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Osaka: 'Queria criar consciência na bolha do tênis'
28/08/2020 às 20h03

A japonesa aderiu aos protestos contra o racismmo mais uma vez levantou a bandeira no jogo desta sexta

Foto: Ben Solomon

Nova York (EUA) - Depois de garantir vaga na final do WTA Premier de Cincinnati, Naomi Osaka comentou sobre os protestos que iniciou contra o racismo. Inspirada na atitude dos jogadores de basquete da NBA, que paralisaram a liga após mais caso de violência policial contra um negro nos Estados Unidos, a jogadora de 22 anos e número 10 do mundo contou que gostaria de despertar a consciência sobre o assunto em seus colegas de circuito e ficou surpresa pelo retorno positivo que teve por parte dos organizadores do evento.

Após a repercussão do caso de Jacob Blake, que foi baleado sete vezes por um policial na cidade Kenosha, a japonesa anunciou na quarta-feira à noite que não entraria em quadra no dia seguinte para enfrentar a belga Elise Mertens pela semifinal do torneio, como forma de protesto contra o racismo e a violência policial. Em respeito à causa, a direção do torneio cancelou todos os jogos da quinta-feira e manteve o nome de Osaka na chave. A jogadora aceitou a condição proposta pelos organizadores, jogou apenas nesta sexta e venceu.

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"Eu só queria criar consciência. Eu me senti como a NBA, em que as pessoas falam sobre isso e todo mundo usa as camisetas. Então, eu só queria criar essa consciência na bolha do tênis. E acho que fiz meu trabalho", disse Osaka, após a vitória por 6/2 e 7/6 (7-5) sobre Elise Mertens na semifinal da competição. Ela enfrentará a bielorrussa Victoria Azarenka na final do torneio ao meio-dia (de Brasília) deste sábado.

"Antes eu pensava que só o Big 3 (Djokovic, Nadal e Federer) e a Serena tivessem esse poder. Mas também, ao mesmo tempo, reconheço o fato de que talvez a WTA e a ATP quisessem fazer algo assim, mas precisavam de um empurrão de um jogador. Então, talvez eu fosse esse essa jogadora. Eu acho que é definitivamente muito legal da parte deles fazerem isso e estarem abertos a mudanças por questões sociais", acrescenta a japonesa, que a foi a atleta mais bem paga do mundo em 2019.

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"Sinto que os jogadores estão usando mais a voz, especialmente a Coco. Eu a amo por isso. Ela parece estar assumindo o comando dentro e fora da quadra, então é muito bom ver. Talvez esta geração de tenistas não tenha muito medo das consequências de falar o que pensa. Seria muito bom ver isso", comentou Osaka, referindo-se especialmente à jovem de 16 anos Coco Gauff, que participou de marchas contra o racismo após o caso de violência contra George Floyd em Minneapolis.

Osaka também explicou sobre a pequena confusão criada logo após seu pronunciamento. Ela reitera a intenção que teve de abandonar o torneio, mas que aceitou a condição proposta por Steve Simon, CEO da WTA, e pelos organizadores do evento em paralisar a competição por um dia.

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"Pensei em me retirar do torneio e fazer um pronunciamento. Mas então recebi um telefonema de Steve Simon e ele disse que me apoiava totalmente, então sou muito grata por isso. Não sinto que estou sendo corajosa. Eu apenas sinto que estou fazendo o que deveria ser feito", explicou a ex-número 1 do mundo e vencedora de dois Grand Slam.

A japonesa também acredita que terá uma carga extra de pressão por resultados agora. "Tive que desligar meu telefone porque fico muito ansiosa sempre que vejo as pessoas falando sobre mim. Mas, honestamente, eu me coloquei nessa situação. Eu apenas diria que não esperava a resposta que recebi".

"É claro que sinto uma pressão extra agora, que há mais olhos me observando", disse Osaka. "Já existia muita pressão que coloco sobre mim mesma e, agora, sinto que agora há outra razão para eu querer vencer, mas sinto que tenho que recuperar todas as emoções e me concentrar apenas no que eu treino para fazer".

Osaka também traçou seus prognósticos para a final contra Azarenka. Será o quarto duelo entre elas e a japonesa lidera o histórico por 2 a 1, com vitória também no duelo mais recente em Roland Garros. "É muito legal poder jogar com Vika agora, porque já joguei com ela na França no ano passado, mas sei que provavelmente seu melhor piso é a quadra dura, como é também o meu melhor piso. Acho que vai ser um jogo muito divertido".

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Suzana Silva