria Tour. A ideia era realizar torneios em quatro sedes na região dos Bálcãs, mas o circuito acabou tendo apenas duas etapas, na Sérvia e na Croácia.

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Os eventos foram alvo de muitas críticas devido às poucas restrições de distanciamento social. Os jogos recebiam público, com arquibancadas lotadas e os jogadores também participaram de diversas atividades extra-quadra, como festas, jantares, clínicas com crianças e jogos de futebol e basquete.

Quatro tenistas que jogaram o torneio foram diagnosticados com a Covid-19, inclusive o próprio Djokovic. Grigor Dimitrov, Viktor Troicki e Borna Coric também contraíram a doença. Além disso, familiares e integrantes das equipes também se contaminaram, entre eles a esposa de Djokovic, Jelena, e seu técnico, Goran Ivanisevic.

Já quando o circuito foi retomado, o sérvio se envolveu em mais uma polêmica. Ele deixou o posto de presidente do Conselho de Jogadores da ATP para liderar, ao lado do canadense Vasek Pospisil, a criação de uma nova associação de jogadores. Esses atletas estão insatisfeitos com a atual liderança da ATP, sob o comando do italiano Andrea Gaudenzi. O novo órgão ganhou o nome de Professional Tennis Player Association (PTPA), e visa cuidar exclusivamente dos interesses dos atletas nas negociações do circuito. 

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