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Raonic diz que também cogitou boicotar torneio
27/08/2020 às 17h06

O canadense considerou a hipótese, mas acha que mais jogadores precisariam aderir à causa

Foto: Peter Staples/ATP Tour

Nova York (EUA) - Semifinalista do Masters 1000 de Cincinnati, Milos Raonic revelou que também pensou em boicotar a partida das quartas de final do torneio, na quarta-feira à noite contra o sérvio Filip Krajinovic. O canadense conta que só entrou em quadra por acreditar ser necessário que mais jogadores se manifestem para que suas vozes sejam de fato ouvidas.

Após a repercussão de mais um caso de violência policial contra um negro nos Estados Unidos, desta vez contra o homem de 29 anos Jacob Blake, que levou sete tiros pelas costas na cidade Kenosha, no Wisconsin, atletas da NBA decidiram boicotar a rodada da última quarta-feira. A iniciativa foi seguida pelo beisebol, pelo futebol, e chegou ao tênis por meio de Naomi Osaka.

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A japonesa anunciou na quarta-feira à noite que não entraria em quadra nesta quinta para enfrentar a belga Elise Mertens pela semifinal do WTA Premier local, como forma de protesto contra o racismo e a violência policial. Em respeito à causa, a direção do torneio cancelou todos os jogos desta quinta-feira e manteve o nome de Osaka na chave. A jogadora aceitou a condição proposta pelos organizadores e jogará na sexta-feira.

"Acho que para realmente fazer a diferença precisamos ter uma união maior de atletas e fazer uma verdadeira ruptura. Não é apenas uma questão dos jogadores que sobraram no torneio. Acho que todos precisam estar na mesma página", disse Raonic, logo na saída de quadra após a partida contra Krajinovic, em que venceu por 4/6, 7/6 (7-2) e 7/5.

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"Se quatro caras não jogam amanhã, mas tudo continuar normal na segunda-feira, quando o US Open começa, como daremos o próximo pequeno passo?", acrescentou o canadense, que enfrentará o grego Stefanos Tsitsipas na semifinal. "No momento, eu sou número 30 do mundo, então poucas pessoas vão se importar com o que eu faço. Seria a mesma coisa como se o quinto jogador de um time de basquete não entrasse em quadra em um jogo".

"Assim como você constrói uma carreira no tênis, também tem que construir o movimento com pequenos passos progressivos, tentando ser melhor e fazer uma diferença maior a cada dia", explica o jogador de 29 anos. "Não se trata apenas de dar um pequeno passo e depois pensar: 'Ei, eu fiz minha parte'. Trata-se de dar um pequeno passo e depois já tentar dar o próximo".

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Suzana Silva