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Como funciona a bolha sanitária do US Open
20/08/2020 às 15h20

Nova York (EUA) - A menos de duas semanas para o início do US Open, o complexo Billie Jean King em Nova York criou uma bolha sanitária para isolar os jogadores e reduzir ao máximo o risco de contaminações pela Covid-19. Até por isso, o Masters 1000 e o WTA Premier 5 de Cincinnati foram transferidos de sede e o palco do Grand Slam nova-iorquino terá três semanas seguidas de tênis em alto nível. Os jogos começam nesta quinta-feira, com o quali de Cincinnati, e já com um rígido protocolo de segurança.

Quarenta "embaixadores de distância social" vão monitorar as instalações do US Open para garantir que os jogadores e outros profissionais evitem contato próximo e estejam utilizando máscaras faciais. Além disso, o hotel oficial do torneio contou com fiscais para que os jogadores permanecessem em seus quartos em menos de 24h depois do primeiro exame para coronavírus. A Associação de Tênis dos Estados Unidos (USTA) comprou 500 mil máscaras para distribuir, como parte dos esforços para evitar um surto de coronavírus durante os torneios, que não receberão público nas arquibancadas.

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"Estamos tentando reduzir o risco ao máximo, mas tornar isso menos estressante possível para os jogadores", disse Danny Zausner, diretor de operações do complexo Billie Jean King à agência Associated Press. "Se algum jogador saísse do quarto por alguma razão, uma pessoa da segurança estaria ali para dizer: 'Por favor, você precisa subir e voltar para o quarto'".

Principal arena do US Open, o Arthur Ashe Stadium transformou alguns de seus camarotes em alojamentos. Sessenta e quatro suítes, que normalmente geram centenas de milhares de dólares em receita anual para o torneio, estão sendo designadas como lounges pessoais para os cabeças de chave dos torneios masculino e feminino de simples.

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Também foram reduzidas as capacidades da sala de jantar de 300 para apenas 50 pessoas e dos vestiários, que normalmente acomodam até 300 pessoas e são limitados a 30 por vez, sendo exclusivos para jogadores. Técnicos ou outros integrantes das equipes ficam proibidos de entrar. A permanência de um jogador será restrita a 15 minutos, vinculados ao horário dos treinos e jogos.

O transporte de jogadores entre o hotel e o local do torneio não será feito por carros individuais, mas sim com 60 ônibus, com 50% da capacidade. Uma pessoa se sentará em cada janela e o assento adjacente permanecerá vazio. Além disso, a maioria das mesas de fisioterapia e massagem foram transferidas dos vestiários para áreas ao ar livre.

"Tudo isso é para mitigação de risco e diminuir a exposição ao vírus'', disse a diretora do torneio Stacey Allaster, na última terça-feira. Segundo a dirigente, cerca de 350 jogadores já estavam na "bolha" até aquela data, o que representa 90% do número de atletas envolvidos no torneio.

Entre os 1.400 testes já realizados, uma pessoa testou positivo. Inicialmente, a USTA não divulgou o nome e apenas disse que não era um jogador. Já na quarta-feira à noite, o argentino Guido Pella e o boliviano Hugo Dellien vieram a público para avisar que o preparador físico deles, Juan Manuel Galván, estava contaminado e que por isso eles ficariam isolados nos próximos dias.

''Esperávamos que isso acontecesse'', disse o CEO da USTA, Mike Dowse, durante uma videoconferência com jornalistas. "Matematicamente, esperávamos ter um resultado positivo, talvez até mais de um. Portanto, antecipamos isso e implementamos um protocolo muito específico para evitar que isso se espalhe amplamente. Nossa prioridade número 1 é cuidar dessa pessoa primeiro e, em segundo lugar, evitar que a propagação continue".

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