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Ciência explica as vantagens do grito no tênis
03/09/2020 às 12h50

Londres (Inglaterra) - Um dos assuntos mais polêmicos e que divide opiniões no tênis é o grito dado por alguns jogadores no momento em que rebatem a bola. A russa Maria Sharapova, que se aposentou em fevereiro, era chamada de Rainha dos Gritos. Seus grunhidos já alcançaram a marca de 101 decibéis, mais do que um Boeing 707 ao pousar.

Embora a questão psicológica que os gritos causem nos adversários seja a primeira coisa que venha a cabeça, um estudo divulgado pelo The Spectador mostra que o tenista que grita tem uma vantagem tática. Emitir um grunhido ao bater na bola ajuda o ritmo e permite que acertem a bola com mais força, sem esgotar o suprimento de oxigênio.

Isso é potencialmente crucial em uma longa partida. Quando grunhem, os jogadores acertam a bola 4% mais rápido durante os ralis e 7% mais rápido durante o saque. Outro ponto importante é atrapalhar a reação do adversário.

Os principais atletas em todos os esportes com bola usam uma série de pistas para deduzir o que acontecerá a seguir. Uma das dicas que os tenistas usam é o som. Os jogadores de elite podem julgar parcialmente a trajetória de uma bola a partir do som feito quando a esta bate na raquete.

Se o contato for mais silencioso, os oponentes podem antecipar um drop shot; se for mais alto, os oponentes podem se preparar para a bola quicando perto da linha de base. Mas quando um jogador grunhe alto, seus oponentes ouvem seu grito ao invés do som que a raquete cria ao fazer contato com a bola.

Sem a informação fornecida pelo som da raquete batendo na bola, fica mais difícil avaliar para onde a bola vai. Os oponentes ficam então 3 a 4% menos precisos na dedução da direção do tiro após um grunhido. Eles também levam cerca de 30 milissegundos a mais para reagir, suficiente para que a bola se mova 60 centímetros até a reação.

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Raquete novo
Suzana Silva